“O Senhor Vem julgar a nossa terra” (Sl 95)

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Parece um tema bastante recorrente de nosso tempo falar das realidades apocalípticas, sobretudo frente a acontecimentos catastróficos que desafiam a humanidade. Diante de situações como guerras, destruições, vírus, atitudes desumanas e desumanizadoras não é difícil encontrar os “profetas da desgraça” que afirmam ser este o “apocalipse definitivo”, “o fim do mundo”, “a volta de Jesus”, pois isto ou aquilo “está escrito na Bíblia”.

Aterroriza ainda a ideia de um julgamento divino, que “separa as ovelhas dos cabritos”. Enquanto uns irão para a vida eterna, outros experimentarão o castigo eterno. A ideia e a expressão de um Deus vingativo fazem perdurar o pavor e o medo. A volta de Jesus parece é vista como o momento em que uns se salvarão e outros serão massacrados a bel prazer de Deus. Pela boca de Ezequiel o caminho parece o contrário: “Deus não quer a morte do pecador, mas que ele se converta e viva” (Ez 18, 23).

A imagem não é nova e as consequências disso parecem marcar a humanidade. A comunidade dos Tessalonicenses, na expectativa da vinda imediata de Cristo, muitas vezes estagnou na história e por diversas vezes se encontrava temerosa com a chegada do Senhor, preocupada, inclusive, com aqueles que morreram sem conhecer a Jesus. A estes Paulo consola: “vós, meus irmãos, não estais nas trevas, de modo que esse dia vos surpreenda como um ladrão. Todos vós sois filhos da luz e filhos do dia. Não somos da noite, nem das trevas. Portanto, não durmamos, como os outros, mas sejamos vigilantes” (1 Ts 5, 4-6).

Essa vigília lembra a certeza de uma esperança fundamental e fundamentada. Nasce do encontro com o Senhor, pois Ele vem julgar a nossa terra. Fato que não deve causar medo e temor, mas gerar sentimentos de contentamento e alegria. Longe dos julgamentos humanos, limitados, pela sua própria natureza, carregados de preconceitos, o Senhor, como juiz, se assentará no seu trono (a Cruz) e julgará a nossa terra.

Terra que é humus, lugar donde nasceu Adão, a humanidade na sua mais estreita condição e limite. Justamente é essa terra que o Senhor irá julgar, a obra de suas mãos, que recebeu Dele a possibilidade de ser imagem e semelhança, marcada pela realidade do pecado, mas amada até as últimas consequências.

Acrescenta o salmista “com justiça julgará”. A compreensão de justiça na Sagrada Escritura indica ser fiel aquilo que se é, a sua essência. Não falta na Bíblia a chamada recordação da misericórdia de Deus, porque Ele não pode negar aquilo que Ele é, o que o povo sentiu ao longo da sua jornada da experiência mais viva de Iahweh. A Igreja ainda hoje insiste: “Não por nossos méritos, mais por vossa bondade” (Or. Eucarística I). Foi por essa bondade, que a justiça divina se manifestou a nós, Deus não pode negar o que é.

Por isso, a importância do início da caminhada para o Natal ser iluminada pela realidade do juízo de divino, que longe de causar medo, deve suscitar alegria e contentamento, vai renascer a esperança, na manjedoura de Belém. Cristo, Senhor e Juiz da história, entra nessa mesma história para julgá-la, mas com o ardente desejo de salvá-la. Peçamos que todos os fiéis, mantendo o olhar fixo em sua meta, a posse do Reino celeste “acorrendo com as nossas boas obras ao encontro do Cristo que vem, sejamos reunidos à sua direita na comunidade dos justos” (Or. Coleta 1º Domingo do Advento).

 

Pe. Reginaldo Pires Amâncio

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