“Deem continuidade ao meu legado, de forma responsável e verdadeira!”- Monsenhor Raul

54ºDMCS- Monsenhor Raul concede entrevista a Pascom e relata trajetória da comunicação em nossa diocese.

Entrevista  PASCOM com Monsenhor Raul

A Comunicação no início

Antes de passar à Entrevista, desejo falar uma palavra sobre a Comunicação no início da nossa Diocese.

Dom Silvério Gomes Pimenta, Arcebispo de Mariana, administrando também a recém-criada Diocese de Caratinga (15/12/1915), nomeia o Cônego Aristides Marques de Rocha para Vigário Forâneo de Caratinga, no dia 19 de fevereiro de 1919, encarregando-o de preparar a nova Diocese, para a sua instalação e a posse de seu primeiro bispo. Aqui chegando, conhecendo o valor da comunicação, Cônego Aristides Rocha começou logo a escrever para o jornal “Renascença” e, logo depois, fundou o semanário católico “O Missionário” (1º/6/1019), com duas fases: 1919 a 1920 e 1927 a 1932. Publicou ainda dois números comemorativos: 1938 e 1966. O Arquivo Diocesano de Caratinga possui o total de 209 edições do jornal “O Missionário”, preciosa fonte de pesquisas para a nossa História. Passemos agora à Entrevista.

  1. LEONARDO: É certo que a segunda metade do século XX significou, sob o impulso do Concílio Vaticano II, o avançar da Igreja na dinâmica de evangelização tecnológica. Objetivamente, como se deu esse movimento dentro da Diocese de Caratinga?

Mons. Raul: Caratinga foi uma diocese privilegiada. Ainda antes do Concílio, aos 12 de dezembro de 1957, chegou à nossa Diocese Dom José Eugênio Corrêa, um Bispo jovem, 44 anos de idade, com formação cultural superior (formado em Roma), com grande experiência pastoral (fora pároco 10 anos em Rio Preto, Diocese de Juiz de Fora), cheio de entusiasmo pastoral. Seu primeiro ato, como Bispo Diocesano, foi reunir o clero (13/12/1957) e anunciar o início do Seminário Diocesano, em março de 1958, no próprio Palácio Episcopal. Era o grande anseio da nossa Diocese!

Já com grande experiência jornalística em Juiz de Fora, começa, imediatamente, a escrever, toda semana, nos dois jornais que tínhamos, em Caratinga: “O Município” (do Leonel Fontoura, no seu 30º ano de publicação) e “Caratinga” (nosso principal jornal da época, do Augusto Ferreira Neto). Além disso, no dia 20 de janeiro de 1958, Dom Corrêa lançou o jornal “Diretrizes”, para atingir toda a Diocese.

Seus 22 artigos em “O Município” eram de formação. Por ocasião de seu Jubileu Sacerdotal de Diamante (26/10/2001), reuni estes artigos e a FUNEC publicou em um livro “Lições para Pais e Filhos”, 96 páginas, impresso pela Editora Ana Pontes, Caratinga, MG.

Dom Corrêa começou logo, no jornal “Caratinga” (26/01/1958), a coluna semanal, “Verdade e Vida”, que manteve até 1962, onde dava formação religiosa, reflexão bíblica e notícias do que ia acontecendo na Diocese. E também iniciou o jornal “Diretrizes”.

Ainda antes do Concílio, Dom Corrêa incentivou um grupo de Leigos a fundar em Caratinga a “Boa Imprensa”, que abriu aqui uma livraria católica e uma tipografia.

  1. EVANDRO: Hoje, com o avanço da tecnologia e informações instantâneas do mundo, com os celulares e internet na palma de nossas mãos, o acesso às notícias e demais informações é, para maior parte da população, praticamente parte integrante do dia a dia, com agilidade e eficácia. Contudo, sabemos que outrora, as informações demoravam dias ou até semanas para chegarem às pessoas. No início da caminhada da diocese, qual era a maior dificuldade na transmissão de informações para todos da nossa Igreja particular, desde o clero até às pessoas mais simples nos cantinhos rurais?

