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O braço do crucifixo

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2-CRUCIFIXONuma antiga catedral, pendurado a uma grande altura, está um enorme crucifixo de prata que possui duas particularidades. A primeira é a coroa de espinhos sobre a cabeça da estátua de Jesus: toda feita em ouro maciço e ornamentada de pedras preciosas. O seu valor é incalculável. A segunda particularidade é que o braço direito da imagem de Jesus está afastado da cruz e pende no vazio. Uma história explica o que aconteceu.

Numa noite de muitos anos atrás, um ladrão corajoso e com jeito de acrobata planejou roubar a esplêndida coroa de ouro e pedras preciosas. Amarrou uma corda numa das janelas ao redor da abóbada central, acima do crucifixo, e desceu por ela até a cruz. No entanto a coroa estava solidamente fixada na cabeça da estatua e o ladrão tinha só uma faca para tirá-la. Enfiou a faca de baixo da coroa e começou a mexer com todas as suas forças. Pelejou por muito tempo suando e bufando. A lâmina da faca quebrou, e a corda também se desprendeu da janela porque não aguentou tanta agitação. O ladrão ia se espatifar no chão da catedral, mas, de repente, o braço do crucifixo o agarrou e o segurou. Sorte grande a do ladrão! Na manhã seguinte, os zeladores da igreja o encontraram lá em cima, são e salvo. O braço do crucifixo, ainda, o estava segurando. A história não revela mais detalhes, portanto não dá para conferir, mas acolhemos com simplicidade a mensagem.

Estamos chegando perto da Páscoa e, por isso, somos convidados a olhar com mais atenção a Jesus crucificado. O evangelho do 5º domingo da quaresma nos fala do grão de trigo que, para produzir frutos, deve morrer. De outra forma, continuaria sendo apenas um grão de trigo. É uma comparação clara para nos convencer a fazer da nossa vida um dom. Jesus garante que quem quiser segurar a própria vida, no final, irá perdê-la, mas quem a tiver doado com generosidade a conservará para a vida eterna. Mais uma vez somos chamados a tomar uma decisão sobre o nosso jeito de viver. Ser cristão é crer no Filho que o Pai enviou e viver seguindo o seu exemplo. O amor de Jesus foi até a cruz, portanto ele pode pedir uma resposta generosa de nossa parte porque, por primeiro, ele nos amou até o último suspiro de sua vida terrena.

Aprendemos também, no evangelho, que um grupo de gregos pede ao apóstolo Filipe para poder “ver” Jesus. Talvez seja também a nossa legítima e, às vezes, angustiante curiosidade. No entanto a resposta que ele nos dá ajuda a entender que apenas vê-lo ainda não significa acolhê-lo e, menos ainda, amá-lo e segui-lo no caminho da cruz. Em outras palavras, parece-me, que Jesus nos convide a passar de um conhecimento visual ou intelectual a um seguimento real e amoroso, tornando-nos “servidores” dele, aprendendo com ele a servir e não a dominar; a doar a nossa vida para o bem dos irmãos, em lugar de, quem sabe, aproveitar-nos deles, ou até tirar-lhes a vida ou o necessário para viver. O nosso verdadeiro encontro com Jesus passa pela cruz; somente quem consegue sair do seu egoísmo e compadecer-se pelos sofrimentos dos irmãos começa a perceber o quanto grande foi o amor gratuito dele. De outra maneira, o que pensamos ser o nosso conhecimento sobre o Senhor não passará de discussões e debates feitos de palavras. Jesus não nos salvou com teorias ou projetos mirabolantes, ele assumiu a nossa condição humana até a morte e nos mostrou o único caminho para uma verdadeira mudança.

