“Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós” (At 15, 27)

Diante das discussões em torno da Pandemia (enfermidade epidêmica amplamente disseminada) que assola o mundo, e mais especificamente o nosso país, com as algumas suspeitas em nossa região, uma discussão tem tomado o nosso cenário religioso: cancelar ou não as missas? Que bom que essa preocupação está na mente dos nossos católicos, homens e mulheres de fé que buscam sempre participar do mistério pascal de Cristo e se preocupam em realizar este ato de preceito tão sublime para alimento da fé e da vida!

Veio à mente, o Concílio de Jerusalém, na acalorada discussão sobre a acolhida dos gentios à fé cristã. Evidentemente muitas opiniões contrárias surgiram. Muitos não saíram satisfeitos com o resultado, alguns dos apóstolos inclusive. Mas o que fez a comunidade ficar unida, diante de um fator de divisão foi justamente a capacidade de pensar no que, de fato, os unia: Cristo. Antes de pensar no motivo da divisão, a mente da comunidade estava no que era comum a todos, conhecer a Cristo e viver dos seus ensinamentos, até o ponto de dar a vida por Ele. Foi assim que Ele mostrou o seu amor, morrendo na Cruz. No fato de dizer: “pareceu bem ao Espírito Santo e a nós”, não estava em voga uma certeza inabalável, mas a tentativa humana de compreender o mistério Divino, revelado, mas incompreensível na sua grandeza.

Dito isso, penso que se houver algum fator que leve a considerar prudente não ter a Celebração da Eucaristia, quem sabe pudéssemos pensar naqueles momentos das ausências de Jesus, como a sua subida para o deserto, a busca por compreender o projeto do Pai (Mt 4); ou mesmo os três dias da sua morte, inclusive com aqueles dois discípulos que tentaram sair de Jerusalém e foram encontrados por Ele no caminho de Emaús (Lc 24).

Seria importante entrar em comunhão com tantos de nossos contemporâneos que não podem participar da Eucaristia por falta de sacerdotes. Nossas pequenas comunidades que participam da Missa somente uma vez ao mês, ou menos, devido às distâncias, condicionado a questões climáticas. Rezar por aqueles que estão em ambientes contrários à fé cristã, muitos quando podem celebrar a Eucaristia, precisam celebrar às escondidas por medo de retaliações.

Para aqueles que ainda terão oportunidade de participar das missas, além do que tem sido pedido quanto à higienização e cuidados necessários durante as celebrações, pode ser uma ocasião forte para refletir sobre o sentido da Eucaristia, como Ação de Graças, e da Liturgia, como ação comum de um povo, o Corpo de Cristo. Sendo que se um membro sofre, todos padecem (1 Cor 12, 12).

Que não falte a coragem de viver a fé, mesmo sem a Celebração comunitária da Eucaristia. Aprendamos dessa quarentena, quaresmal, o sentido genuíno da fé, “a garantia dos bens que se esperam, a prova das realidades que não se veem” (Hb 11, 1). Assim, poderemos compreender que o que parecer bem (comum) ao Espírito Santo e àqueles que governam as Igrejas será de fato para unir e não para dividir. Tenhamos sempre confiança no Senhor! Com o passar do vírus, retornar à mesa Sagrada será motivo de grande festa, se permanecer será motivo de grande gratidão. Enfim, rezemos: “Ó Deus, autor e amigo da paz, conhecer-vos é viver, e vos servir é reinar; protegei contra toda adversidade aqueles que vos invocam para que, confiando em vossa ajuda, não temamos nenhuma hostilidade. (Missal. Missa em tempo de guerra ou calamidade. pág. 912). Deus nos abençoe!

Pe. Reginaldo Pires Amâncio