cabealho_portal_dom_Emanuel

- 20:29:24

Você está aqui: Artigos

A semana santa em Jerusalém

E-mail Imprimir PDF

sabado_santoMinha experiência vivida na cidade de Jerusalém durante o período que permaneci na Terra Santa por motivo de estudos bíblicos gostaria de compartilhar com todos que tem interesse em um dia fazer a peregrinação a terra de Jesus ou mesmo já estiveram em alguma oportunidade e gostariam de relembrar.

Residi por cinco anos no Convento Franciscano da Flagelação, situado na Via Dolorosa, cidade velha de Jerusalém. Foi uma oportunidade única de viver no local onde todos os acontecimentos da Semana Santa aconteceram. Neste relato colocarei minha inusitada experiência para que outros também possam desfrutar desta vivência inigualável.

 Como se celebra o dia de Ramos em Jerusalém?

A procissão de Ramos em Jerusalém tem seu início em Betfagé nos altos do Monte das Oliveiras e vai até a chamada Piscina Probática ou a Igreja de Santa Ana, dentro dos muros de Jerusalém a poucos metros do antigo recinto do Templo de Salomão.

O fato bíblico assim se apresenta em Lucas 19,29 “ao aproximar-se de Betfagé e de Betânia, junto ao Monte das Oliveiras, Jesus enviou dois dos seus discípulos, dizendo: Ide à aldeia em frente e ao entrardes nela, encontrareis um jumento preso que ainda ninguém montou; soltai-o e trazei-o. Os discípulos assim fizeram e deitando as suas capas sobre o jumento, fizeram montar Jesus que nele entrou em Jerusalém”.

A procissão de Ramos em Jerusalém é um cortejo que marca a universalidade da Igreja. Nela se integram Peregrinos de quase todas as nações e raças: árabes nativos da Palestina, Italianos, Espanhóis, Portugueses, Alemães, Franceses, grupos de peregrinos vindo da África, Ásia, Europa ou Américas. Todos se agrupam nas suas respectivas línguas cantando e rezando e não faltam os africanos que vão cantando e dançando. Todos que participam da procissão se unem por um motivo, lembrar a entrada de Jesus em Jerusalém, a fé neste Cristo é o elo de união de todos. Também se unem a procissão os alunos das escolas católicas para os palestinos, situadas em Jerusalém, Belém, Nazaré e outras vilas. Todas as ordens religiosas, sacerdotes diocesanos se faziam presente com suas próprias comunidades. A vila de Betfagé está em um dos lugares mais altos de Jerusalém, o Monte das Oliveiras, a procissão segue seu caminho sempre em descida, passando pela Igreja do Pai Nosso, a Igreja da Ascensão, a Igreja do Dominus Flevit, o Cemitério Judaico, Muçulmano e Cristão, o Gethsêmani, o Jardim das Oliveiras, o túmulo de Maria, a Igreja de Santo Estevão, em fim a porta de Santo Estevão que dá entrada ao bairro árabe de Jerusalém, seguindo-se por mais cem metros até a Piscina Probática.

No final da procissão o patriarca de Jerusalém dirige sua homilia exaltando a importância do dia de Ramos, mas sem esquecer o sofrimento da pequena porção de católicos que vivem na Terra Santa. Estão sofrendo discriminação dos Judeus, pois são palestinos e perseguidos pelos muçulmanos fanáticos (os chama dos irmãos muçulmanos) por serem árabes católicos.

 Como se apresenta a Sala da última ceia no monte Sião?

Para servir de sinal aos construtores da história o lugar onde foi Instituída a Eucaristia, o sacerdócio, o lava pés e Pentecostes hoje pertence ao Estado de Israel, como conquista da guerra de 1967, a guerra dos seis dias. Nos prédios anexos foram instalados pelo estado de Israel, sinagogas, Jardim de Infância, Ieshiva para o estudo da Torá etc. Neste lugar santo para nós cristãos onde foi celebrada a primeira missa por Jesus e os apóstolos, não se pode celebrar missas. Da conquista árabe até 1967 ali existiu uma Mesquita árabe e do ano de 1967 em diante passou a ser uma simples sala para visitação pública havendo proibição para qualquer cerimônia de caráter religioso. Os grupos que visitam o lugar da última ceia se contentam em ler a passagem bíblica da última ceia de Jesus com os apóstolos e cantar cantos eucarísticos.

Os fatos bíblicos ligados a este lugar são vários vejam alguns:

Lc 22,7-13 (Preparativos para a ceia Pascal)

7 Chegou o dia dos Ázimos, em que se matavam os cordeiros para a Páscoa. 8 Jesus mandou Pedro e João, dizendo: “Vão, e preparem tudo para comermos a Páscoa.” 9 Eles perguntaram: «Onde queres que a preparemos?” 10 Jesus respondeu: “Quando vocês entrarem na cidade, um homem carregando um jarro de água virá ao encontro de vocês. Sigam a ele até a casa onde ele entrar, 11 e digam ao dono da casa: “O Mestre manda dizer: “Onde é a sala em que eu e os meus discípulos vamos comer a Páscoa?” 12 Então ele mostrará para vocês, no andar de cima, uma sala grande, arrumada com almofadas. Preparem tudo aí.” 13 Os discípulos foram, e encontraram tudo como Jesus havia dito. E prepararam a Páscoa.

