MIssionários Sacramentinos de Nossa Senhora

A Congregação dos Missionários de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, fundada em 1929 pelo Servo de Deus Pe. Júlio Maria, é um Instituto de Vida Consagrada de direito diocesano. Popularmente conhecidos como Missionários Sacramentinos de Nossa Senhora, seus membros fazem profissão pública de consagração a Deus como absoluto de suas vidas através dos votos de pobreza, castidade e obediência.

A Congregação possui um carisma e uma espiritualidade próprios, que a caracterizam e apontam os rumos por onde deve progredir. Esses pilares, herdados do Fundador, se atualizam a cada dia na fidelidade à Igreja e inspirados pelos sinais dos tempos.

“A vocação missionária de nossa Congregação se expressa no empenho da evangelização de todas as pessoas, especialmente das mais necessitadas, e no esforço de fazer o evangelho penetrar as estruturas e culturas, fontes inspiradoras dos modelos de vida social, política e econômica. Para isso a Congregação desempenhará sua missão através do anúncio de Jesus e seu Reino, da formação e organização de comunidades missionárias, do testemunho da vida evangélica no meio do povo, do trabalho permanente de animação missionária, através de todos os meios ao seu alcance.” (Const. n. 05).

SÍNTESE HISTÓRICA DA FUNDAÇÃO

Pe. Júlio Maria De Lombaerde, experimentado missionário belga, fora enviado em missão para o Brasil em 1912. Isso após uma heroica e frutuosa experiência missionária na África durante sua juventude e, posteriormente, na Holanda, na Bélgica e na França.

Pois bem, com todo esse acervo de experiência de trabalho missionário junto ao povo de regiões e mesmo de países os mais variados, Pe. Júlio Maria chegou a Macapá, onde pôde conhecer uma região pobre de nosso imenso Brasil.

Naquela pequena, pobre e atrasada Macapá do começo do século XX, juntamente com seus irmãos da Congregação dos Missionários da Sagrada Família, o Pe. Júlio Maria foi “tudo”. Foi “médico”, farmacêutico, dentista, foi delegado de higiene pública, professor, diretor das Escolas Reunidas. Foi o missionário das ilhas.

Foi nesse ambiente que o coração do provado missionário recebeu inspiração de Deus para fundar uma congregação de religiosas. Em Macapá ele fundou a Congregação das Filhas do Coração Imaculado de Maria (Irmãs Cordimarianas) aos 21 de novembro de 1916.

Por motivo de doença dele e de várias irmãs cordimarianas, Pe. Júlio passou a residir na Vila do Pinheiro, hoje Icoaraci, periferia de Belém, para onde transferiu o noviciado. Naquela vila, Pe. Júlio se dedicou por três anos à formação das religiosas de sua Congregação.

Durante esse tempo de permanência na Vila do Pinheiro o Pe. Júlio Maria teve uma nova inspiração. Sentiu que Deus pedia que ele fundasse também uma Congregação de missionários que se dedicassem ao serviço junto ao povo. Concretamente: missionários que fizessem por toda parte o que ele mesmo já estava fazendo naquela carente região amazônica.

Os apelos de Deus eram muito insistentes para o Pe. Júlio Maria, porém não eram suficientemente claros para a autoridade eclesiástica de Belém. Como Deus tem seus planos, ele mesmo foi abrindo um caminho especial para o nosso missionário. Pe. Júlio era muito fiel ao Plano de Deus. Diante das dificuldades com o Bispo de Belém, de acordo com seus superiores da Europa, saiu daquela cidade. Saiu também para atender a um convite providencial de Dom Carloto da Silva Távora, bispo de Caratinga-MG, que ficara sabendo do seu ardor missionário e de seu projeto de fundar uma Congregação de missionários…

Já com a viagem marcada para Minas, via Rio de Janeiro, Pe. Júlio recebeu nova ordem de seus superiores da Europa. Saiu de Belém, transferindo-se temporariamente para Natal-RN,  a fim de ajudar seus irmãos de Congregação que atuavam naquela cidade. Passados dois anos de intensa atividade missionária em Natal, Pe. Júlio partiu para o Sudeste. Chegou a Manhumirim-MG, no dia 24 de março de 1928. Aos 8 de abril, Pe. Júlio assumiu oficialmente o curato de Manhumirim, e aos 25 de novembro daquele mesmo ano, fundou o jornal “O Lutador”.

Como aconteceu em Macapá, também em Manhumirim o Pe. Júlio, a exemplo de São Paulo, foi “tudo para todos” (1Cor 9,22). Ele entrou em tudo e foi movimentando toda a região. Sua intensa atividade missionária não o afastava dos estudos.  O Pe. Júlio estava sempre escrevendo. Fazia da escrita um meio privilegiado de evangelização.

