25º DOMINGO DO TEMPO COMUM – 22/09/2019

Autor Redacao | Data 4 de setembro de 2019



 

1a LEITURA – Am 8,4-7

 

Situação econômica, social, política e religiosa

Estamos no séc. VIII a.C. – Tempo de Jeroboão II. Politicamente, muita expansão, lembrando os tempos de Davi. Economicamente, uma prosperidade nunca vista: riqueza, luxo, bem estar, para as classes privilegiadas. Socialmente, aquela distância abissal entre ricos e pobres. Os ricos se enriquecendo às custas dos pobres. Isso tudo, por incrível que pareça, sustentado pela base religiosa. A religião sustentava a corrupção. Muita euforia, muito aparato, mas o culto era vazio.

 

A injustiça e a corrupção no comércio

Os vv. 4-7 são todos voltados para os comerciantes injustos e gananciosos. Estão se enriquecendo às custas da exploração, lesando os próprios irmãos. O ideal da Aliança tinha desaparecido, nada de fraternidade, solidariedade e justiça, mas apenas falsificações, roubo, fraude. Parece que queriam eliminar os pobres, e os humildes do país (v. 4). Os dias festivos são um estorvo, pois eles têm que interromper as transações injustas. Eles ficam doidos que passem logo estes dias para voltarem a cometer injustiças (v. 5). Eles diminuem a medida, aumentam o peso, falsificam as balanças. Compram o indigente com prata e o pobre por um par de sandálias. Eles vendem até os refugos do trigo (v. 6).

 

O juramento de Deus (v. 7)

 

Haverá impunidade para aqueles que cometem tais crimes?  Não. Javé vai intervir, pois quem lesa o pobre, lesa o próprio Deus. Javé se sente ferido com estes maus tratos, com estas injustiças e corrupções. Javé jura que nada esquecerá. Ele jura tomar partido em favor do oprimido. Onde o pobre é mais lesado hoje?

 

2a LEITURA – 1Tm 2,1-8

 

No capítulo segundo da 1Tm, temos a recomendação da oração litúrgica numa intenção universal sem exclusão (vv. 1-8) e em seguida recomendações quanto ao comportamento das mulheres nas assembleias (vv. 9-15). No nosso texto, temos o fundamento, o modo, a finalidade da oração e o seu caráter de novidade.

 

  O fundamento

 

Nossa oração se fundamenta na vontade de Deus, que quer a salvação de todos, e que cheguem ao conhecimento da verdade. A oração é, então, a sintonia com o projeto de Deus, que se realiza em Jesus Cristo, único mediador, pois foi ele que se entregou para o resgate de todos os homens e mulheres. Nosso tempo ressalta bastante o “todos”, ou seja, o caráter universal da oração litúrgica e da salvação de Jesus. Paulo é o arauto desta novidade, como apóstolo das nações.

 

  O modo

 

Há diversos modos de oração. Aqui são apresentados quatro modos: pedidos, orações(!), súplicas e ação de graças. Quer dizer, em qualquer situação em que você estiver, você pode relacionar-se com Deus. É claro que está excluída uma situação de ira e de discussões (v. 8). Esta, aliás, é a novidade cristã. Nenhum cristão reza desejando o mal para alguém como faziam os judeus. O coração de quem reza deve estar aberto a todos, sem exceção.

 

  A finalidade

 

A oração deve ser dirigida a todos, mas o autor aqui especifica os reis e todos os que têm autoridade, “a fim de que” levemos uma vida calma e tranquila com toda piedade e dignidade. Isto é bom e agradável a Deus. Quando se pede pelas autoridades é porque se deseja a prosperidade e a paz. O autor está aqui apresentando a dimensão política e social da oração.

Como se caracterizam nossas orações quanto ao fundamento, o modo e a finalidade?

                                        

                                        

EVANGELHO – Lc 16,1-13

 

Estamos ainda na grande viagem para Jerusalém (9,51-19,27), onde os discípulos experimentam as dificuldades, exigências e desafios para seguir o mestre. Jesus, no texto de hoje, quer ensinar os discípulos a serem espertos nas coisas de Deus como os homens do mundo o são nas coisas do mundo (v. 5).

 

      A parábola (vv. 1-8)

Trata-se de um administrador, que foi acusado de estar esbanjando os bens do patrão (v. 1). Então, o patrão o chama para a prestação de contas e para a demissão. O administrador, diante do seu futuro ameaçado pelo desemprego, toma uma atitude esperta e prudente. Que atitude tomou? A quem devia cem barris de óleo, ele mandou anotar apenas cinquenta. A quem devia cem sacas de trigo, ele mandou anotar oitenta. Depois, ele foi criticado pelo patrão nessa sua esperteza? Provavelmente não, pois ele se privou apenas do que pertencia a ele e não ao patrão. Nessa sua esperteza ele lesou seu patrão? Não. Esta diferença de cinquenta no óleo e vinte no trigo era, segundo o costume, direito dele. Era costume, naquela época, o administrador conceder empréstimos com os bens do patrão. E como o administrador não era remunerado, ele se indenizava, aumentando, no recibo, a importância dos empréstimos. Quer dizer, na realidade, ele tinha emprestado do patrão apenas cinquenta barris de óleo e oitenta sacas de trigo. O resto era lucro que ele ganharia. A atitude do administrador foi sábia, prudente e carregada de desprendimento. Ele privou-se do que tinha direito para ganhar a amizade dos seus clientes, pois, depois, de desempregado, ele poderia precisar deles. Mas onde está então a desonestidade do administrador? É claro que, apesar de ter agido segundo o costume, não podemos deixar de dizer que seus juros de 100% no óleo e 20% no trigo já eram desonestos, porque eram exagerados. Mas, na realidade, sua desonestidade está no anterior esbanjamento dos bens do patrão. Isto foi dito no v. 1 antes de ser narrada a parábola

 

A aplicação aos discípulos (vv. 19-13)

1o) Desprendimento e partilha (v. 9). Os discípulos devem ter a coragem de privar-se dos seus direitos para seguir o mestre. Eles devem partilhar o dinheiro injusto. Qualquer acúmulo fere a justiça do Reino.

2o) Fidelidade (vv. 10-12). É impossível a gente ser fiel nas grandes coisas (as propostas do Reino), se não for fiel nas pequenas (uso dos bens terrenos).

         3o) A opção fundamental. Os discípulos têm que tomar nova decisão radical, ou o serviço de Deus ou o serviço às riquezas.

 

Dom Emanuel Messias de Oliveira

Bispo diocesano de Caratinga

 

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