Jo 13,1-15 (O lava pés)

1 Antes da festa da Páscoa, Jesus sabia que tinha chegado a sua hora. A hora de passar deste mundo para o Pai. Ele, que tinha amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim. 2 Durante a ceia, o diabo já tinha posto no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, projeto de trair Jesus. 3 Jesus sabia que o Pai tinha colocado tudo em suas mãos. Sabia também que tinha saído de junto de Deus e que estava voltando para Deus. 4 Então Jesus se levantou da mesa, tirou o manto, pegou uma toalha e amarrou-a na cintura. 5 Colocou água na bacia e começou a lavar os pés dos discípulos, enxugando com a toalha que tinha na cintura.

Neste mesmo lugar o cenáculo como é chamado à sala da Instituição da Eucaristia foi o lugar onde os apóstolos receberam o Espírito Santo no dia de Pentecostes como nos narra os Atos dos Apóstolos 2,1-41:

1 Quando chegou o dia de Pentecostes, todos eles estavam reunidos no mesmo lugar. 2 De repente, veio do céu um barulho como o sopro de um forte vendaval, e encheu a casa onde eles se encontravam. 3 Apareceram então umas como línguas de fogo, que se espalharam e foram pousar sobre cada um deles. 4 Todos ficaram repletos do Espírito Santo, e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem. ....17 ‘Nos últimos dias, diz o Senhor, eu derramarei o meu Espírito sobre todas as pessoas. Os filhos e filhas de vocês vão profetizar, os jovens terão visões e os anciãos terão sonhos. 18 E, naqueles dias, derramarei o meu Espírito também sobre meus servos e servas, e eles profetizarão. 19 Farei prodígios no alto do céu, e sinais embaixo na terra: sangue, fogo e nuvens de fumaça. 20 O sol se transformará em trevas, e a lua em sangue, antes que chegue o dia do Senhor, dia grande e glorioso. 21 E todo aquele que invocar o nome do Senhor, será salvo.’........

Desde a origem da Igreja o lugar da última ceia de Jesus foi considerado lugar sagrado, ai foram construídas Igrejas para lembrar a santidade do lugar e recordar o lugar onde Maria morreu ou adormeceu como dizem os gregos, sendo posteriormente Levada até uma sepultura no vale do Cedro e aí foi assunta ao céu.

No Lugar da morte ou dormição de Maria existe hoje uma grande Igreja, construída em um terreno doado pelos turcos ao imperador da Prússia Guilherme II e este doou aos Padres beneditinos.

 Que mistério envolve o Monte das Oliveiras o Jardim das Oliveiras e o Gethsêmani?

O Monte das Oliveiras serviu de lugar onde transcorreram fatos marcantes para a história da nossa salvação. Na vila de Betfagé Jesus encontrou amigos para se hospedar quando vinha a Jerusalém para as festividades Judaicas. Fez amigos, chorou quando da morte de Lázaro e o ressuscitou. Partiu de Betfagé, no dia de Ramos para entrar triunfalmente em Jerusalém e do alto o Monte das Oliveiras subiu aos céus no dia da ascensão. No lugar chamado “dominus flevit”, Jesus disse as palavras proféticas. “Aí de ti Jerusalém quis reunir os teus filhos ao meu redor como uma galinha reúne seus pintainhos sob suas asas, mas vocês não quiseram. Virão tempos em que povos estrangeiros, te cercarão derrubarão teus muros, destruirão o templo, incendiarão as casas e não sobrará pedra sobre pedra”. Esta profecia de Jesus se realizou no ano de 70 D. C. quando o general Romano Tito com a Xª Legião Romana sitiou Jerusalém derrubou seus muros e destruiu-a completamente.

Aos pés do Monte das Oliveiras, mais precisamente no Jardim das Oliveiras Jesus se recolhia para rezar ao pai. Foi ai que suou sangue, foi traído pelo beijo de Judas e preso pelos soldados romanos. Segundo a tradição Judaica é no Vale do Josefa aos pés do Monte das Oliveiras que acontecerá o Juízo Universal no final dos tempos.

Gostaríamos falar no Jardim das Oliveiras como o lugar preferido de Jesus para se encontrar com seu Pai através da oração. Este Jardim das Oliveiras depois daquela quinta feira Santa em que Jesus suou sangue quando seu Pai mostrou o que deveria passar em lugar da humanidade, passou a ser lugar de veneração e de oração para a comunidade das origens. Passou a chamar-se o Jardim da Agonia.

Segundo os quatro evangelhos, o caminho da Paixão começava num lugar situado fora da cidade Santa a que Marcos e Mateus chamam de Gethsêmani. “Gate” que significa prensa, e “shemânin” que significa azeite. Este lugar que servia para fabricação de azeite de Oliveira estava situado para lá da torrente do Cedron, na direção do Monte das Oliveiras em frente à Porta Dourada.

Na noite em que foi preso, Jesus acompanhado dos seus discípulos, saiu do Cenáculo (no Monte Sião) e, descendo até perto da piscina de Siloé, subiu o vale de Josafá para o norte e chegou ao Jardim das Oliveiras.

Chegando ao Gethsêmani Jesus deixou oito discípulos na gruta que se abria na vertente da colina (hoje convertida em uma capela). Depois tomou três discípulos, Pedro Tiago e João, e afastou-se dos outros a uma distância de “um tiro de pedra”. Jesus foi um pouco mais longe e orou “Pai, se quiseres, afasta de mim este cálice. Não se faça, contudo, a minha vontade, mas a Tua” e depois de lhe aparecer o Anjo consolador, “pos-se a orar mais fervorosamente e o seu suor caiu como grosas gotas de sangue sobre a terra”. O local exato da agonia, não pode historicamente ser longe do que este assinalado como tal pelas tradições cristãs mantidas desde o primeiro século e pelos relatos de São Jerônimo (390), do Peregrino anônimo de Bordeaux (330), de Origines (253). O Jardim tem uma área de cerca de 1200 m² e está situado a direita do caminho que sobe o Monte das Oliveiras, sendo limitada ao sul pela Basílica da Agonia e a oeste pela estrada que vai Jericó. Rodeadas por uma grade de ornamentação bizantina, existem oito velhas oliveiras. Alguns estudiosos não hesitam em atribuir-lhes mais de 2000 anos. As grades protegem as oliveiras da voracidade devota dos peregrinos.