Quantos planos de reformas, bonitos e bem estudados em si, não saem do papel simplesmente porque ninguém quer renunciar a nada, porque todos querem – ou queremos – ficar agarrados aos nossos privilégios, disfarçados, às vezes, de direitos? Hoje parece impensável, vergonhoso e sinal de derrota, perder alguma coisa. Perder algo, fique claro, para que outros possam ganhar em dignidade, saúde, felicidade e vida plena. Assistimos a uma disputa desenfreada para conseguir mais. Qualquer coisa serve: dinheiro, prestígio, poder. Como se tudo fosse sem fim e sem limites. Jesus fala de “perder” não um pouco do nosso salário, um jogo, ou uma disputa eleitoral, mas de perder, doando-a, a nossa própria vida. É quando a doamos que encontraremos novamente, bem guardada, como um tesouro imperecível no céu.

Somos todos, um pouco, como aquele ladrão da catedral. Queremos a coroa de ouro exclusivamente para nós. Jesus quer nos segurar nos seus braços para nos salvar do abismo da ganância. Esta conduz ao esquecimento – que depois é a morte – do nosso próximo. Seguindo Jesus no caminho da vida oferecida seremos abençoados por Deus e pelos pobres. Salvando a vida deles, salvaremos também a nossa para sempre.

Dom Pedro José Conti, Bispo de Macapá

Fonte: cnbb.or.br

Exorcismo e o mundo dos demônios

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correntesOs antigos diziam que a imaginação era a louca da casa. Ela perturba muito a compreensão das verdades e da realidade. O demônio pertence a esse campo em que a fantasia anda solta. Basta ver as pinturas, os termos aplicados ao demônio, as descrições tenebrosas de suas ações terríveis, a dramaticidade dos exorcismos, sempre feitos aos gritos e gestos descabelados.

Esse tema soa arcaico, antigo e superado pela razão moderna, pela teologia do Vaticano II que reduziu a realidade do demônio ao seu verdadeiro tamanho. Críamos terminada a era cultural povoada de superstições, fantasmas, duendes, mulas-sem-cabeça. E precisamente nesse universo de crenças fantásticas proliferam os demônios.
A modernidade avançou tecnológica e cientificamente com inventos extraordinários. A imaginação humana vem sendo agitada mais uma vez por fantasmas. Cabe, portanto, refletir com seriedade teológica sobre a realidade do demônio e do correspondente exorcismo.

No contexto atual de tantas crenças exóticas fica difícil dizer palavra sensata e coerente com a fé cristã. O demônio e o pecado não são o que mais importa para a vida cristã, mas sim a graça e a ação salvadora de Deus em Jesus. São Paulo já enfrentou a questão e resumiu-a em frase lapidar. “Onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Rm 5, 20). “Se pela falta de um só a multidão sofreu a morte, com muito maior razão a graça de Deus, graça concedida a um só homem, Jesus Cristo, derramou-se em abundância sobre a multidão, por um entrou o pecado por outro a graça. Quanto Cristo é maior que o mal” (Rm 5, 15). São Paulo fez questão de comparar o pecado, e, sob esta palavra, entendemos também o demônio, com a graça de Deus em Jesus Cristo para mostrar a fraqueza do primeiro em relação ao senhorio de Deus. Com isso, ele liberta o cristão do medo do demônio. Em seu lugar, está a confiança na força de Deus.

A fé cristã rejeita o maniqueísmo. É uma religião antiqüíssima que faz continuamente suas aparições, senão claramente, ao menos subrepticiamente. Ela defende dois seres infinitamente poderosos: um do Bem, outro do Mal. No fundo, acredita em dois deuses. Um Deus que rege os acontecimentos bons e outro que causa os males. Seria o demônio elevado a um poder ilimitado. Infelizmente há muita gente que na prática pensa assim. A fé cristã afirma a existência de uma Trindade de amor que vela e zela por todos nós.
Medo do demônio é desconhecer o oceano infinito do amor de Deus. O demônio é a anti-pessoa, aquele que nega na realidade o projeto de Deus e que só atua no espaço que nossa liberdade lhe abre. Santo Agostinho compara-o a um cão bravo acorrentado. Só morde quem dele se aproxima. Em vez de ficar procurando sua atuação nas nossas vidas, o mais importante é viver no espírito das bem-aventuranças, segundo a pregação de Jesus. Olhai as aves do céu, os lírios do campo. Deus cuida de todos eles. Então cuidará muito mais de nós (Mt 6, 26ss). Nem com o dia de amanhã devemos preocupar-nos. E muito menos com as ações do demônio.

