Perdemos para valorizar

A sabedoria popular nos ensina que só damos o devido valor às coisas quando a perdemos. É assim se tratando de objetos e principalmente de pessoas quando estas vão para junto do Criador.

Em tempos de isolamento social, pandemia, medo, dentre outros sentimentos escuros, vivenciamos a perda do direito de participar presencialmente do Santo Sacrifício, ou seja, estamos impedidos de participar da Santa Missa, ponto alto de nossa fé.

Por medida sanitária óbvia, as Igrejas são locais de aglomeração de pessoas, logo, sob o ponto de vista medico-sanitário, são locais suscetíveis a propagação do famigerado Corona Vírus.

Dada esta situação, totalmente inesperada e talvez inimaginada, reinventando nossa fé, nosso modo de ser cristão, vez que toda a nossa atividade pastoral convergia na celebração eucarística, na vivencia de ser Igreja em comunidade.

Voltando ao campo sentimental, muitas das vezes, quando vamos as igrejas, reclamamos de uma ou outra situação não é? Do tipo, “ah o padre é ruim” ou ainda “o som deste lugar é ruim”, “tá frio e ligaram o ventilador”, “esta Igreja é quente” dentre outras que aliás, a reclamação é parte da natureza humana.

Pois bem, não podemos sequer reclamar, pois, não temos oportunidade de ir aos templos. Que tristeza!

Aproxima-se de nós a Semana Santa, ponto culminante do calendário cristão e de nossa fé, onde se recorda os últimos momentos de Nosso Senhor Jesus Cristo nesta terra e sua ação redentora e libertadora.

A semana santa deste ano será diferente. Não teremos procissões luminosas, não teremos os sermões nas praças, não teremos encenações, não teremos tais coisas que em nosso caso específico, Minas Gerais, se confundem com a história de nosso estado.

Mas a cada situação desagradável que vivenciamos tiramos lições valiosas. Talvez a lição maior que podemos tirar é valorizar a Celebração Eucarística, valorizar a comunidade, o padre, a paróquia, os momentos que estamos juntos, em Igreja, corpo de Cristo, como diz o apóstolo Paulo em 1 Coríntios 12, 27

Diz uma canção ligada à Congregação dos Redentoristas “eu sou feliz é na comunidade, na comunidade eu sou feliz…”

De fato, somos felizes em comunidade, e que falta ela nos faz!

Aprendamos neste momento a valorizar mais, a fazer de nossa presença na Santa Missa uma presença viva e real, com os olhos fixos somente Nele (cf. Hebreus 12,1), e modifiquemos nosso jeito de ser e agir nas celebrações, pois só agora que perdemos, sabemos da falta que faz!

 

Aldair Gustavo Isidoro Júnior, advogado, músico, agente da PasCom do Santuário, em Caratinga/MG.