O Monte das Oliveiras é também local de veneração para os judeus, pois ali foram sepultados os profetas: Ageu, Zacarias e Malaquias. Jesus amava este lugar. “E saindo como de costume para o Monte das Oliveiras”, escreve São Lucas (22,39).

A primeira Igreja construída no local da Agonia é da segunda metade do século IV (entre 330-390). Esta Igreja foi destruída provavelmente em 614 pelos Persas, mas sempre foram novas Igrejas construídas apesar de outras destruições que houve nas guerras.

Na parte central da Igreja se encontra a rocha da Agonia, onde Jesus se reclinou. Está envolta numa cercadura metálica em forma de coroa de espinhos com aves defrontadas com um cálice (representando as almas que querem participar do cálice de Cristo).

Atraídos pela Sagrada Rocha quase não reparamos o resto do templo. Um a um, os peregrinos aproximam-se, com passos involuntariamente solenes, do local da Agonia. Instintivamente ajoelham-se e se curvam para beijar a pedra que sustentou a fronte do Senhor.

Na quinta feira Santa nesta Igreja realiza-se a cada ano a partir das 20,00 hs uma hora Santa com a participação de todas as comunidades católicas da cidade de Jerusalém, sempre é marcante a presença dos grupos de peregrinos de várias nacionalidade que vem a Terra Santa na Semana Santa e participam dessas adoração. Esta cerimônia é simplesmente singular e comovente. Sempre nesta celebração encontramos grupo de peregrinos brasileiros que entoam cantos e orações em brasileiro após a adoração na Basílica da agonia.

 Como se celebra a Via Sacra nas ruas de Jerusalém cidade velha

De manhã cedo, na sexta-feira Santa Jesus foi conduzido ao Pretório onde foi julgado e, a contra gosto condenado por Pilatos a ser entregue, para, morrer, aos Judeus. Pilatos sentou-se, segundo João (19,13) num local do Pretório chamado em hebraico “Gabbathá” e, em grego “Litóstrotos”, que quer dizer pátio pavimentado ou lajeado. O local situava-se na torre Antonia, ou fortaleza Antônia, que foi construída por Herodes o Grande no ano 35 a. C. (no lugar da torre Baris) em honra do seu protetor Marco Antonio.

O local assim se apresenta além da rua “Via dolorosa”, existe o Convento dos Padres Franciscanos, com os dois Santuários “da Condenação de Jesus” e o “Santuário da Flagelação”. Junto a estes santuários existe hoje um Instituto de Estudos Bíblicos, O Instituto Bíblico dos Franciscanos. Este Instituto recebe sacerdotes do mundo inteiro e prepara esses sacerdotes para ensinarem Bíblia, nos Institutos de Teologia, onde se formam os novos sacerdotes para a Igreja. Ali se pode obter o grau de mestrado em Bíblia Sagrada e o grau de doutorado em Bíblia Sagrada.

Deste local toda a sexta-feira no horário da 15,00 hs parte a caminhada da Via Sacra, que percorre os mesmos passos de Jesus até o lugar da ressurreição no Santo Sepulcro.

Narro em seguida o caminho da Via Sacra percorrido com um dos tantos grupos de brasileiros que acompanhei como guia e sacerdote.

O grupo de brasileiros era formado de 30 pessoas de diferentes estados, havia no grupo: gaúchos na maioria, mas também catarinenses, paulistas, paranaenses. Começamos nossa caminhada na Capela da Flagelação no interior do Convento dos Franciscanos, numa manhã de abril sob uma temperatura suave e o inverno já estava se despedindo e estava por iniciar o período do tempo seco e verão. As duas primeiras estações da Via Sacra se situam no interior da Fortaleza Antonia as outras seguem pela rua “a via dolorosa” como é conhecida pelos cristãos, e as últimas cinco estações no interior da Basílica do Santo Sepulcro. Percorremos a via Dolorosa, rezando e cantando, estação após estação até chegarmos ao Santo Sepulcro. Passamos por zonas essencialmente comerciais, àquela hora, muitas pessoas se movimentavam por elas. Às portas dos estabelecimentos, achavam-se expostos diversos artigos de consumo; as ruas tem o colorido variado e forte dos mercados árabes. Transeuntes e comerciantes olham-nos distraidamente; passam constantemente carros de mão, carregados dos mais variados produtos. Junto das diversas estações as nossas vozes em oração mal se ouvem.

Prosseguimos a Via Sacra por entre a indiferença dos transeuntes. Tal como Jesus fez a sua Via Crucis. Também nesse tempo, a vida não parou para ver passar o Senhor da Vida; também os comerciantes e os indiferentes não se deixaram perturbar pela passagem de um Homem que levava uma cruz; muitos não sabiam ainda que essa Cruz era feita dos pecados deles e que representava a remissão do mundo. Tal como hoje muitos não querem saber.

As estações sucedem-se e aproximamo-nos do Santo Sepulcro do Senhor. Para a maior parte dos peregrinos é a primeira via sacra vivida no lugar onde a verdadeira ocorreu.

