Um comentário sobre a Ceia do Senhor (1Cor 11,23-26)

Autor Claudio Geraldo | Data 3 de abril de 2017



A Eucaristia é um memorial das ações de Deus através de Jesus em favor do seu povo. A Eucaristia é memória viva de Jesus. É o sinal que anuncia a sua morte e ressurreição para nós, no período entre a sua partida e o fim, ou seja, a sua nova vinda. É interessante que Paulo a recebe do Senhor e a transmite para a comunidade turbulenta e dividida de Corinto, para gerar comunhão e vida. A Eucaristia é alimento na caminhada até a chegada definitiva na Casa do Pai. É a Páscoa do Senhor e também a nossa Páscoa.

 

É a primeira vez que se coloca por escrito a tradição do rito eucarístico  Mais tarde (a partir do ano 70) vai aparecer o texto dos evangelhos com pequenas variações. A Ceia Eucarística, ou a Páscoa cristã, foi celebrada por Jesus pela primeira vez na quinta-feira santa, exatamente, na noite em que ele foi traído por Judas. Depois da ação de graças, Jesus parte o pão, dizendo que aquilo é o corpo dele. Este corpo é entregue por nós, ou seja, para a nossa salvação. E Jesus pede que repitamos este gesto para celebrar sua memória. Depois da ceia, Jesus toma o cálice com  vinho, afirmando que aquele cálice é a nova aliança em seu sangue, e repete, dizendo que sempre que dele bebermos, devemos fazê-lo em sua memória. Este gesto será sempre o anúncio da morte do Senhor até que ele venha.  Estamos diante do supremo gesto da entrega de amor por nós, que será realizado na cruz, mas celebrado com antecipação por Jesus, no rito eucarístico.

 

É bom frisar que pão e vinho são, não apenas símbolos, mas sinal. O símbolo é apenas uma representação. O sinal é muito mais que o símbolo, pois o sinal contém a realidade para a qual ele aponta. Como a fumaça contém o fogo, assim os sinais eucarísticos do pão e do vinho contêm a vida de Jesus doada por nós. Contêm seu amor que salva. Eucaristia é alimento de vida. É comunhão de amor em torno do Corpo de Cristo, que formamos como comunidade. Quem não vive em comunhão com a comunidade-corpo-de-Cristo, não pode receber o sinal da comunhão eucarística, que é a hóstia consagrada.

 

 

A Páscoa do padre José Lucas

 

Depois de transcrito este texto, aconteceu em nossa diocese o falecimento do  nosso querido  padre José Lucas – dia 14 de fevereiro – terça-feira, às 02h da madrugada. Ele vivenciou, profundamente, a Eucaristia, celebrando-a todos os dias,  principalmente, para os doentes do hospital de Carangola. Ali, ele exerceu seu apostolado nos seus últimos anos, ajudando os doentes a se alimentarem da esperança cristã numa nova vida e valorizando o sofrimento, como participação redentora no sofrimento de Cristo.

 

Na Eucaristia celebramos ritualmente a morte e a ressurreição de Jesus, sua passagem da morte para a vida, a Páscoa cristã, a grande travessia. Padre José Lucas ajudou muitos irmãos e irmãs a fazerem a difícil travessia desta vida para a outra, o que nós chamamos de Páscoa.

 

Dia 14, nosso amado padre José Lucas fez a sua grande travessia, sua Páscoa definitiva.  O que ele sempre ensinou, agora ele vivenciou de maneira definitiva; passou da morte para a Vida. Ele chegou onde todos nós desejamos chega um dia: na Casa do Pai, mergulhando no oceano infinito do amor de Deus.

 

Obrigado, padre José Lucas, pelo seu profundo apostolado em nossa diocese. Obrigado pelo seu carinho especial pelos doentes aos quais você dedicou os últimos anos de sua fecunda vida sacerdotal. Descanse agora nos braços do Pai.

 

 

Dom Emanuel Messias de Oliveira

Bispo diocesano de Caratinga

 

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