CLERO DE CARATINGA SE REÚNE EM SIMONÉSIA E PUBLICA CARTA A TODO O POVO DE DEUS

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Na manhã da última quarta-feira, 04, a convite de Dom Emanuel, o clero diocesano e religioso de Caratinga reuniu-se em caráter extraordinário, pela primeira vez em 2020. Estiveram presentes mais de 70 clérigos, entre padres e diáconos de nossa Diocese.

O encontro aconteceu em Simonésia e teve como principal pauta a reflexão acerca da morte com o Pe. Adriano, com ênfase em seu legado de testemunho cristão e sacerdotal.

Na oportunidade, Dom Emanuel dirigiu palavras paternais de encorajamento aos padres. Também lhes orientou quanto aos cuidados a serem considerados nestes tempos difíceis.

Ao final, após a Santa Missa pelo descanso eterno do Pe. Adriano, o clero assinou a Carta ao Povo de Deus, referente a todo o ocorrido recente, numa mensagem de fé e esperança na Vida Eterna.

Segue abaixo a carta na íntegra:

 

CARTA AO POVO DE DEUS

“A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna” (Jo 6,68).

Nós, Bispo, Padres e Diáconos, membros do Clero Diocesano e Religioso desta Diocese de Caratinga, MG, reunidos na Paróquia São Simão, em Simonésia, MG, neste dia 04 de novembro de 2020, decidimos manifestar-nos publicamente, em comunhão de fé, esperança e caridade, frente ao fato ocorrido em nossa Diocese nesse último mês.

A morte violenta de nosso irmão, Padre Adriano da Silva Barros, amplamente divulgada em circuitos de comunicação nacionais e até internacionais, deixou-nos todos perplexos e profundamente sensibilizados. Não somente a nós, ministros ordenados, mas também a todo o nosso povo, quer desta Igreja Particular de Caratinga, quer de tantas outras pelo Brasil e pelo mundo.

A razão não poderia ser outra. A brutalidade covarde de que foi vítima esse nosso irmão Sacerdote, ordenado presbítero apenas pouco mais de cinco meses antes de sua morte, choca por representar o grave nível de degradação moral e humana da qual padece nossa sociedade, imersa numa cultura de morte que destrói vidas e traz sofrimentos e traumas inexprimíveis.

Diante dessa realidade, por esta carta, como Igreja Diocesana de Caratinga, inspirados em nosso Padroeiro, São João Batista, queremos manifestar, com expressa veemência, nosso absoluto repúdio à violência crescente em nosso meio, em suas mais diversas incidências, como também externar nossa proximidade espiritual a todos que também são vítimas das consequências diretas desta delinquência voraz que parece sem fim.

Seguidores de Jesus Cristo, violentamente morto, mas, sobretudo, ressuscitado e glorioso no Espírito Santo, professamos a fé na Vida Eterna, promessa de salvação, ofertando ao Pai o testemunho espiritual de nosso irmão, Padre Adriano, a fim de que contemple, pela misericórdia divina, a glória do Céu, assegurada aos que lhe guardam fidelidade.

A exemplo de nosso Mestre e Rei, que perdoou seus malfeitores ainda no alto da cruz, expressamos, por nossa voz, o perdão genuíno aos responsáveis por esse mal imposto ao nosso irmão Presbítero, intercedendo-lhes a conversão dos corações, para que, cumprindo a necessária reparação estabelecida pela justiça dos homens, busquem reconciliar-se com o Senhor, Juiz manso e misericordioso, em vista de uma vida nova, à luz do Evangelho da Paz.

Em nome também dos familiares do Padre Adriano, afirmamos nossa gratidão sincera às numerosas expressões de solidariedade, vindas de tantos lugares, trazendo mais esperança aos nossos corações. Manifestamos também nosso reconhecimento ao trabalho das autoridades policiais, civis e militares, cujo empenho em trazer soluções rápidas esteve, desde o começo, fundamentado nos princípios éticos e humanísticos que sempre caracterizaram suas instituições.

Unidos ao Senhor, cuja onipotência é capaz de extrair do mal um bem maior, esperamos que a Páscoa precoce de nosso irmão, Padre Adriano, por sua ampla divulgação e justa comoção, ajude nossa sociedade a buscar caminhos efetivos de solução ao estado de violência que assola nossas comunidades, motivando aspirações a um tempo de paz, justiça e harmonia na convivência social, para o bem de todos e maior glória de Deus.

 

Simonésia, 4 de novembro de 2020.

 

 

 

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