Entramos no átrio exterior da Basílica do Santo Sepulcro. Ao Sul, Sul, a fachada romântica, construída pelos cruzados no século XII. Em baixo, duas, portas monumentais geminadas e por cima, duas janelas igualmente geminadas, arcadas ligeiramente partidas, pequenas colunas em forma de ramos de palmeira imitam o estilo Coríntio.

No interior da Basílica percorremos as estações: Jesus pregado na Cruz, a estação da morte de Jesus. Ainda lembro o fato inusitado em que um Judeu fanático profanou este lugar tão sagrado, subindo no altar derrubando os castiçais, as lamparinas com óleo e tentou tirar a grande cruz que lembra a morte de Jesus. Até que a polícia interveio. O motivo sempre é o mesmo fraqueza mental ou problemas psicológicos, é uma saída muito honrosa de encobrirmos tudo de mal que o homem possa fazer. Desta forma tudo pode ter uma explicação e uma maneira de inocentar-se. Nossa via sacra continuou com mais duas estações que se localizam no centro da grande Basílica do Santo Sepulcro, uma no local do túmulo vazio de Jesus e a última a da ressurreição. Em seguida celebramos a missa na capela dos católicos situada a poucos metros do lugar da ressurreição.

 O que encontramos no local que foi sepultado Cristo e Ressuscitou. O Monte Calvário é muito alto ainda existe?

A Basílica do Santo Sepulcro esta construído no local do monte Calvário, onde aconteceu a morte de Jesus, e o fato da Ressurreição.

Entrando na Basílica do Santo Sepulcro, aparece uma lápide de pedra no chão, rodeada de lamparinas é a Pedra da Unção que é venerada como evocativa da que serviu a unção do Corpo do Senhor.

A direita de quem entra na Basílica, fica o lugar do Calvário para o qual se pode subir por uma escada.

O pavimento é de mármore bem como as paredes são revestidas de mármore. No teto aparecem medalhões com personagens bíblicas que profetizam o sofrimento do Messias: Isaías, Daniel, etc. O altar é em bronze prateado. Sob o altar, o lugar da implantação da Santa Cruz. Ali, nem a costumeira exibição dos prateados ortodoxos, traduzida na profusão de lampadários e de molduras de ícones, impede que nos sintamos sucumbidos ante a visão do local onde a Salvação do mundo pendeu de uma Cruz. Todos que ali chegam instintivamente se ajoelham rezando e, aproximado-se de joelhos do altar, para beijar o lugar onde a cruz da Redenção esteve cravada. Neste preciso lugar é onde a Cruz de Cristo esteve erguida e se realizou o ato principal da redenção, aqui estão as 10ª, 11ª e 12ª estações da Via Sacra.

Descendo do Calvário, no interior da Basílica, a poucos passo estamos no Centro do Santo Sepulcro: grandioso Mausoléu construído por Constantino, imperador Romano, a pedido de sua mãe Santa Helena, que queria no lugar da Ressurreição de Jesus a Igreja mais bela de todo o Império Romano, e assim aconteceu. A este local os gregos e os cristãos antigos o chamam de Anástasis (Ressurreição em grego). No centro da Anástasis, o lugar da ressurreição ergue-se hoje uma edícula do Santo Sepulcro (pequena capela) em estilo russo tardio. Reconstruída depois de um grande incêndio ocorrido na Basílica. A porta da entrada é muita baixa e da entrada a uma ante sala chamada a Capela do Anjo e em seguida a entrada para o sepulcro. A câmera sepulcral mede 2,30 m por 1,90 m dando uma idéia dos túmulos da época, uma porta de entrada fechada por uma pedra redonda, uma ante sala, onde os familiares iam para rezar ou levar ofertas aos mortos e a câmara sepulcral. Neste local nos horários das 5,00 hs até às 7,00 hs os sacerdotes católicos podem celebrar missas. Este local da ressurreição é de propriedade dos gregos ordotoxos.

Para os que visitam o Santo Sepulcro, as impressões e sentimentos são enormes e difíceis de descrever. Cada um tem sua própria experiência. As vidas se configuram num compromisso novo, pois é dada a oportunidade de todos tocar com as próprias mãos o lugar onde Cristo triunfou da morte.

As centenas de pessoas que saem do Santo Sepulcro mantêm no rosto a expressão de alegria e contentamento de terem experimentado algo impressionante e grandioso que marcará indelevelmente suas vidas. Que o Deus que ressuscitou Jesus Cristo dos mortos, toque com sua mão nosso coração e faça renovar nossa vida conforme sua vontade.

Odalberto Domingos Cosonatto

Fonte: http://www.abiblia.org/ver.php?id=1687&id_autor=66&id_utente=&caso=artigos

Fidel e o Papa

E-mail Imprimir PDF

 

tn_620_600_papa_e_fidelBento 16 acaba de visitar o México e Cuba. Ele já tinha visitado o Brasil em 2007. E já tem outra viagem marcada para o nosso país, no ano que vem. Não era conveniente visitar pela segunda vez o Brasil, sem antes ir ao menos para algum outro país da América Latina. Assim, foi ao México, e aproveitou para visitar também Cuba.

O momento mais pitoresco da visita a Cuba foi, certamente, o encontro do Bento 16 com Fidel Castro. Pelos relatos, a conversa foi uma troca de amabilidades, como convinha para o momento. Na verdade, os recados já tinham sido dados, de maneira sutil, na homilia da missa que precedeu o encontro de ambos. O Papa aproveitou as leituras do dia, para ir direto ao assunto.