Mons. Raul: Quando Dom Corrêa chegou à nossa Diocese, as informações ocorriam mais era através de rádios, jornais, revistas e cartas. Por isso, este empenho de Dom Corrêa de se utilizar dos jornais que havia em Caratinga e, principalmente, do jornal “Diretrizes”, lançado por ele, aos 20 de janeiro de 1958. Não era jornal periódico, mas temático. Era uma nova modalidade das “Cartas Pastorais”, em voga até então. Diretrizes Nº 1, Catequese (Programa de ensino religioso para toda a Diocese); Diretrizes Nº 2, Política; Diretrizes Nº 3: Conferências Religiosas Populares (Reuniões semanais em grupos de famílias vizinhas, para estudarem a Religião); Diretrizes Nº 4: Vida Cristã, o Sacramento da Crisma e um Resumo do Catecismo em 50 Perguntas e Respostas, para preparação à primeira Eucaristia, Crisma e Casamento. Este número teve muitas tiragens, atingindo mais de 50 mil exemplares.

Dom Corrêa participou de todas as sessões do Concílio Vaticano II (1962-1965). Na 2ª sessão, foi promulgada a Constituição “Sacrosanctum Concílium” (04-12-1963). Em obediência ao seu Artigo 46, Dom Corrêa formou logo, aos 08/08/1964, a Comissão Litúrgica da Diocese de Caratinga: “Nomeamos para membros da referida comissão: Pe. Raul Motta de Oliveira (Presidente), Pe. Roque Colombo, SSS, Pe. Pascoal Rangel, SDN, Frei Arcanjo Ruzzi, OCD, Pe. Geraldo Majela do Carmo, Pe. Othon Fernandes Loures, Frei Carlos de São José, OCD, Pe. João Theodoro Beentjes, Pe. Anselmo Mattos Cerqueira, SDN, Irmã Maria da Imaculada Conceição, Irmã Maria de Santa Esperança, Profª Dª Rita Moreira, Prof. Jair Fortunato e Prof. Jairo Grossi.”

Na primeira reunião desta Comissão, aos 12 de agosto, vimos a necessidade de um órgão de comunicação, para que as orientações do Concílio pudessem atingir toda a Diocese e, com a permissão e a bênção de Dom Corrêa, iniciamos a 2ª Fase do jornal “Diretrizes”, como “Órgão da Comissão de Liturgia”, com o seu número 5, dia 15 de setembro de 1964. Inicialmente quinzenal, depois mensal. Impresso na Tipografia da Boa Imprensa.

  1. VICTOR: Assim, a partir de seu quinto número, “com as bênçãos de Dom Corrêa”, “Diretrizes” passou a ser um jornal periódico, através do qual a Comissão atingiria toda a Diocese de Caratinga, para tratar de vários temas ligados à Igreja e, principalmente, a Renovação Litúrgica”. Nesta perspectiva: Como foi a divulgação e aceitação inicial do povo a este novo veículo de comunicação e a este novo jeito de ser Igreja?

Mons. Raul: Como falei atrás, iniciamos a fase periódica, durante o Concílio Vaticano II, entre a 2ª e a 3ª Sessão. 2ª FASE DO JORNAL “DIRETRIZES”. Este “Diretrizes” nº 5 trouxe várias novidades para o povo católico, por exemplo, as “Preces da Comunidade” e as partes do “Comentador”. Ninguém as conhecia. Pe. Colombo conseguiu um livro de liturgia novíssimo, em italiano, com muitos modelos de comentários de missa. Embarcamos nele. O primeiro número de “Diretrizes”, nesta nova fase, o número 5, além das “Cerimônias da Missa em Português”, a matéria principal, ou seja, um cerimonial da Missa quase toda em vernáculo (o Cânon ainda era em Latim), já trouxe a coluna do Comentador para dois domingos. E o segundo, 15 de setembro, trouxe a “Prece Litânica”, ou seja, as “Preces da Comunidade”. Começamos também, neste nº 6, uma coluna do Frei Carlos, com notícias do Concílio. E o número de 15 de outubro (8), já começou com o “Suplemento Musical”, ou seja, cada número vinha com um cântico novo, com a letra no jornal e a música em uma folha anexa, para as comunidades aprenderem.

