ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA – 18/08/2019

Autor Claudio Geraldo | Data 4 de agosto de 2019



1a LEITURA – Ap 11,19a; 12,1-3 6a.10ab

 

Diante das perseguições sofridas pelas comunidades cristãs, o livro do Apocalipse procura dar uma resposta, um consolo, um incentivo à luta e à esperança. A linguagem é simbólica, apenas compreensível aos cristãos.

Nosso trecho traz praticamente 4 imagens simbólicas principais:

 

a)      Arca da Aliança

O Templo, a arca, a aliança, os sinais cósmicos indicam que Deus vai falar, vai comunicar-se com os homens. A Arca, no Primeiro Testamento, trazia as tábuas da Lei, expressão de Deus para o povo. A arca, aqui, pode simbolizar aquela que traz em seu seio a própria Palavra de Deus. Ela pode ter o mesmo significado da mulher do capítulo 12.

 

b) A mulher

Ela estava vestida de glória e protegida por Deus (vestida como o sol) tem traços da eternidade divina (lua sob os pés) e na cabeça uma coroa de 12 estrelas. Ela representa a vitória da comunidade dos filhos de Deus do Primeiro e Segundo Testamento (12 tribos e 12 apóstolos). A mulher é uma imagem polivalente: É Eva, a mãe da humanidade, que vai dar à luz um descendente capaz de esmagar o mal (Gn 3,14-15); é o povo de Deus do Primeiro Testamento (12 estrelas); é Sião-Jerusalém, que dará à luz o Messias; é Maria mãe de Jesus; é a comunidade-Igreja, mãe dos cristãos. A fuga da mulher para o deserto indica a vida da Igreja até o fim da história (= 1260 dias – tempo relativo) em meio às perseguições e na intimidade com Deus. A tradição da Igreja sempre aplicou Ap 12 a Maria que é a Nova Eva, figura da humanidade, figura da Igreja geradora de cristãos. Assunta ao céu, ela antecipa na glória de Jesus o futuro vitorioso de cada cristão.

 

c) O dragão

É a personificação do mal, a auto-suficiência; é o poder totalitário dos impérios perseguidores da Igreja. No tempo de João, era o Império Romano que perseguia os cristãos. É sanguinário (vermelho), poderoso (sete cabeças, duas coroas), mas seu poder não é absoluto nem perfeito (10 chifres). Pretende lutar contra Deus (estrelas do céu) e quer devorar o Filho da Mulher, o Messias que veio para destruí-lo.

 

d) O Filho

É Jesus que, com sua ressurreição (= foi levado para junto de Deus e do seu trono) se tornou o vencedor do dragão, do pecado, do mal e da morte. O v. 10 apresenta “a salvação, o poder e a realeza do nosso Deus e a autoridade do seu Cristo”

 

2a LEITURA – 1Cor 15,20-27a

 

A 1Cor é uma resposta a diversos problemas e questionamentos da comunidade. O capítulo 15 é todo dedicado ao problema da ressurreição, que alguns estavam negando. Primeiro, ele recorda o anúncio fundamental: Cristo morreu e ressuscitou. Essa certeza da nossa fé é testemunhada por muitos que viram o Cristo ressuscitado. Se, como alguns estão afirmando, os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou e, então, é vã a nossa fé. Mas isso não é verdade. No trecho de hoje, Paulo apresenta dois argumentos.

 

a) Jesus é o Novo Adão (vv. 20-23)

Adão morreu e na sua morte todos morreram. Jesus é o novo Adão ressuscitado. Ele é o primeiro fruto de uma nova colheita (= primícias). Os primeiros frutos garantem a qualidade da colheita. Isto significa que se Cristo ressuscitou como primícias, todos nós ressuscitaremos depois dele. Em Adão a morte, em Cristo a vida.

 

b) A vitória de Cristo sobre o mal e a morte

Jesus vence todas as forças e estruturas injustas e inimigas da vida. Todos esses inimigos ele os colocará debaixo dos seus pés. Só depois que isso tiver acontecido é que ele entregará o Reino a Deus Pai. Aí será o fim. Mas qual será o maior inimigo da vida? É a própria morte. Este é o último inimigo a ser destruído. Cristo já o destruiu em seu próprio corpo, mas a vitória só será completa, quando ele a destruir em cada um de nós. Aí, sim! Aí, ele entregará o Reino a seu Pai para que Deus seja tudo em todos. É bom lembrar que nesta luta de destruição de tudo que gera a morte cada cristão deve estar profundamente empenhado.

 

EVANGELHO – Lc 1,39-56

 

Aqui temos dois encontros: o encontro de duas futuras mães e o encontro de duas crianças!

 

a) Maria se encontra com Isabel

Quem é Maria? Quem é Isabel? Duas pessoas pobres, mas agradecidas pelo dom da fecundidade. Isabel era estéril e Maria não teve relações com nenhum homem. Deus se manifesta nos pobres trazendo-lhes a riqueza da vida. As palavras de Isabel são inspiradas em textos do Primeiro Testamento.

 

Jz 5,24 – “Seja bendita entre as mulheres, Jael”.

 

Jt 13,18 – “Tu és bendita, ó filha, pelo Deus altíssimo, mas que todas as mulheres da terra”.

 

Dt 28,1.4 – “Bendito seja o fruto do teu ventre”.

 

2Sm 6,9 – “Como entrará a Arca do Senhor em minha casa?”

 

Maria é vista aqui como a Arca da Aliança, pois ela traz em seu seio a salvação de Deus e Isabel reconhece o Salvador, que irá nascer do ventre de Maria (v. 43).

As palavras inspiradas de Isabel são repetidas, há dois mil anos!, por milhões de lábios devotos, todos os dias, ao rezarem a Ave Maria (cf. v. 48). Maria é bem-aventurada, porque acreditou nas promessas do Senhor. Sua grandeza provém, sobretudo de sua fé assumida.

 

b) Jesus se encontra com João Batista

À saudação de Maria, João Batista se agita no seio de Isabel saltando de alegria, e ela se enche do Espírito Santo. É claro que Lucas quer mostrar a presença da Boa Nova no seio de Maria. A presença do Salvador já alegra o coração do precursor.

 

2)  O cântico de Maria

O cântico é apresentado como resposta de Maria à saudação de Isabel. Lucas o compõe também com palavras do Primeiro Testamento, principalmente, inspirado no cântico de Ana em 1Sm 2,1-10, como expressão da gratidão dos pobres – resto de Israel – que aguardavam a libertação. O núcleo do cântico nos mostra uma espécie de inversão de valores. Na dimensão religiosa Deus destrói a auto-suficiência humana (dispensa os soberbos de coração). Na dimensão política, Deus derruba os poderosos de seus tronos e eleva os humildes, refazendo as relações de opressão em relações de fraternidade. Na dimensão social, Deus despede os ricos de mãos vazias e enche de bens os famintos, transformando as relações de exploração em relações de partilha. É a misericórdia de Deus chegando na vida de todos os descendentes de Abraão, que conservaram seu temor ao Deus sempre fiel às sua promessas salvíficas.

 

Dom Emanuel Messias de Oliveira

Bispo diocesano de Caratinga

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