Da história dos três jovens na fornalha, no exílio da Babilônia, sob o comando do soberano Nabucodonosor, Bento 16 tirou a lição da prioridade que a fé possui, para formar as consciências e ditar o procedimento das pessoas: “os três jovens preferiam morrer queimados pelo fogo que trair a sua consciência e a sua fé”.

Em poucas palavras, está posto o direito de todos se guiarem sua consciência pelos ditames de sua fé. Em seguida, Bento 16 aborda o assunto que lhe é muito caro, ao qual volta com insistência: a estreita ligação entre a verdade e a liberdade, entre a fé e a razão: “Com efeito, a verdade é um anseio do ser humano, e procurá-la supõe sempre um exercício de liberdade autêntica.”

O Papa não perde tempo. Aborda em seguida a questão das ideologias, que cegam a inteligência humana, impedindo-a de encarar a verdade de maneira livre e ao mesmo tempo comprometida. Primeiro estigmatiza o ceticismo e o relativismo, afirmando: “Muitos, todavia, preferem os atalhos e procuram evitar essa tarefa. Alguns, como Pôncio Pilatos, ironizam sobre a possibilidade de conhecer a verdade, proclamando a incapacidade do homem de alcançá-la ou negando que exista uma verdade para todos... como no caso do ceticismo e do relativismo”

Em seguida, o Papa questiona o fechamento ideológico, constando que... “Há outros que interpretam mal esta busca da verdade, levando-os à irracionalidade e ao fanatismo, pelo que se fecham na SUA verdade» e tentam impô-la aos outros. Aí o Papa volta ao assunto que lhe é muito caro: O relacionamento entre fé e razão: “Fé e razão são necessárias e complementares na busca da verdade. Deus criou o homem com uma vocação inata para a verdade e, por isso, dotou-o de razão. Certamente não é a irracionalidade que promove a fé cristã, mas a ânsia da verdade. Todo o ser humano deve perscrutar a verdade e optar por ela quando a encontra, mesmo correndo o risco de enfrentar sacrifícios.”
Em decorrência destes pressupostos, Bento 16 aborda a questão da ética, que se constitui em plataforma comum em torno de valores fundamentais, em cuja defesa todos podemos nos encontrar. “A verdade sobre o homem é um pressuposto imprescindível para alcançar a liberdade, porque nela descobrimos os fundamentos duma ética com que todos se podem confrontar... É este patrimônio ético que pode aproximar todas as culturas, povos e religiões, as autoridades e os cidadãos, os cidadãos entre si, os crentes em Cristo com aqueles que não crêem n’Ele”.

No contexto dos valores éticos, Bento 16 fundamenta o direito que o cristianismo tem, não de impor, mas de propor o chamado de Cristo “para conhecer a verdade que nos torna livres”. Poucas vezes um sermão foi tão bem endereçado. Não só para Fidel. Mas para todos que desejam praticar a liberdade de pensamento, e ao mesmo tempo, assumir o compromisso com a verdade. Assim poderemos superar o fanatismo que cega, e o descompromisso que aliena.

E quem quiser se aventurar pelo caminho da fé, sempre acompanhado pela razão, poderá encontrar Jesus Cristo, “que é a verdade em pessoa e nos impele a partilhar este tesouro com os outros”.
Dom Luiz Demétrio Valentini; Bispo de Jales/SP
Fonte: cnbb.org.br

 

 

O braço do crucifixo

E-mail Imprimir PDF

2-CRUCIFIXONuma antiga catedral, pendurado a uma grande altura, está um enorme crucifixo de prata que possui duas particularidades. A primeira é a coroa de espinhos sobre a cabeça da estátua de Jesus: toda feita em ouro maciço e ornamentada de pedras preciosas. O seu valor é incalculável. A segunda particularidade é que o braço direito da imagem de Jesus está afastado da cruz e pende no vazio. Uma história explica o que aconteceu.

Numa noite de muitos anos atrás, um ladrão corajoso e com jeito de acrobata planejou roubar a esplêndida coroa de ouro e pedras preciosas. Amarrou uma corda numa das janelas ao redor da abóbada central, acima do crucifixo, e desceu por ela até a cruz. No entanto a coroa estava solidamente fixada na cabeça da estatua e o ladrão tinha só uma faca para tirá-la. Enfiou a faca de baixo da coroa e começou a mexer com todas as suas forças. Pelejou por muito tempo suando e bufando. A lâmina da faca quebrou, e a corda também se desprendeu da janela porque não aguentou tanta agitação. O ladrão ia se espatifar no chão da catedral, mas, de repente, o braço do crucifixo o agarrou e o segurou. Sorte grande a do ladrão! Na manhã seguinte, os zeladores da igreja o encontraram lá em cima, são e salvo. O braço do crucifixo, ainda, o estava segurando. A história não revela mais detalhes, portanto não dá para conferir, mas acolhemos com simplicidade a mensagem.

Estamos chegando perto da Páscoa e, por isso, somos convidados a olhar com mais atenção a Jesus crucificado. O evangelho do 5º domingo da quaresma nos fala do grão de trigo que, para produzir frutos, deve morrer. De outra forma, continuaria sendo apenas um grão de trigo. É uma comparação clara para nos convencer a fazer da nossa vida um dom. Jesus garante que quem quiser segurar a própria vida, no final, irá perdê-la, mas quem a tiver doado com generosidade a conservará para a vida eterna. Mais uma vez somos chamados a tomar uma decisão sobre o nosso jeito de viver. Ser cristão é crer no Filho que o Pai enviou e viver seguindo o seu exemplo. O amor de Jesus foi até a cruz, portanto ele pode pedir uma resposta generosa de nossa parte porque, por primeiro, ele nos amou até o último suspiro de sua vida terrena.