Nessa época, “O Domingo” dos Paulinos, era ainda um jornalzinho semanal, apenas com artigos religiosos e notícias da Igreja. O jornal “Diretrizes” de Caratinga, com as colunas do Comentador da Missa, se espalhou logo pelo Brasil inteiro. Chegou a virar provérbio entre os padres: “Isso está em todas as Paróquias, como as ‘Diretrizes’ de Caratinga”.

  1. ELIAS EDUARDO: Em um trecho de sua Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais – 2020, o Papa Francisco diz: “Penso que precisamos de respirar a verdade das histórias boas: histórias que edifiquem, e não as que destruam”. Diante dessa ideia, poderíamos perguntar ao senhor sobre os momentos mais difíceis que a comunicação da diocese passou. Porém, mais importante do que as adversidades, são os resultados dos avanços. Quais foram os momentos mais importantes, as histórias que edificaram os meios de comunicação da nossa diocese?

Mons. Raul: Antes de responder-lhe, vou abrir um parêntese: Quando jovem, eu fui tipógrafo. Comecei em Inhapim (1943 a 1945). Neste ano, a tipografia (Gráfica Irmãos Chaves) foi vendida para o Padre Geraldo Guabiroba, diretor do Ginásio Ibituruna, em Governador Valadares, que desejava iniciar ali um jornal católico, a “Voz do Rio Doce”. Eu fui no mesmo caminhão que levava a tipografia. Tinha 16 anos de idade. Trabalhei, fazendo esse jornal semanal, durante três anos. Até entrar para o Seminário, em 1948. Fechando parêntese.

Em 1964, eu era Reitor do Seminário, que funcionava na Rua da Cadeia (Rua Coronel Antônio Saturnino), onde hoje é a Casa Central das Irmãs Gracianas. Houve meses em que o nosso jornal “Diretrizes” não pôde circular, por causa da tipografia estar com muitos serviços. Aquilo me aborrecia. Tentei até iniciar uma tipografia lá no Seminário. Ganhei algumas caixas e uns tipos velhos e comecei a desempastelá-los, quer dizer, separar os tipos, que estavam todos misturados. Mas e a impressora? E a guilhotina? Os componedores? Tanta coisa mais de que se precisava! …. Não deu.

Aconteceu então um fato providencial: Em meados de 1965, eu já residindo no Seminário novo, havendo acabado a firma “Boa Imprensa”, a Diocese recebe a Tipografia, como pagamento pelas ações que tinha nessa firma. E Dom Corrêa a colocou no Seminário, sob minha responsabilidade. Pusemos nela o nome de “Gráfica Dom Carloto”, em homenagem ao primeiro bispo de Caratinga.

No Seminário Nossa Senhora do Rosário, já no prédio novo, fui, então, ensinar a minha profissão de tipógrafo aos seminaristas que desejassem e a outros rapazes da vizinhança. E o jornal “Diretrizes” passou a ser impresso no Seminário.

Nessa época (1965), começamos igualmente com a “Livraria Dom Carloto”, também no Seminário, com a função de fornecer livros para as Paróquias, especialmente Bíblias, e cuidar das assinaturas e remessas do jornal “Diretrizes”.

Em 1º-05-1967, fizemos uma mudança importante no jornal “Diretrizes”: Após esclarecimentos aos leitores e assinantes, em vez de publicar as colunas do Comentador da Missa (“O Lutador” e o “Lar Católico” já haviam começado a publicá-los), passamos a dar assistência ao CULTO DOMINICAL, lançando o livrinho do “Culto Dominical” e publicando em cada número os Textos Variáveis do Culto Dominical, privilegiando o nosso povo da zona rural. Por muito tempo, o próprio Dom Corrêa escreveu as Mensagens de cada domingo.