Pois bem, foi nesse ambiente de intensa atividade missionária que ele começou a lançar as bases da Congregação dos Missionários Sacramentinos de Nossa Senhora. No dia 25 de março de 1929 a Congregação foi fundada, a saber, foi erigida canonicamente. Aos 16 de julho do mesmo ano os primeiros sacramentinos se revestiram do hábito da nova Congregação: o Fundador e mais outro.

Estava fundada a primeira Congregação religiosa masculina do Brasil. Em pouco tempo já eram vinte membros. Pe. Júlio, nomeado Moderador Geral, foi acolhendo outros mais que se empolgavam com tudo o que estava acontecendo em Manhumirim: um ARDOROSO MISSIONÁRIO que movimentava a cidade e a redondeza, e UM POVO VIBRANTE que, a cada dia, redescobria o gosto de ser católico atuante.

Assim nasceu a Congregação dos Missionários Sacramentinos de Nossa Senhora. Foi em Manhumirim, Minas Gerais. Podemos dizer mui familiarmente que a Congregação foi “concebida” no Norte (Belém-PA), “gestada” no Nordeste (Natal-RN) e “nasceu” no Sudeste (Manhumirim-MG). Hoje, graças a Deus, a Congregação tem procurado levar a sério as marcas amazônicas, o heroísmo dos nordestinos e a garra do povo mineiro.

SÍNTESE BIOGRÁFICA DO FUNDADOR

 

Nasceu o Padre Júlio Maria em Waereghen (Bélgica), aos 8 de janeiro de 1878. Foram seus pais José de Lombaerde e Sidônia Steelant. Recebeu na Pia batismal o nome de Júlio Emílio.

Atraído pela vida missionária, quando assistia à Missa de um santo missionário, ainda antes de concluir seus estudos, se fez “irmão branco” com o nome de Irmão Optato Maria, tendo ido trabalhar depois na África.

Em conseqüência de febres voltou à Europa e, sentindo-se chamado ao sacerdócio, entrou na Congregação da Sagrada Família, fundada pelo Padre Berthir, em Grave (Holanda) para recolher vocações tardias. Foi ordenado a 13 de janeiro de 1908. Em 1912, quando fazia um bem imenso pregando missões pela França, foi de repente enviado para o Brasil (Amazônia), onde trabalhou 15 anos como missionário entre os índios e caboclos.

No Norte (Macapá) fundou providencialmente a Congregação das Irmãs do Imaculado Coração de Maria, tendo sido aprovada pelo Papa Bento XV. Tem-se desenvolvido muito essa Congregação.

Do Norte, o Padre Júlio Maria, demorando-se algum tempo em Natal, veio para Manhumirim (Minas Gerais), em 1928. A obra que aqui desenvolveu, com a proteção de Deus e apesar das perseguições constantes movidas pela Maçonaria local, é uma prova palpável da divindade da sua missão.

A pedido dos Sres. Vigários, e estimulado pelo santo Dom Carloto, primeiro Bispo de Caratinga, Padre Júlio Maria, com muito fruto espiritual, percorreu grande parte da Diocese, pregando Missões.

“Do nada”, mas sempre abençoado por Deus e Nossa Senhora, fundou aqui a primeira Congregação de padres missionários genuinamente brasileira: a Congregação dos Missionários de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, bem como a das Irmãs Sacramentinas de Nossa Senhora.

Padre Júlio Maria, polemista sem par, teólogo exímio, pregador admirável, escritor de renome, teve sempre sua pena e sua rara inteligência a serviço da Igreja e pelo seu [jornal] “O Lutador” se fez o “terror dos hereges”.

Mestre, pai e amigo, igual a ele nunca existirá. Mestre do povo, pai dos pobres, amigo das crianças, era chamado por estas como sendo o seu querido ‘vovozinho’.

Em trágico acidente de automóvel, verificado a 24 de dezembro de 1944 [estando viajando às pressas, por urgência de celebrar a Santa Missa de Natal], sozinho, longe de seus filhos, Padre Júlio Maria morreu, lutando ainda como passara toda a sua vida. O Brasil inteiro chorou a perda desse grande sacerdote, brasileiro de Coração.

Suas obras: O Seminário Apostólico, o Colégio Pio XII, o hospital-asilo São Vicente de Paulo, o Patronato Santa Maria [para acolhimento dos órfãos], Escola Normal Santa Terezinha, a editora e o jornal “O Lutador”, que em Manhumirim [e a editora, em Belo Horizonte] continuam vivas e progredindo nas mãos de seus filhos espirituais.

Padre Júlio Maria fez muito a Manhumirim, e os padres Sacramentinos, seus filhos, sem nenhum favor, continuam fazendo outro tanto, e ainda mais.

Padre Júlio Maria não morreu. Vive ainda em suas obras e no espírito de “Amor e Sacrifício” de seus filhos…