Aprendemos também, no evangelho, que um grupo de gregos pede ao apóstolo Filipe para poder “ver” Jesus. Talvez seja também a nossa legítima e, às vezes, angustiante curiosidade. No entanto a resposta que ele nos dá ajuda a entender que apenas vê-lo ainda não significa acolhê-lo e, menos ainda, amá-lo e segui-lo no caminho da cruz. Em outras palavras, parece-me, que Jesus nos convide a passar de um conhecimento visual ou intelectual a um seguimento real e amoroso, tornando-nos “servidores” dele, aprendendo com ele a servir e não a dominar; a doar a nossa vida para o bem dos irmãos, em lugar de, quem sabe, aproveitar-nos deles, ou até tirar-lhes a vida ou o necessário para viver. O nosso verdadeiro encontro com Jesus passa pela cruz; somente quem consegue sair do seu egoísmo e compadecer-se pelos sofrimentos dos irmãos começa a perceber o quanto grande foi o amor gratuito dele. De outra maneira, o que pensamos ser o nosso conhecimento sobre o Senhor não passará de discussões e debates feitos de palavras. Jesus não nos salvou com teorias ou projetos mirabolantes, ele assumiu a nossa condição humana até a morte e nos mostrou o único caminho para uma verdadeira mudança.

Quantos planos de reformas, bonitos e bem estudados em si, não saem do papel simplesmente porque ninguém quer renunciar a nada, porque todos querem – ou queremos – ficar agarrados aos nossos privilégios, disfarçados, às vezes, de direitos? Hoje parece impensável, vergonhoso e sinal de derrota, perder alguma coisa. Perder algo, fique claro, para que outros possam ganhar em dignidade, saúde, felicidade e vida plena. Assistimos a uma disputa desenfreada para conseguir mais. Qualquer coisa serve: dinheiro, prestígio, poder. Como se tudo fosse sem fim e sem limites. Jesus fala de “perder” não um pouco do nosso salário, um jogo, ou uma disputa eleitoral, mas de perder, doando-a, a nossa própria vida. É quando a doamos que encontraremos novamente, bem guardada, como um tesouro imperecível no céu.

Somos todos, um pouco, como aquele ladrão da catedral. Queremos a coroa de ouro exclusivamente para nós. Jesus quer nos segurar nos seus braços para nos salvar do abismo da ganância. Esta conduz ao esquecimento – que depois é a morte – do nosso próximo. Seguindo Jesus no caminho da vida oferecida seremos abençoados por Deus e pelos pobres. Salvando a vida deles, salvaremos também a nossa para sempre.

Dom Pedro José Conti, Bispo de Macapá

Fonte: cnbb.or.br

A liderança nas comunidades primitivas

E-mail Imprimir PDF

SAM_1131O que mais impressiona nas primeiras comunidades é o fervor e a coragem dos cristãos. Diante das autoridades e dos outros líderes religiosos do seu tempo, os fiéis não temem confessar que Jesus é o Messias. Eles demonstram uma submissão à autoridade que não está na conformidade da estrutura simplesmente hierárquica de seu tempo. Eles promovem, segundo o que disse o Senhor, uma inversão de valores: Sabeis que aqueles que vemos governar as nações as dominam, e os seus grandes as tiranizam. Entre vós não deverás ser assim: ao contrário, aquele que quiser ser grande, seja o vosso servidor, e aquele que quiser ser o primeiro dentre vós, seja o servo de todos, pois o filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos (cf.: Mt 20,28 ). A presença do Espírito Santo é muito viva. Cada igreja local tinha seus ministros, apóstolos, profetas, doutores… Todo o fiel recebia de Deus carismas especiais, que devia colocar à disposição da comunidade.

A atuação feminina era expressiva, mas não havia confusão entre o papel do homem e o papel da mulher (a sociedade romana era muito machista e tratava a mulher como se fosse propriedade do marido; as crianças também eram desprezadas, podendo ser rejeitadas ou abandonadas à própria sorte pelo pai – tudo isto muda entre os cristãos). Em Cristo não há diferença de dignidade entre grego e judeu, homem e mulher, escravo (a sociedade romana era escravocrata) e livre. Todos se reuniam para celebrar a eucaristia (ou fração do pão) especialmente no domingo (que substituiu o sábado como o sétimo dia dos cristãos, por causa da ressurreição do Senhor), oravam em comum, partilhavam seus bens, ajudavam os pobres. O rito de iniciação cristã era o batismo, no qual os efeitos da morte redentora de Cristo eram aplicados sobre o crente. Havia ainda a imposição de mãos, ou Crisma, através da qual o fiel confirmava o seu compromisso e assumia uma missão na comunidade, e a unção dos enfermos, que servia para curar e confortar os doentes.