Deus é o início e o meio e o fim de tudo. O mal, o demônio entram na jogada, como já vencidos. Só nos derrotam, se deixarmos o abrigo de Deus. O mal está como despertador permanente de nossos limites e fraquezas reais. O reencontro com Deus faz-se sempre que rejeitemos o mal e nos voltemos a Ele. Nisso o demônio é derrotado.

A vitória sobre o demônio não é o exorcismo, como muitos pensam. Vivem à busca de exorcistas para expulsar os demônios. Estes são derrotados pela graça, pela pureza de vida, pelo amor a Deus e aos irmãos. Atribuem-se freqüentemente a possessões diabólicas fenômenos psicopatológicos. Por isso, o último recurso é o exorcismo. Antes devem-se submeter os casos estranhos a análises de psicólogos, psiquiatras ou parapsicólogos para que os diagnostiquem. Só, em última instância, quando todas as ciências humanas disponíveis não conseguirem dar conta do fato, entra em questão a possessão diabólica e eventualmente recorrer à autoridade eclesiástica competente para possível exorcismo.

Para o comum dos acontecimentos, temos os recursos disponíveis tanto psicoterapêuticos quanto espirituais correntes, como a oração, a prática da caridade, a vida cristã responsável. Sem sensacionalismos resolveremos a quase totalidade dos casos

João Batista Libâneo

Fonte: http://www.domtotal.com.br/colunas/detalhes.php?artId=970

Linguagem da natureza

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misDesde os primórdios ao momento presente, a natureza fala de muitas maneiras à humanidade. Isso acontece quando se vislumbra a realidade macrocósmica, como ocorre, atualmente, com as investigações da astronomia no sistema planetário, e quando se constata essa realidade num organismo individual. É sempre muito fascinante o olhar sobre a natureza, naquela face que deixa grandes interrogações à inteligência humana e naquela que, embora conhecida, não deixa de falar, mesmo sendo lugar comum. Na verdade, não há como a inteligência não se deslumbrar diante da complexidade da natureza, não como não se curvar diante da sua obviedade.

Reconhecidamente, as coisas grandiosas e raras chamam mais a atenção, enquanto as cotidianas passam despercebidas, embora também tenham sua significação. Na literatura eclesiástica, essa leitura é feita com saborosa singeleza, como se pode constatar em dois textos. Ao comentar a obra Diatéssaron, de Taciano (séc. II), Santo Efrém (séc. IV) escreve: “A palavra de Deus é a árvore da vida a oferecer-te por todos os lados o fruto abençoado, à semelhança do rochedo fendido no deserto que, por todo lado, jorrou a bebida espiritual. (...) O sedento enche-se de gozo ao beber e não se aborrece por não poder esgotar a fonte. Vença a fonte a tua sede, mas não vença a tua sede a fonte. Pois, se tua sede se sacia sem que a fonte se esgote, quando estiveres novamente sedento, dela poderás beber. Se, porém, saciada tua sede também se secasse a fonte, tua vitória redundaria em mal.” Quanto ensinamento, quanta verdade em afirmações tão simples e tão óbvias. A natureza se encarrega de revelar a cada pessoa o grau de saciedade em relação a uma coisa tão corriqueira quanto beber água. O bom senso vai também falar à pessoa saciada, no tocante à necessidade de preservar a fonte, porque logo mais precisará procurá-la, para “matar a sede”. A água é um bem que deve ser objeto dos melhores cuidados por parte da população e dos governantes. Hoje, em muitos lugares, a fonte de onde jorra a água do consumo da população está sendo esgotada por suas agressões, através de fatores como o desmatamento e a poluição ambiental. A sabedoria popular revela que, em relação a essa matéria e a muitas coisas, as pessoas e as empresas erram porque vão “com muita sede ao poço” de seus interesses e de sua ganância, daí a falta ou a diminuição da água, em muitas regiões e cidades.

