Missionárias de Nossa Senhora das Graças

                                                  

Nossa História

 
 

UMA BREVE TRAJETÓRIA HISTÓRICA

O Instituto das Irmãs Gracianas, nasceu em Minas Gerais, numa pequena cidade – São Francisco do Glória – no ano de 1947. Um Instituto de vida consagrada, com a missão de Evangelizar e Catequizar; desde a fundação, as irmãs dedicam suas vidas em favor da catequese, dos pobres, das famílias, integrantes da Diocese de Caratinga e de outras dioceses onde são solicitadas.
Tudo começou com a coragem e audácia de Padre Bruno Konrad List, que ouvindo os apelos de Deus, colocou-se prontamente a iniciar a obra.
 
FUNDAÇÃO
 
Foi na pequena cidade de São Francisco do Glória, que uma tênue luz começou surgir.
Dom João Batista Cavati, bispo diocesano de Caratinga, sentindo-se que a ignorância religiosa, o analfabetismo e a violência assolavam a Diocese, era urgente atacar estes males. O que fazer? Diante desta interrogação que era uma de suas maiores preocupações, desejava como solução, ter em sua Diocese uma casa de religiosas que se dedicassem a missão. Para isto convidou diversas congregações para erigir em sua diocese uma casa missionária. A resposta era simplesmente, impossível devido ao número insuficiente de religiosas.
No dia 12 de abril de 1946, chega Padre Bruno Konrad List, vindo da Congregação do Divino Salvador (Salvatoriano) da Província de São Paulo, para a Diocese de Caratinga indo pastorear a Paróquia de São Francisco do Glória.
As inquietações do senhor Bispo, em pouco tempo, passou  ser também as mesmas inquietações de Padre Bruno. Dom João Batista Cavati, manifesta ao Padre Bruno, o seu desejo de organizar um grupo de catequistas para atender às necessidades da Diocese. Padre Bruno, tendo larga e realista visão das necessidades de sua paróquia, propôs ao Bispo a Fundação de um instituto.
Padre Bruno inicia o Instituto, com seis membros. Rosa da Silveira Costa, Maria Aparecida Santiago, Martha Costa, Germesina de Oliveira, Carmem Portes e Maria Geralda do Vale.
De 28 de janeiro a 24 de março de 1947, o grupo das seis se reunia na Casa Paroquial, todos os dias, para a Formação Inicial, que constava de oração, Celebração Eucarística, estudo, retiros formativos, iniciação à vida comunitária e juntos estabeleciam normas a seguir.
Para realizar sua grande aspiração, meditou e rezou muito. Buscou ajuda junto a um grande amigo e carismático, Padre Antônio Ribeiro Pinto, vigário de Urucânia, o grande devoto da Medalha Milagrosa. Sobretudo, rezou muito.  Era o servo orante, que dobrava os joelhos diante de uma realidade. Não estava ali somente como vigário da Paróquia. Ele tinha um lugar marcante na Igreja. Seria o Fundador. Sem abandonar e nem prejudicar os seus múltiplos trabalhos paroquiais, acompanhava e era presença constante na vida do pequeno grupo que no dia 24 de março de 1947 passa a viver em comunidade. E no dia 25 de março o pequeno grupo abraça sua primeiríssima missão: inaugura-se na Casa de Fundação, a Escola Nossa Senhora das Graças com internato e externato. Meninas sob a responsabilidade de Irmã Rosa Costa, no Instituto e meninos sob a direção de Padre Bruno, na casa paroquial.
O grupo dividia entre si as tarefas internas da casa, atendia à escola, administrando as aulas e dando assistência às alunas internas.
Aos poucos ia se organizando, se fortalecendo e solidificando através da oração, do silêncio, da obediência, do trabalho e da alegria. A seriedade do grupo, que apesar de bem jovem, era promissor
Padre Bruno, que tanto se inquietava com a urgência de missionárias, respirava-se aliviado, pois as jovens missionárias de dispunham a abraçar generosamente a evangelização.
A partir daí tudo começou. As primeiras Irmãs dedicaram-se intensamente ao ministério da catequese, criaram as escolas paroquiais onde acontecia a alfabetização de crianças e adultos e, ao mesmo tempo, a evangelização.
Paralelo ao trabalho missionário que as irmãs vinham realizando na Diocese surge a necessidade de Padre Bruno fazer uma experiência de Missão na diocese de Santa Maria e Pelotas, no Rio Grande do Sul, de 1951 a 1955. Foi um tempo marcado pela experiência  que muito contribuiu para a solidificação do Instituto.
Hoje com raízes bem profundas na Diocese de Caratinga, foi e é tão somente obra de Deus, instrumento precioso de apostolado e de missão.
 