Uma fonte importante sobre a vida das comunidades cristãs do final do séc. I e início do séc. II é a Didaqué, ou Instrução dos Doze Apóstolos, uma espécie de catecismo primitivo. A primeira parte da Didaqué apresenta os dois caminhos que o homem pode escolher: o da vida e o da morte. Seguem-se orientações para a conduta dos fiéis e exortações. Na segunda parte há uma descrição da vida sacramental e da oração. O batismo é feito em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e, quando a imersão não é possível, a água pode ser simplesmente derramada três vezes sobre a cabeça de quem vai receber o sacramento. Os crentes devem jejuar duas vezes na semana e rezar o Pai Nosso três vezes por dia. A celebração dominical (Missa) é o sacrifício verdadeiro que cumpre a profecia de Ml 1,10s. Antes de se realizar a fração do pão os fiéis fazem uma espécie de ato penitencial (exomologese). A Didaqué também fala de apóstolos, profetas inspirados pelo Espírito Santo (os quais chama de sumo sacerdotes) e mestres que percorrem as igrejas. Bispos e diáconos são escolhidos pelos fiéis, com a mesma dignidade dos profetas e dos mestres. Por último, adverte contra os “falsos profetas e corruptores”, e contra o anticristo que virá quando o fim estiver próximo. Aqueles que perseverarem na fé durante a grande tribulação serão salvos. Depois que o céus se abrirem, após o soar da trombeta e a ressurreição dos mortos, “o mundo verá o Senhor vindo sobre as nuvens do céu”.

Sobre a penitência, já lemos no evangelho de João (Jo 20,21-23) que Cristo conferiu aos apóstolos o poder de perdoar pecados. Paulo, em sua primeira carta aos Coríntios, condena um caso de incesto e excomunga os responsáveis, esperando que com isto eles se arrependam e retornem para o Senhor. Na epístola de Tiago há uma exortação para a confissão dos pecados (Tg 5,16-18). Há casos, porém, de faltas graves para as quais se hesita em reconhecer a possibilidade de remissão (Hb 10,26ss; ver também a distinção que o apóstolo João faz entre pecados que levam à morte e pecados que não levam à morte, 1Jo 5,16). Quem renega a fé não encontrará misericórdia para seu crime, segundo o autor da carta aos Hebreus.

Os primeiros cristãos eram geralmente gente simples, das camadas sociais mais baixas. Exteriormente não se distinguiam das outras pessoas do seu tempo, mas viviam de modo honesto e digno. Procuravam ser obedientes às autoridades e oravam pelos governantes.

À frente de cada comunidade havia epíscopos, ou então um colégio de presbíteros. Havia também diáconos, que cuidavam da administração e da distribuição dos bens entre os necessitados. Tanto os epíscopos como os presbíteros e os diáconos eram ordenados através da imposição de mãos. Esta estrutura ministerial, ainda não muito precisa, deu origem à hierarquia da Igreja tal como a conhecemos hoje.

Com Santo Inácio de Antioquia as coisas ficarão mais claras: “Que todos, assim como reverenciam Cristo, reverenciem os diáconos, o bispo, que é a imagem do Pai, e os presbíteros, que são o Senado de Deus, a Assembléia dos Apóstolos”. No início do século II, este regime se imporá naturalmente entre as igrejas da Ásia.

O que não se pode negar é que, desde os seus primórdios, a Igreja possui uma constituição hierárquica, formada pelos apóstolos e por Pedro, e que esta constituição foi transmitida sempre e ininterruptamente através do sacramento da Ordem. Os apóstolos fundaram comunidades e ordenaram pessoas para presidi-las. Estas, por sua vez, ordenaram outras como sucessoras, e o processo prosseguiu em uma cadeia contínua que permite ligar cada bispo, cada padre, cada diácono da Igreja de hoje aos apóstolos e, dos apóstolos, ao próprio Jesus Cristo.

De modo particular, o bispo de Roma é o sucessor do apóstolo Pedro e, portanto, responsável por garantir a unidade e a integridade da fé da Igreja.

Outra característica relevante dos primeiros cristãos era a ansiedade pelo retorno do Senhor, a Parusia. Pelas cartas de Paulo vemos que a volta iminente de Jesus era crença comum. Nas assembléias litúrgicas ouvia-se freqüentemente a exclamação cheia de esperança: “Maranatha! Vem Senhor Jesus!” Com o tempo percebeu-se que a vinda de Jesus não era tão iminente.

O cristianismo se aproveitou da imensa rede de estradas que interligava o Império. Desenvolveu-se principalmente no meio urbano. De boca em boca, através de escravos, mercadores, viajantes, judeus helenizados, artesãos, a Boa-Nova ia chegando aos lugares mais distantes. O Império de Roma tornou-se, logo, a “pátria do cristianismo”.

Uma boa liderança é a combinação entre a sua vida cristã e a sua habilidade em dirigir o grupo. Vamos denominar aqui, grupo como corpo, corporação. Segundo o dicionário corporação é o conjunto de pessoas sujeitas à mesma regra ou estatutos, entretanto, para nós é mais que isso, é um conjunto de pessoas que além de estarem sujeitas, colaboram de todas as formas , mutuamente, para que o alvo seja alcançado.

E onde fica o líder no corpo? O líder é a cabeça, ou melhor dizendo, o cabeça. Ele percebe o problema ou o sentimento o que de qualquer outra parte do corpo, e emite uma ordem de ação para esse mesmo órgão ou para outro órgão que o auxilie, a fim de que seja solucionada a questão e todo o corpo sinta bem.

São Paulo descreveu isso de forma estupenda em I Coríntios 12. Somos um corpo, o problema que o pé está enfrentando não é só do pé, mas do corpo todo, e este mesmo corpo colabora para que o alvo que o cabeça tem em mente seja concretizado.

Entretanto, muitas vezes, o dirigente tem uma boa visão, uma boa vida cristã, mas não consegue colocar para o seu grupo aquilo que ele tem em mente. O problema está na técnica de liderança, na forma como ele tem organizado e planejado a equipe e até mesmo na falta da organização e planejamento.

