SDNSR

Seminário Diocesano Nossa Senhora do Rosário

 

Em 1956, com a renúncia de Dom João Batista Cavati, Mons. Aristides Marques da Rocha tornou-se, pela terceira vez, Vigário Capitular (1956 e 1957). O Núncio Apostólico no Brasil, Dom Armando Lombardi, permite que Monsenhor abra imediatamente o Seminário, no Palácio Episcopal e venda algumas propriedades da Diocese para a construção do prédio do Seminário. Caso chegasse logo o novo Bispo, os alunos iriam para a ampla casa paroquial já existente, atrás da Igreja Nossa Senhora da Conceição, que ainda não era Paróquia.

No dia 28 de junho de 1957, durante uma grande Concentração do Apostolado da Oração em Caratinga, Dom João Cavati benzeu a pedra fundamental do prédio do Seminário Diocesano, já com o nome de Nossa Senhora do Rosário, a grande devoção de Monsenhor Rocha. E Monsenhor inicia logo a construção, seguindo uma planta do Padre Rino, simples mas bonita, com a capela no centro. Conseguiu pôr os alicerces e já subira as paredes da frente. Foi quando chegou Dom Corrêa.

Na sua Carta Pastoral de saudação, havia colocado duas prioridades: a Catequese e o Seminário. Tendo sido informado dos trabalhos de construção do prédio do Seminário e do projeto de se iniciar logo seu funcionamento, não só o aprovou, como também, na primeira reunião com o clero, no dia seguinte à sua posse, acontecida dia 12 de dezembro de 1957, anunciou que iria começar o Seminário Diocesano imediatamente.

Nomeou Pe. José do Carmo Lima, como seu primeiro reitor. Trabalharam com ele, Pe. José Jésus Gomes de Araújo, recém-ordenado, como professor; Pe. Francisco Chaves de Carvalho, como tesoureiro; e o ex-seminarista Carlos Alberto, como disciplinário.

O Documento da criação do Seminário, redigido a mão por Dom Corrêa, tem a data de 1º de março de 1958. E o Seminário começou a funcionar. Tudo muito simples.

No segundo semestre, entrou como novo reitor o Pe. Ramón Canals y Casas. No ano seguinte, 1959, o Seminário mudou-se para a Rua da Cadeia, Rua Coronel Antônio Saturnino, onde Mons. Rocha adaptou as 3 casas e construiu uma capela. Este local hoje é a Casa Central das Irmãs Missionárias de N. Sra. das Graças. Ali o SDNSR funcionou seis anos, enquanto se construía este prédio.

Dom Corrêa, desde o início, verificando que o prédio do SDNSR não tinha nenhum projeto, pediu que se interrompessem as obras. O novo projeto foi feito pelo engenheiro Dr. Luiz Antônio Flutt, do Rio de Janeiro, seu ex-paroquiano de Rio Preto. Só mesmo nos inícios de 1960 é que pôde reiniciar os trabalhos.

O prédio foi instalado dia 9 de maio de 1965.

Pe. Othon foi o 4º Reitor do SDNSR (1969 a 1981, 13 anos). Era tempo pós-conciliar. Difícil, para as vocações. Os Seminários em crise. A vida no Seminário era difícil. Muita pobreza. Para o sustento dos seminaristas e para vender e conseguir alguma verba para a sua manutenção, além da horta, criavam bois, porcos, galinhas, coelhos… Lembro-me de ter visto o Clésio, hoje Pe. Clésio, da Diocese de Volta Redonda, lá no centro de Caratinga, vendendo verduras, para o Seminário!

Nos inícios da década de 1970, o Movimento do Cursilho de Cristandade estava no auge. Na Diocese de Caratinga, os encontros do Cursilho eram feitos na longínqua Espera Feliz, sob a direção do Padre Leo Dinkelborg, SDN. Surgiu a ideia de fazer do Seminário a Casa Central do Cursilho. Para decidir isso, foi marcada uma reunião em Engenheiro Caldas, que era da nossa Diocese. Éramos vários Padres, Leigos e o Sr. Bispo, Dom Corrêa. Padre Leo apresentou a sugestão, como sendo uma necessidade pastoral da Diocese. Padre Othon mostrou a importância do Seminário, que começava a se encher de alunos. Defendeu, com unhas e dentes, a permanência do Seminário. E ficou decidido, por maioria na votação, que o nosso prédio, feito para ser seminário, continuaria Seminário!

Na sua pregação, nos 40 anos do Seminário, Dom Corrêa nos contou um segredo que guardava consigo: Tinha levado um envelope fechado, contendo uma decisão sua: caso se acabasse com o Seminário, ele iria lê-la: era a sua renúncia da Diocese! Não concebia uma Diocese sem o seu Seminário. Ele não seria mais Bispo de Caratinga!

Foram reitores: Padre José do Carmo Lima (1958); Padre Ramón Canals y Casas (1958-1959); Padre Odilon Sabino do Carmo (1960-1961); Padre Raul Motta de Oliveira (1962-1968); Padre Othon Fernandes Loures (1969-1981); Monsenhor Raul Motta de Oliveira (1982-1986); Monsenhor Levy Paula Figueira (1987-1999); Padre José Moreira Bastos Neto (2000-2005);  Padre Jamir Pedro Sobrinho (2006-2011). Em 2012 foi nomeado o atual reitor, Padre José do Carmo Vieira.

 
– Por Mons. Raul Motta de Oliveira