O INSTITUTO NO RIO GRANDE DO SUL
 
Primeiramente o Instituto é convidado a trabalhar  em Caçapava do Sul (RS). Para lá, Padre Bruno envia duas missionárias, no dia 19 de setembro de 1951 e em outubro de 1951, este se dirige a Diocese de Santa Maria, Rio Grande do Sul, juntamente com outro grupo de Irmãs. Posteriormente, 1954, outras Irmãs seguiram também para o Sul, onde estiveram presentes nas seguintes cidades: Santa Maria, (sede da diocese), Pelotas, (sede da diocese), Lavras do Sul, Caçapava do Sul, Herval, Santana da Boa Vista, Santana do Livramento, Ibiaçá, Vacaria (sede da Diocese), Bagé (sede da Diocese), General Câmara, Piratini, Jaguarão, Mostarda, São João Nepomuceno, Porto Lucena, Tranqueiras, Rivera (Uruguai).
Os trabalhos eram: assistência a  Hospitais, onde trabalhavam como enfermeiras.   Asilo, creches, catequese com crianças e adultos; Assistência ao COP (Círculo Operário Pelotence), Instituição de amparo às crianças de rua; Aulas de datilografia; Gráfica,
Em maio de 1955, Padre Bruno deixou o Instituto Nossa Senhora das Graças sob a direção de Irmã Rosa da Silveira Costa e retornou para a Comunidade Salvatoriana em São Paulo e, em 1959, voltou para sua comunidade religiosa na Áustria, em sua terra de origem.
 
DE VOLTA A DIOCESE DE CARATINGA
 
Os desígnios de Deus são insondáveis e o Instituto, em fase de organização, sem a presença do fundador, sente-se impelido a procurar a diocese de origem na certeza de que iria, não sem sofrimento, continuar aberto ao apelo de Deus na missão para a qual fora fundado.
Retornou-se à diocese de Caratinga,  no dia 28 de agosto de 1955. Encontrando  em São Francisco do Glória a casa da fundação necessitada de reforma,  sem recursos para tal, e sem nenhuma perspectiva de ajuda, a única  alternativa foi buscar abrigo  junto a um grande amigo, Padre  Manoel Moreira de Abreu, que acolheu  o Instituto em sua Paróquia, (Vermelho Novo,)  no dia 30 de outubro de 1955. Construindo  juntamente com o povo a sua residência.
Em 31  de outubro   de 1956, D. João Batista Cavati renunciou a diocese ficando Mons. Aristides Marques da Rocha, vigário geral, como administrador diocesano . Este trouxe as Irmãs para Caratinga, tornando-se um grande amigo e benfeitor e assim que D. Eugênio José Eugênio Correia assumiu a diocese, em 12 de dezembro de 1958, viu o Instituto com os olhos do coração e interessou-se por ele, transferindo a sua sede para a cidade de Caratinga com o objetivo de um maior desenvolvimento cultural e uma assistência religiosa mais abrangente. Foi um tempo muito profícuo. O Instituto foi se organizando, as vocações se multiplicaram e a vida missionária foi conquistando espaço nas paróquias e escolas.
Em 1979, Dom Hélio Gonçalves Heleno como sucessor de D. José Eugênio Correia, assume a diocese e com ela, o Instituto com sua caminhada e com sua história. Fez-se grande amigo, deixando na memória do Instituto um marco indelével, quando empregou todos os esforços tornando-o Instituto Religioso de Direito Diocesano, com todos os direitos de vida consagrada que responde na sua estrutura os desafios dos tempos atuais, sendo aberto ao novo, respondendo aos apelos gritantes de uma capacitação maior para melhor servir.
Podemos afirmar que aquela pequena semente plantada em São Francisco do Glória, e, criando raízes em Caratinga foi e é tão somente obra de Deus, que aos poucos vai se solidificando a fim de que o Reino de Deus cresça através do testemunho de pessoas corajosas que doam suas vidas para que a missão aconteça.
 