Eram perseverantes ao ensinamento dos apóstolos: a convivência com Jesus levou os apóstolos a aprenderem o seu jeito de ser e viver. Eles aprenderam do coração d’Ele. Assimilaram suas palavras, seu modo de comunicar-se e relacionar-se com o Pai e com as pessoas. Aprenderam com Ele a dar preferência aos mais necessitados, a ser fiel ao projeto do Pai. Os apóstolos ensinavam às comunidades o que aprenderam da convivência com o Mestre. O bonito é que as comunidades perseveravam fiéis a estes ensinamentos (cf. At 2,42) e “com grande energia davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus” (At 4,33).

Assim, o (a) líder na comunidade primitiva existia na medida da necessidade da Comunidade: estava a seu serviço e dispunha de suas qualidades para que a comunidade atingisse seus objetivos com mais rapidez e eficiência. O(a) líder era um(a) discípulo(a) que seguia um líder maior: Jesus, nosso senhor. era dele que vinha toda força da liderança em seu nome exercida, pois de maneira concreta era ele que continuava, em seus (suas) líderes a ser aquele que comandava a sua Igreja.

Ir. Jackson

Fonte: http://irnovajerusalem.com.br/?p=292

Rumos e riscos

E-mail Imprimir PDF

SAM_0792A cidadania como vivência de deveres e direitos inclui também o compromisso e o desafio de lançar, permanentemente, um olhar perscrutador sobre a realidade. A grande responsabilidade cidadã quanto aos rumos da história precisa sempre ser destacada. Já agora, na segunda década deste terceiro milênio, as análises vão estampando as marcas históricas do século 20, construídas em grande parte pela intervenção humana.

Os avanços e conquistas foram incontáveis. Até admiráveis, quando se contabilizam os progressos científicos, os engenhos tecnológicos, a força sedutora, por isso não menos pesada, do fenômeno da globalização. Mudanças determinantes, ditadas pela ciência e pela tecnologia, que têm avançado inteligentemente - seja pela capacidade de manipular geneticamente a própria vida dos seres vivos, ou a de criar uma rede de comunicação de alcance mundial.

Este é um tempo no qual a história alcançou uma aceleração espaventosa produzindo mudanças grandes. No Documento de Aparecida, nº 35, os bispos latino-americanos e caribenhos sublinham que “essa nova escala mundial do fenômeno humano traz consequências em todos os campos da vida social, impactando a cultura, a economia, a política, as ciências, a educação, o esporte, as artes e também, naturalmente, a religião”. Estas transformações, em razão dos rumos tomados ou dados, têm atingido de maneira preocupante o tesouro que pertence à pessoa humana, a abertura à transcendência.

O tesouro da pessoa humana não pode ser resumido apenas no que é admirável nas conquistas científicas e tecnológicas. Aqui se põe um enorme desafio, que inclui a compreensão do indivíduo na sua abertura sacrossanta para a transcendência, como algo seu constitutivo e inalienável. Sua desconsideração, ignorância ou manipulação, em razão de interesses utilitaristas, produz prejuízos e riscos para os rumos da história. Como no passado, agora também, e de maneira não menos preocupante, temos o horizonte da sociedade contemporânea povoado de relativizações éticas advindas do fechamento e da incompetência para a compreensão e vivência deste tesouro que é a abertura à transcendência.

É irrenunciável o princípio de que a pessoa humana é aberta ao infinito, isto é, a Deus. Esta abertura é caminho para a verdade e para o bem absolutos. Também é esta comunhão com Deus que capacita para o encontro com o outro e com o mundo. Sem esta abertura ao transcendente nenhuma pessoa consegue sair de si. Torna-se prisioneira, facilmente e cotidianamente, de uma condição egoística da própria vida. É a transcendência que capacita a pessoa a entrar numa relação de diálogo e de comunhão. A sociedade não pode e não consegue, com o indispensável equilíbrio, organizar-se e configurar-se sem que se respeite e se cultive a capacidade própria da pessoa de transcender.

É ilusão pensar e buscar uma sociedade justa quando se desrespeita a dignidade transcendente da pessoa humana. O primado de cada ser humano tem a prerrogativa de orientar a consciência e definir direções e configurações para todos os programas sociais, científicos e culturais. Não sendo assim, a pessoa será, inevitavelmente, instrumentalizada para projetos econômicos, social, político, por qualquer autoridade. Não raramente, em nome de pretensos progressos e da modernização da comunidade civil. Aqui está o “nó difícil de desatar” da questão ética na sociedade contemporânea, pensando mais diretamente a de nosso país. Todos são chamados a refletir sobre o futuro que deve ser buscado, o que exige o princípio irrenunciável da transcendência. Num rol de muitas questões sérias e preocupantes, devemos incluir a que trata sobre a grave cultura abortista, a investida irracional contra símbolos religiosos, ou a morosidade ética para a convicção da aplicação da chamada “Lei da Ficha Limpa”.

A orquestração que órgãos internacionais fazem ao celebrar acordos, por exemplo, com países emergentes da América Latina, beneficiando projetos para o desenvolvimento, em troca de controle demográfico que fomentam posições e entendimentos favoráveis ao crime do aborto, merece reação e posicionamento claro de todos.

Há manipulações na compreensão envolvendo os direitos da mulher para construir argumentos que justifiquem o atentado homicida contra a vida do nascituro. Este equívoco, resultado da falta de sentido e respeito à transcendência, atinge a família, num claro desígnio de sua desconstrução e vai se infiltrando no sistema educacional. Estes rumos estão produzindo riscos graves. É preciso reagir e lutar pelo respeito e obediência ao princípio da transcendência.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo; Arcebispo de Belo Horizonte (BH)

Fonte: cnbb.org.br

Página 1 de 36