3ª FASE (1968-1988): “DIRETRIZES”, ÓRGÃO DA COORDENAÇÃO PASTORAL DIOCESANA. Dia 1º de setembro de 1968, o jornal “Diretrizes” (Nº 91), amplia oficialmente suas funções, que, na prática, já acontecia: deixa de ser apenas da Comissão Diocesana de Liturgia, passando a “Órgão da Coordenação Pastoral da Diocese de Caratinga”. Continua com o Suplemento do “Culto Dominical”; e, no nº 140 (1º/12/1970), dá um passo para os Grupos de Reflexão, introduzindo-se nele toda semana as Perguntas para os Grupos.

IMPRESSÃO EM OFF-SET. Nº 193 (1º/3/1973): Foi uma grande novidade. A Gráfica Editora Dom Carloto adquiriu um laboratório de fotolito e uma impressora offset “Multilit 2066”, já usados. A composição era feita em IBM, com 9 tipos ou esferas diferentes. Aguentamos só até dezembro (Nº 209-211). Sem um bom impressor, a máquina enguiçava muito. Havia um desperdício enorme de papel. Adquirimos, então, uma “Multilit 1250”, tamanho menor (Ofício) e, com ela, continuamos a imprimir o Suplemento “Culto Dominical”. Em 1974, voltamos à composição tipográfica. O jornal Diretrizes era impresso na máquina tipográfica e o Suplemento Culto Dominical na “Multilit 1250”.

ROTEIRO PARA O CULTO DOMINICAL E GRUPOS DE REFLEXÃO. Foi outra guinada. Nº 260 (15/1/1976). O Suplemento de Diretrizes tem agora este novo título. São publicados estes folhetos do Culto até 24/4/1977. Explicamos, então, aos assinantes que já havia no Brasil dois jornais muito bons, especialmente para o Culto Dominical: O DOMINGO dos Paulinos e o DEUS CONOSCO dos Redentoristas. Enviamos os endereços de todos os nossos assinantes para estes dois jornais. E passamos a nos dedicar somente aos Grupos de Reflexão.

Assim com o número 285 (15/1/1977), iniciamos o ROTEIRO PARA OS GRUPOS DE REFLEXÃO, ainda publicado nas páginas internas de “Diretrizes”. Composição e impressão tipográficas. E, no nº 355 (1º/1/1980), demos início ao ROTEIRO PARA OS GRUPOS DE REFLEXÃO, EM CADERNOS, como temos até hoje. O Caderno nº 0 (experiência) foi de março de 1980; e o Caderno nº 1, abril 1980. A composição era nas máquinas eletrônicas IBM e os títulos na tipografia.

4ª FASE (1988 até hoje): “DIRETRIZES” – REVISTA DA DIOCESE DE CARATINGA.

  1. A) Trazendo o Nº 564-565 e a data de setembro/outubro de 1988, iniciamos, muito timidamente, com “Diretrizes” em formato de Revista. Os textos eram datilografados em máquinas eletrônicas IBM e, depois, Olivetti. Impressão em offset, na “Multilit 1250”.
  2. B) Nº 611-612, agosto e setembro de 1992: Diretrizes composta em computador! Era o IV Plano de Pastoral da Diocese de Caratinga de 1993-1996. Entramos na era da informática.
  3. C) Logo após a posse de Dom Emanuel Messias de Oliveira, como nosso 6º Bispo Diocesano (20/05/2011), a Revista “Diretrizes” (Nº 838, julho/2011) começa a publicação de seus apreciados “Comentários Homiléticos”.
  4. D) A Revista “DIRETRIZES”, abrindo o Ano Centenário da Diocese de Caratinga, em junho de 2015, no seu nº 885, cresceu em tamanho: é publicada, desde então, em seu formato atual, semelhante às melhores revistas do mundo inteiro! Iniciada como um pequeno jornal por Dom José Eugênio Corrêa, no longínquo 1958, após ter passado por um longo processo gráfico, evoluiu imensamente e, com belíssima apresentação, tem saído, mensalmente, em edições de 40 páginas, toda em policromia. Um brinco!

