Tempo de silenciar

Autor Claudio Geraldo | Data 2 de abril de 2019



“Tudo tem seu tempo. Há um momento oportuno para cada coisa debaixo do céu: “Tempo de rasgar e tempo de costurar; tempo de calar e tempo de falar” (Eclesiastes 3, 1. 7).

 

O mundo está cheio de ruídos: carros, máquinas, celulares, televisão, músicas… Tudo nos tira a atenção, tudo nos distrai. Afasta de nós o silêncio. Porém, nós precisamos de momentos de silêncio. No silêncio podemos nos acalmar e focar no que é mais importante: Deus.

 

Jesus, muitas vezes, se retirava para lugares solitários, silenciosos, para estar sozinho com Deus. No evangelho de são Lucas, meditado durante a via sacra, refletimos um desses momentos de oração e silêncio: “Jesus saiu e, como de costume, foi para o monte das Oliveiras. Os discípulos o acompanharam. Chegando ao lugar, Jesus disse: “ Orai para não cairdes em tentação”. Então, afastou-se dali, à uma distância de um arremesso de pedra, e, de joelhos, começou a orar” (Lc 22,39-41).

 

A quaresma é um tempo favorável para exercitarmos a meditação das palavras de Jesus e o seu silêncio. O silêncio é importante para ouvirmos a voz de Deus. Praticar, ficar em silêncio durante algum tempo, torna o seu falar mais disciplinado. Falar demais, sem cuidado, não é bom! Quando paramos de falar, ouvimos com mais atenção e aprofundamos nosso relacionamento com Deus e com nossos irmãos.

 

Deus sempre guardou em silêncio seus mistérios. Como no caso da maternidade virginal de Nossa Senhora, Ele não fez publicidade, muito menos ela. Maria deixou que a sombra do Altíssimo a cobrisse e permaneceu no mistério de seu encontro com o Senhor. Maria foi o perfeito ícone do silêncio, desde sua maternidade até a flagelação e morte de Jesus. Ela era humana, podia ter falado, podia ter dito a Deus que se sentia enganada, pois o anjo havia dito que “Ele seria grande”, no entanto, ali no calvário, ela a via desfigurado e ultrajado pelos homens. Mas ela guardou tudo em silêncio, guardou em seu coração o que não era capaz de entender, e confiou em Deus.

 

Assim como Maria, São José também nos ensina com seu silêncio. Nos Evangelhos, podemos perceber que de sua boca não sai uma só palavra, mesmo sendo um dos personagens mais importantes na vida terrena de Jesus. Porém, São José muito nos ensina, não com palavras, mas justamente com seu silêncio. Em seu silêncio ele nos ensina a considerar a grandeza dos mistérios que nos circunda.

 

O silêncio é a grande “porta para a vida interior”, sem o qual é impossível ter intimidade com Deus. O tempo quaresmal é tempo de calar, de fazer silêncio, e ouvir a voz de Deus. As escrituras nos ensinam a forma de agirmos e pensarmos. O jejum nos ensina a ter autocontrole. Os atos de caridade amolecem os nossos corações e nos ensinam a ter amor pelo nosso próximo, mas o silêncio nos leva a intimidade com Deus.

 

Dom Emanuel Messias de Oliveira

Bispo diocesano de Caratinga

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