PANDEMIA: UM CHAMADO AO DISCIPULADO, PARTICIPAÇÃO E UNIDADE.

Começo esta reflexão recordando um momento vivido com um amigo: certa vez, estávamos eu e padre Jhonatan < meu amigo de infância, filho desta Igreja Particular, hoje religioso da Ordem dos Clérigos Regulares – Teatinos > indo ou voltando, salvo juízo, pela BR 116, quando ele me apresentou a canção “Sejamos um para que o mundo creia”, letra a música do saudoso e talentoso pe. Ney Brasil, canção essa baseada no versículo 21 do capítulo 16º do Evangelho de João.

A canção, assim como o versículo bíblico trazem como elemento central a unidade: união entre o Pai que enviou o Filho, e que unidos pelo amor serão sinal de crença para a humanidade.

Após essa “apresentação”, confesso, essa música não saiu mais do meu pensamento, e debruçado sobre sua letra, já refleti por múltiplas direções à luz da Palavra de Deus sobre situações passadas e sobretudo sobre o momento que estamos vivendo.

Pois bem, encerrada esse introito, meio veio aplicar a canção e o trecho bíblico ao momento atual sobre três viés: discipulado, participação, unidade.

O Documento de Aparecida (Doc. Aparecida 2007) insiste para que todo nós, cristãos batizados, assumamos a responsabilidade do nosso batismo e a coloquemos em prática efetiva, sendo discípulos, aqueles que servem e estão intimamente unidos ao Pai e ao Filho pelo amor e missionários, aqueles que dão testemunho e anunciam a verdade libertadora de Cristo. Eis a essência do discipulado: ter a experiência, vivenciar, servir e anunciar.

O contexto de pandemia nos torna discípulos e missionários a distância, mantendo-nos em isolamento, e quando não podemos, em constante cuidado e proteção para com o próximo. É ouvir a voz do Mestre e anunciar sua palavra de cuidado, carinho e esperança levando através da oração e de gestos concretos, a Palavra de Deus.

A pandemia nos chama a participação. Parece ambíguo não é?! Mas não!

Quantas das vezes, em épocas de abundância de celebrações, reuniões, encontros, o nosso comodismo < termo venial para preguiça > nos impedia de ir, sob os mais diversos argumentos: “depois eu vou, semana que vem tem de novo, deve ter outro para fazer no meu lugar, etc”.

Agora estamos sem tudo isso e não sabemos até quando ficaremos.

Chamo a atenção na participação sobretudo quando se diz ao Santo Sacrifício da Missa. Quantas vezes, sentados no banco, antes, durante e depois das celebrações, perdíamos tempo em criticar e/ou reclamar, ás vezes de maneira vil, seja o leitor, seja o cantor, seja o sacerdote daquele horário, seja qualquer pessoa que esteja ali, auxiliando na comunidade sem contudo mover-nos para oferecer nosso auxílio, nossa participação.

A realidade em que vivemos, o mar revolto que ainda não foi abrandado por Jesus, nos furtou inclusive, de poder reclamar e criticar o que discorria no parágrafo anterior.

Pois então não é, essa pandemia nos ensina também que quando tudo voltar à normalidade precisamos ser ativos na comunidade, precisamos ser de fato membros vivos dessa Igreja cujo Cristo é a cabeça. Como diz o apóstolo Paulo, muitos são os membros, os dons, os carismas e é quase inconcebível que não tenhamos nada, nenhum dom, nenhum carisma para pôr à disposição da comunidade a qual congregamos. (I Coríntios 12)

Quem não vive para servir, não serve para viver e será lançado ao fogo! (cf. Mateus 13, 47-50)

Somos chamados também a unidade. O nosso ponto convergente é o amor. Somos reconhecidos desde o início pelo amor (cf. Jo 13, 34) e só nos unimos àquilo que conhecemos e amamos, por isso o apelo a estar cada vez mais próximos dos irmãos, da comunidade, da Igreja, a estarmos mais próximos de Deus.

A vida em comunidade, o relacionamento interpessoal não é fácil. Jeitos, traquejos, manias, na maioria das vezes diverso do nosso nos impõe todos os dias o desafio do respeito e da superação, em nome da boa convivência e do bem comum de toda uma comunidade que conta com nosso trabalho.

A massa que une a todos nós, tijolos dessa parede que é a comunidade cristã é o amor, é o enxergar no próximo a pessoa de Cristo.

Em uma reflexão anterior eu recordei da importância da comunidade e da falta que ela nos tem feito também ao longo destes tempos sombrios.

É através do amor que todos reconhecerão em nós a unidade dele gerada e este amor de Jesus é que vai confirmar e testemunhar esse Deus maravilhoso ao qual servimos, adoramos, somos discípulos e missionários.

Sejamos um para que o mundo creia!

 

Aldair Gustavo