Nossos Fundadores

Pe. Bruno Konrad List

Padre Bruno Konrado List nasceu em Wolfsberg no Schwarzantyal-Steimark, na Áustria aos 05 de abril de 1912. Seu nome de registro civil era Marcos Konrad  List. Era o 4º filho de João List e Maria Platzer. Família religiosa que ele considerava abençoada. Razão que explica o seu ser extremamente piedoso, e um verdadeiro adorador de Jesus sacramentado onde bem retrata em seu poema: “O PRISIONEIRO DE AMOR” Tão só meu Senhor desconhecido, busca-lo de manhã na eucaristia e a tarde no sacrário, vai meu coração, a cada instante, em cada pulsação dizer-lhe que  é constante pelos  que lhes não são.

Em 1924, já com seus 12 anos,  foi admitido no seminário diocesano em Graz, e aos 17 anos ingressou-se na Sociedade do Divino Salvador, popularmente conhecida como “Salvatorianos”, uma congregação religiosa, fundada em Roma em 1881, pelo Padre Francisco Maria da Cruz Jordan. Estudou filosofia e teologia na Alemanha. Aos 26 anos ordenou-se sacerdote., aos 17 de julho de 1938.

 Sua Inteligência era singular. Era um poliglota. Dominava o francês, alemão, português e espanhol. Adquiriu o título de Doutor em Direito canônico e teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma.

Dentre as várias atividades exercidas nos dois primeiros anos de sacerdote,  atividades de curto prazo, destaca-se a função de capelão da Basílica Vaticana e deixou registrado, também o período em que se instaurou a II Guerra Mundial. Neste período exerceu seu ministério muitas vezes entre a vida e a morte como capelão militar. Em meio a muito sofrimento tudo venceu, porém com grandes problemas de saúde.

Em 1940 foi enviado em missão no Brasil, São Paulo, residindo em Indianópolis, onde atuou como professor de Direito Canônico, Sociologias, História da Arte, Exegese do Antigo Testamento, Hebraico e Teologia Moral, no Seminário Salvatoriano. A vida e a missão de Padre Bruno Konrad List foi uma dádiva para a Igreja. Era um missionário destemido e alegria constante, contagiava a todos que dele se aproximasse. Chegou a receber o apelido de Padre Coragem.

Deus serviu deste homem para iniciar uma obra humilde e pobre, e de grande valor. Assumiu com ousadia e coragem o risco e a responsabilidade de fundar o Instituto das Missionárias de Nossa Senhora das Graças, para acudir a carência da cultura religiosa.

É muito gratificante analisar, pesar a experiência da Fé, da Coragem e da Caridade de Padre Bruno. No curto espaço de tempo, 07 anos de fundador, foi uma Igreja em saída, deixando uma família religiosa, com um carisma que se faz serviço, se faz entrega e doação na Evangelização e na Catequese, que se coloca à disposição de estar  junto ao povo de Deus em constante missão, projetando com o testemunho de vida o Evangelho.

É bom reconhecer que na primeira fase da historia de vida de nosso fundador, com que audácia enfrentou os desafios daquele tempo sofrido, ofereceu ao Instituto um testemunho coerente de verdadeira santidade nas mais diversas condições de missão, de trabalho, habitação e inserção na vida do povo, nos mais frágeis e sofredores.