Depois deste minucioso relatório da vida da nossa Revista “Diretrizes”, não precisa falar mais nada sobre sua importância para a nossa Diocese. Traz sempre a Palavra do Papa, a mensagem do Bispo, reportagens e notícias sobre a Diocese de Caratinga, sobre as Paróquias e sobre toda a Igreja. Páginas de formação: Estudos Bíblicos, Pastoral, Catequese, Liturgia, Direito Canônico, Comentários Homiléticos. Traz sempre o Calendário Presbiteral e o Calendário Pastoral do mês.

Em tempos diferentes, a Revista mantém o objetivo do seu fundador que é de formar e informar, com temas religiosos atuais e fatos da vida da Igreja e da Diocese de Caratinga, sendo assim um veículo que favorece a atualização das Comunidades. É uma revista indispensável para todas as Famílias católicas da Diocese de Caratinga.

Em fevereiro de 2012, deixei a função de Diretor-redator da Revista “Diretrizes”. Mas, quase completando 91 anos de idade (junho), além de Diretor do Arquivo Diocesano de Caratinga, continuo ajudando na confecção do Calendário Presbiteral e na correção da revista. Sou também ainda o coordenador da Equipe do Roteiro.

Encerrando esta longa lembrança de todo o nosso trabalho na Pastoral da Comunicação de nossa Diocese, posso dizer-lhe: só Deus sabe o quanto me dediquei à “Diretrizes” e ao seu suplemento “Roteiro para os Grupos de Reflexão”, em todo esse período: Noites e noites em claro, trabalhando na Gráfica ou escrevendo em casa. Ou, quando pároco da Catedral, dias inteiros isolado junto à torre da Embratel, (antes de haver os celulares), refletindo e redigindo o Roteiro. Fui Diretor-Redator do jornal e, depois, revista “Diretrizes”, desde setembro de 1964 (nº 5) até janeiro de 2012 (nº 844), ou seja, 48 anos e 4 meses! “Só a Deus, toda honra e toda glória! ” (1Tm 1, 17). Amém!

Desculpe-me, Elias, por me ter alongado tanto nesta minha resposta a você.

 

  1. MÁRCIO: Aquele que comunica coloca um pouco de si no que revela. Nossa Igreja diocesana leva a sério essa realidade da Comunicação, principalmente na exploração das novas tecnologias. O senhor poderia elencar meios de ação para fazer a Comunicação em nossa diocese cada vez mais humanitária e próxima das pessoas, fugindo, assim, da frieza do teclado/tela?

 

Mons. Raul: Não teria como elencar meio maior do que a comunicação pelo amor e pela verdade, e isso nossa Diocese vem mostrando que está preparada para trabalhar desta forma. Prova disso é a grande habilidade que todas as Paróquias desenvolveram para levar a Palavra de Deus e a celebração da Eucaristia, em tempos de igrejas de portas fechadas, até aos mais distantes lares, durante esta quarentena por causa do COVID 19. Está sendo a máxima expressão de amor e de comunicação da verdade em nossa Diocese.

Acredito que desafios enfrentamos até hoje, mas a implantação, a adaptação e a aceitação dos meios, tanto da Revista Diretrizes quanto dos sites e novos veículos, são as partes mais desafiadoras de qualquer investimento em comunicação. No caso da Revista Diretrizes todas as fases do início foram bem desenvolvidas. Ela contou e continua contando as histórias desta diocese desde 1958. Hoje o nosso maior desafio é mantê-la ativa em tempos de informações rápidas.

  1. EMANUEL: Em sua mensagem para 54° Dia Mundial das Comunicações, o Papa Francisco afirma que o homem tem fome de histórias, o que o torna um ente narrador. Levando em conta que as narrativas nos marcam, qual é a importância da fotografia ao contar a trajetória de nossa Diocese?

