A vida é um grande mistério.

Existe um texto bíblico no livro chamado Eclesiastes que diz: “Vaidade das vaidades tudo é vaidade” (Ecl 1,2). A palavra vaidade é tradução de uma palavra hebraica que significa sopro, hálito. No fundo o autor bíblico está afirmando que a vida é um sopro. Com facilidade nos esquecemos desta realidade nua e crua: somos apenas um sopro de vida. Somos frágeis e pronto. Não importa a quantidade de dinheiro que temos, os títulos que possuímos, quando paramos de respirar tudo cessa, a matéria chega ao seu fim. O corona vírus está provando isto. Quando falta ar, o hálito para os nossos pulmões, não importa o que temos ou quem somos, a ilusão de que estamos no controle da vida cai por terra. Passa ter sentido então a palavra do autor bíblico de acordo com o texto em hebraico: “Sopro dos sopros, tudo é um sopro”. Sim, a vida é um sopro, é uma dádiva e um mistério. Não seria o momento, portanto, de uma reflexão sobre o verdadeiro sentido da vida? Por que esperar uma pandemia para aceitar o que é óbvio, que não somos imortais, que não somos deuses? Por que insistir então em manter uma estrutura social em que alguns são tratados como se não fossem mortais? O CORONA VIRUS não é um castigo divino, mas pode ser sim um momento de Deus, uma nova forma de cruz para nos fazer enxergar que somos todos iguais, e que as diferenças de raças ou de qualquer outra natureza deveriam nos enriquecer e não um pretexto para guerras insanas, onde milhões perdem tudo, inclusive suas vidas e alguns poucos ganham bilhões como se nunca fossem morrer. Para estes que acreditam que estão no controle da vida tenho uma notícia: Somos todos mortais. A vida é um sopro dado por Deus.

Pe. José Geraldo de Gouveia.