E se, purificarmos o vírus do pecado?

Muitas vezes nos esquecemos de que somos viajantes rumo à eternidade, e procuramos instalar-nos na vida presente como se ela devesse durar para sempre. Assemelhamo-nos a esses viajantes que se instalam nos grandes trens internacionais onde se dorme e se faz refeições, como em um hotel; eles se esquecem às vezes de que estão em viagem; e depois olham pela janela do vagão, veem a paisagem que passa, percebem que algumas pessoas desembarcam, e se dão conta de que eles também logo chegarão ao seu termo. A vida presente é como um desses trens, onde se esquece de que se está em viagem, e então algumas pessoas descem, isto é, morrem, e isso nos lembra de que também nós iremos descer; mas, ainda que vejamos muitas pessoas morrerem, não chegamos a “realizar”, como dizem os ingleses, que um dia nossa vez chegará. Vivamos, ao contrário, com os olhos fixos no termo da viagem, e assim não perderemos o tempo que nos é dado, e este se tornará para nós cada vez mais repleto de méritos para a eternidade.
Em tempos de pandemia, lutemos contra a vírus do pecado em nós. Purifiquemo-nos em nossas casas, com orações, como nas primeiras comunidades. Estamos vendo a morte mais de perto nesses dias, mas tenhamos esperança na eternidade.
Contudo, a perseverança final ou a graça da boa morte pode ser obtidada por uma oração humilde, confiante, cotidiana. É por isso que a Igreja nos convida a dizer todos os dias, com fervor, na segunda parte da Ave-Maria: “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém.” A oração, aqui, vai mais longe que o mérito, dirigindo-se, não a Justiça Divina, mas à infinita Misericórdia. Nunca te esqueças das Ave-Marias. Avante. Lutemos contra este vírus maior, o pecado em nós, que nos atrapalha fazermos a experiência da graça de Deus em nossas vidas. A alma que progride conhece melhor sua miséria, por compreender melhor a grandeza de Deus.

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Evandro Pádua