Mons. Raul: Não é de hoje que o amor pelas fotos existe na minha vida. Com 17 anos de idade, quando eu residia em Governador Valadares e trabalhava de tipógrafo (gráfico), comprei minha primeira câmara fotográfica. Tenho ainda algumas fotos batidas com essa máquina, em 1946 e 1947. Em 1948, fui para o Seminário de Mariana. Além das despesas com roupas, livros, mesmo com a OVS (Obra das Vocações Sacerdotais) ajudando a metade da pensão, e minha família pagando, com dificuldade, a outra metade, precisei vender muita coisa, para comprar as roupas e livros necessários. A primeira coisa que vendi foi a máquina fotográfica; depois uma coleção de moedas e notas antigas e vários objetos que podiam render algum dinheiro.

Só depois de cinco anos de padre, em 1963, é que consegui comprar outra máquina fotográfica. Daí pra cá, não parei mais. A foto faz parte da minha vocação de jornalista e arquivista. Agora, mesmo aposentado, ainda tenho a função de Diretor do Arquivo Diocesano de Caratinga.

A foto eterniza as passagens importantes da nossa vida, das pessoas com quem temos amizade, os eventos da Família, do Seminário, da Paróquia, da Diocese, etc. Todas essas fotos, são milhares, que já pertencem ao Arquivo Diocesano, constituem um verdadeiro tesouro, para a história da nossa Diocese e de toda a Igreja.

Ultimamente, com os celulares, tirar foto ficou mais fácil. Não precisa mais economizar filme. Todo mundo bate fotos à vontade. Mas ainda não aposentei de todo minha câmara fotográfica. De vez em quando, especialmente nas Ordenações, nos encontros, em algumas celebrações, lá estou eu ainda tirando retratos para deixar essa bela história registrada.

 

 

  1. GICÉLIA: A mensagem do Papa Francisco para o 54° Dia Mundial das Comunicações Sociais, intitulada «“Para que possas contar e fixar na memória” (Ex 10, 2). A vida faz-se história», nos convida a olharmos para o nosso cotidiano através dos olhos de Deus, para que, enquanto narradores, possamos tecer e documentar a nossa história por uma ótica de ternura, de redenção, de amor e fraternidade. O Santo Padre nos lembra, ainda, que a história de Jesus Cristo está intimamente ligada à nossa história diária. A trajetória do senhor em nossa diocese é exemplo vivo dessa perspectiva do Santo Padre, o Papa Francisco. Ao ler tudo o que o senhor nos deixa registrado, percebemos que sua maior alegria é COMUNICAR CRISTO. O que o senhor tem a dizer às gerações futuras, quanto ao serviço de entrega à comunicação do VERBO? Mais especificamente, aos agentes da Pascom (Pastoral da Comunicação)?

Mons. Raul: Aos agentes da Pascom digo que continuem firmes no propósito de anunciar o Verbo. Sejam santas e santos! E comuniquem sempre, sem hesitar, a verdade! Registrem, comuniquem, narrem essa bela história de um Deus maravilhoso, que é capaz de dar a vida por todos nós. Deem continuidade ao meu legado, nesta Diocese, de forma responsável e verdadeira!

  1. JARBAS: Desde sua origem, a “Revista Diretrizes” é um dos grandes veículos de comunicação da Diocese de Caratinga. Qual mensagem o senhor gostaria de deixar aos leitores desta revista, tão amada pelo senhor?

Mons. Raul:  A vocês, caros leitores e leitoras da revista “Diretrizes”, que tiveram a paciência de acompanhar-nos nesta Entrevista, este é o meu pedido: Sejam todos santos e santas! E rezem a Jesus por mim! Rezem também pelas vocações sacerdotais e religiosas! Deixo-lhes aqui a minha bênção sacerdotal, para você, sua Família, sua Comunidade. Deus os abençoe abundantemente! Em Jesus e Maria! Amém.