Por sua vez, São Bernardo (séc. XII), ao discorrer sobre a sabedoria, compara-a ao mel. “Na verdade, se encontraste a sabedoria, encontraste o mel. Não comas demasiado, para que, saciado, não o vomites. Come de modo a sempre teres fome. (...) Não te sacies para que não vomites e te seja retirado aquilo que pareces possuir, por teres desistido de procurar antes do tempo.” Em relação ao alimento, a natureza também fala, através do limite identificado pelo estômago. Com efeito, por melhor que seja o alimento, há sempre um limite no seu consumo. Nesse ponto, há um paradoxo na sociedade: muitos vão ao spar para emagrecer, enquanto outros vivem com estômago vazio, permanentemente.

O carnaval destes dias será um termômetro para leitura do comportamento humano. Segundo a natureza física e social, quem falará mais: o equilíbrio ou excesso no ato de beber e comer? o bom senso ou a extravagância no modo de conviver e de se divertir?

Dom Genival Saraiva, bispo de Palmares - PE

Fonte: cnbb.org.br

Por que Janeiro?

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PortasPor que o primeiro mês do ano recebe o nome de Janeiro? Nosso calendário tem sua origem calendário romano. Assim a divisão de anos, meses e dias são fruto das experiências e crenças deste povo.  E como eles escolherão os nomes de cada mês tem toda uma história. Pode ser um acontecimento que marcou ou mesmo um jeito de acreditar em algo. O mês de janeiro, por exemplo, parece nascer da mitologia greco-romana, da fé deles no deus Janus.

Janus era o deus dos portões e portas. Ele era representado por uma figura com duas faces olhando em direções opostas. Seu nome é o radical da palavra inglesa "January" que significa Janeiro (o mês que "olha" para os dois anos, o que passou e o novo ano).

O primeiro de janeiro era dedicado pelos romanos para o seu deus de portas e portões, Janus. Um deus muito antigo italiano, Janus tem uma aparência distinta artística em que ele é comumente representado com dois rostos... Um em relação ao que está por trás e o outro olhando para o futuro. Assim, Janus é o representante da contemplação sobre os acontecimentos de um ano de idade ao olhar a frente para o novo.

Algumas fontes afirmam que Janus foi caracterizado de uma forma tão peculiar, devido à noção de que portas e portões olham em duas direções. Portanto, o deus pode olhar para trás e para frente, ao mesmo tempo. Originalmente, Janus foi retratado com um rosto barbudo e o outro barbeado, jovem. O que pode ter simbolizado a lua e o sol, ou a maturidade e a juventude. Mais tarde, ele é frequentemente mostrado com barbas em ambas as faces e com frequência tem uma chave na mão direita.

Em seu papel como o guardião de saídas e entradas, Janus também era acreditado para representar começos. A explicação para essa crença sendo que um deve emergir através de uma porta ou um portão para entrar em um novo lugar. Portanto, os romanos também o consideravam como o deus Janus de Iniciação e seu nome foi uma escolha óbvia para o primeiro mês do seu ano...

Um mês referido pelos romanos como Ianuarius, que não é tão distante do moderno "janeiro", retirado do jauna palavra etrusca, que significa "porta". Originalmente, porém, Janus foi homenageado no dia primeiro de cada mês, além de ser adorado no início da época de plantio e novamente no momento da colheita. A deferência também é paga a ele no começo mais importante na vida de uma pessoa... Como o nascimento ou casamento.

E os outros meses? Certamente cada um trás uma história. A internet ajuda na hora de fazer uma boa pesquisa. Boa pesquisa!

Fonte: blogdalux.blogspot.com; adaptação de Willis de Oliveira Gama

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