Era um apaixonado por Maria, usava sempre em suas pregações o belo pensamento: “Semeia Maria e Cristo florescerá”. Assim viveu e amparado por Jesus e Maria,  fez sua páscoa no dia 07 de dezembro de 1977. “A luz que ilumina o rebanho é a chama que devora o pastor”  (São Gregório Magno)

 
Irmã Rosa da Silveira Costa

Irmã Rosa da Silveira Costa é a cofundadora e primeira superiora geral do Instituto das Missionárias de Nossa Senhora das Graças. Foi a primeira dos 13 filhos de Luiz Dias Costa e Maria da Conceição Silveira Martins, família santa e piedosa. Nasceu em 18 de janeiro de 1923 em São Francisco do Glória e faleceu no dia 28 de abril de 1991, em Caratinga (MG).
Chama-nos atenção a entrega generosa de sua vida a Deus para dedicá-la aos irmãos.  O Senhor aceitou a oferta e a tomou para si. Apesar de mostrar, desde muito cedo, vocação para a vida consagrada, só aos 24 anos de idade, em 1947 iniciou sua formação religiosa e 18 de janeiro de 1950 emitiu os votos perpétuos.
Era de uma personalidade marcante: inteligente, religiosa de comprovadas virtudes. Em todo o percurso de sua vida consagrada, ela evangelizou por meio de seus trabalhos e testemunho de vida.
Na casa onde residia juntamente com mais seis companheiras funcionava uma escola paroquial. E ela desempenhava com todo carinho a missão de educadora. Ela soube tornar-se amiga, confidente e mãe de seus  alunos.
Tudo que fazia era por causa de seu ser consagrada, portanto, era tudo muito perfeito. Quando ensinava, quando catequizava, quando estava com o povo e quando estava com a comunidade, Irmã Rosa não era simplesmente professora, catequista existia nela Algo Mais.. sua identidade de religiosa consagrada.Todos percebiam que se tratava de uma pessoa totalmente entregue a Deus, pois, cultivava bondade e sabia espalhar paz e alegria ao redor de si. Era uma pessoa orante, testada pelo bom relacionamento com as pessoas com as quais convivia.
 
Exerceu a função de superiora geral do Instituto das Missionárias de Nossa Senhora das Graças, por 44 anos. Sempre atenta às necessidades de cada Irmã. Simples e afável com todas, estava sempre disponível para escutar, aconselhar, orientar e acompanhar. Vivia a mística de Santa Terezinha sob um sorriso ocultava os dissabores. Suas palavras impunha respeito e veneração e, através de sua atitude, sua convicção, as irmãs sentiam-se orientadas e revigoradas na caminhada vocacional. Foi uma religiosa que cultivou a bela virtude da caridade e a vida de oração, tinha grande amor a Eucaristia. Observou com rigor os  Conselhos Evangélico assumidos por causa do Reino. Tinha muito amor ao Instituto, havia muita preocupação com a formação permanente das Irmãs para que respondessem melhor às exigências da missão. Preocupava-se com a formação a todos os níveis: humana, espiritual e acadêmica. Estimulava as Irmãs a prosseguirem na caminhada, através da vivência do compromisso com a Consagração Religiosa e Missão.
Era bastante enérgica e, ao mesmo tempo muito caridosa. Durante os 44 anos governou o Instituto, com muita habilidade. Ela fez o Instituto crescer pelo amor numa doação total. Transmitia às Irmãs a riqueza interior de sua fé, testemunhava com seu modo de ser, pura e transparente, a presença de Deus.
 
Em 1987, Irmã Rosa adoece gravemente e carrega a cruz do sofrimento. Foram quatro anos de intenso sofrimento. Aceitou tudo com paciência, no silêncio e na oblação. Dizia que: “diante do amor de Deus para conosco e da brevidade da vida, o sofrimento unido a Cristo, contribui para a redenção do mundo”. Na madrugada do dia 28 de abril de 1991, eternizou sua vida em Deus. Sua vida foi um livro aberto de virtude, de amor a Deus e à igreja de Jesus Cristo.