Corona Vírus: fragilidade humana e caminho de esperança.

Na atualidade o mundo experimenta uma época de acontecimentos complexos. Pensemos na pandemia Covid-19 que interpela a todos, que sejam cristãos ou não-cristãos a uma reflexão sobre o sentido da existência.  As relações humanas exigem uma nova perspectiva: distanciamento, cuidado pessoal e coletivo, bem como adequadas disciplinas. Muitas pessoas compreendem os sinais vigentes como “cumprimento das profecias” e “o tempo apocalíptico”. Essas pessoas vislumbram uma maneira que Deus dá a conhecer sua mensagem reveladora (cfr. Ap 1,1) através de fenômenos misteriosos para implantar seu Reino entre os homens (11, 15). Frente ao supramencionado, são pertinentes as perguntas: Será que todas as interpretações estão certas? Como o ser humano deve ler os sinais dos tempos segundo a perspectiva do mistério Revelado, ou seja, Jesus Cristo?

O itinerário evangelizador de Jesus Cristo marcou uma nova forma de relação na busca de instituir e estabelecer um mundo inclusivo. Basta observar sua relação com os mais pobres e marginalizados de diversas índoles (cfr. Lc 6, 20-22). Trata-se de uma mensagem de esperança para os excluídos. Tanto no tempo de Jesus, como também hoje século XXI, são indiferentes frente a dor e clamores dos pobres. Eles são descartados diante da sociedade, havendo poucas preocupações em melhorar a qualidade de vida dos mais frágeis. Estes aspectos evidenciam a exigência de uma nova relação com a natureza.  Nesta perspectiva, o Papa Francisco exorta em sua encíclica evangelii Gaudium, não só aos cristãos, como também a todos os seres humanos a desenvolverem um cuidado especial pela casa comum, aprofundando assim na Ecologia Integral.

O Covid-19 interpela aos seres humanos sobre o modo em que se relacionam consigo mesmo, com o próximo, com a natureza e com Deus, sobretudo em momentos de integração humana: momentos de festas, partilhas, celebrações, etc. Existe realmente harmonia com todas as classes, especialmente com os marginalizados?  É possível dizer que esta pandemia mostra que existe uma só raça, a humana? Sim, não existe classe o status social, ou ser humano melhor que outro. O que existe é a classe humana, muito frágil em sua caminhada existencial. Todos estamos no mesmo barco (pobre, rico, classe média…). De fato, as iniciativas de (Stay at home: fiquem em casa), fechar as fronteiras a nível mundial, cancelar todas as atividades socias, culturais e religiosas podem estimular situações adversas, tais como, insegurança, medo, pânico, entre outros sentimentos paralisantes.

Essa pandemia pode ser lida como uma mensagem de sensibilidade social numa época propícia para fortalecer a humanidade e o sentido patriótico entre as nações, buscando o bem estar de todos.  É uma época favorável para discernir e refletir sobre a possiblidade de criar novas relações humanas fundamentadas na compaixão, na igualdade e no amor; procurando superar a injustiça, a indiferença e a negação do domínio próprio.

Finalmente, sensibilizados pelas recomendações das autoridades de saúde, do Estado e da Igreja para cuidar-nos mutuamente, o convite é para que permaneçamos firme na fé e na esperança. Assim, caminhemos na Luz de Cristo, acreditando sempre no amor, na misericórdia e na compaixão para com o mundo, afim de afrontar essa pandemia.

  Ir. Elibien Joseph, SSS