Serás liberto pela justiça!

Autor Claudio Geraldo | Data 2 de fevereiro de 2019



“Serás libertado pelo direito e pela justiça” (Is 1, 27). O profeta Isaias inspirou o lema da Campanha da Fraternidade 2019. O tema Fraternidade e Políticas Públicas quer aprofundar as reflexões sobre o dilema das políticas públicas: distinguir a política de governo, de políticas de Estado e tratará do processo de uma postura garantidora de direitos. Segundo o texto-base, o objetivo da CF 2019 é “estimular a participação em políticas públicas, à luz da Palavra de Deus e da Doutrina Social da Igreja, para fortalecer a cidadania e o bem comum, sinais de fraternidade”.

 

A origem da palavra Política é grega, ela é derivada de POLITIKÓS, que significava “relativo ao cidadão ou ao estado. Esta palavra por sua vez, tinha origem em POLITES, que em grego era “cidadão” e ainda tem mais um ramo: POLIS, que significa “cidade”.  Era o espaço onde os gregos tomavam as decisões para garantir o bem comum. Se olharmos por este ponto de vista, passaremos a entender a política como um espaço de poder e opiniões, onde diferentes necessidades se enfrentam ou se unem, com visões e concepções distintas em busca de interesses comuns. Portanto, refletir sobre as políticas públicas é muito importante para entender a maneira pela qual elas atingem a vida cotidiana e a partir destas reflexões pensarmos o que pode ser feito para melhor formulá-las e como aprimorar sua fiscalização.

 

O Brasil é uma nação democrática, onde a soberania é exercida pelo povo, isso nos dá plenos poderes para ampla participação nas elaborações das políticas públicas através da Constituição Federal de 1988: “ Art. 1º  parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”.

 

Nas últimas eleições pudemos perceber o quanto foi difícil para todos nós escolhermos nossos representantes. Vivemos um momento político social muito difícil em nosso país. Estamos estarrecidos com tanta corrupção por parte de nossos governantes. Mas não podemos esquecer que nós também temos nossa parcela de responsabilidade diante do meio em que vivemos. Participar efetivamente da elaboração das políticas públicas requer de nós muito mais do que votar com consciência ou dar sugestões. Exige de nós que estejamos presentes nos mais diversos mecanismos de participação do nosso país, dos nossos estados e municípios, como garante nossa constituição, contribuindo na tomada de decisões, implementação, avaliação e monitoramento das políticas públicas.

 

Cada um de nós, portanto, é chamado a exercer nosso papel de cidadãos, buscando lutar para que os direitos fundamentais de cada pessoa, em especial, dos menos favorecidos –  moradia, saúde, educação, saneamento básico e tantos outros bens fundamentais a vida –  sejam respeitados.

 

Jesus revelou a misericórdia por meio de suas palavras e atitudes, ele é o “rosto da misericórdia”. Ele se uniu ao ser humano, pois trabalhou como humano, pensou como humano e agiu como humano para entender nossas dores. Ele mergulhou em nosso viver para que pudéssemos compreendê-lo. Somente pela prática da justiça é que seremos libertos; somente quando enxergamos nossos irmãos como a nós mesmos é que entenderemos o verdadeiro sentido da palavra “justiça”.

 

Dom Emanuel Messias de Oliveira

Bispo diocesano de Caratinga

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