19º DOMINGO DO TEMPO COMUM – 11/08/2019

Autor Claudio Geraldo | Data 4 de agosto de 2019



Ia LEITURA – Sb 18,6-9

 

A preocupação básica do livro da Sabedoria

 

O livro da Sabedoria foi escrito em Alexandria no Egito por volta do ano 50 a.C. É, portanto, o livro mais recente do Primeiro Testamento. A colônia judaica, em Alexandria, chegava perto de 100.000 pessoas. A preocupação básica do autor é salvar a identidade cultural e religiosa do seu povo ameaçado pela civilização grega com seu culto ao corpo e à inteligência. O autor “procura reforçar a fé e ativar a esperança do povo, relembrando o patrimônio histórico e religioso dos seus antepassados. Ele ensinava a verdadeira sabedoria que conduz a uma vida justa e à felicidade. À sabedoria humana dos gregos, nosso autor contrapõe a sabedoria que vem de Deus, sabedoria que é praticamente identificada com a justiça. Nosso trecho pertence ao conjunto dos capítulos de 10 a 19 que enfatizam a ação da sabedoria na história do povo de Deus, cujo episódio central é a libertação da opressão egípcia. Nos capítulos finais o autor apresenta alguns paralelismos antitéticos entre a sorte dos opressores egípcios e a sorte do povo de Deus.

 

A sorte dos egípcios e a sorte do povo de Deus

 

É assim que no capítulo 18 temos trevas para os egípcios e luz para os hebreus, morte dos primogênitos dos egípcios e libertação e vida para os hebreus. O pecado egípcio é tratado com severidade, o pecado dos filhos de Israel é tratado com bondade. No nosso trecho, vemos que a morte dos primogênitos é o castigo mais cruel que Deus aplica aos egípcios, quanto aos israelitas é a prova mais decisiva em favor de sua libertação. A expressão “aquela noite” tornou-se clássica e já lembrava para todos o grande milagre da Páscoa hebraica, quando os hebreus foram libertados e os egípcios punidos. A antítese continua nos versos 7 e 8 como realização das promessas feitas aos antepassados, os patriarcas de Israel: salvação dos israelitas, povo eleito e punição para os egípcios, povo rejeitado. O v. 9 é uma referência à ceia pascal que era celebrada no segredo do lar, tendo como sacerdote o pai da família. A ceia pascal era um memorial que unia todos os israelitas, que se tornavam solidários nos bens da promessa como também nos riscos dos perigos. Os cânticos dos antepassados são uma referência aos Salmos 112 (113) a 117 (118) – hinos de louvor e agradecimento pelas maravilhas de Deus, usados no ritual da ceia pascal.

 

 

2a LEITURA – Hb 11,1-2.8-19

 

Nossos antepassados são modelo de fé

 

Este capítulo 11 apresenta um elenco de modelos de fé, tirado da história do povo eleito. Eles são vistos como santos, como luz na caminhada do povo de Deus. Nos momentos difíceis nos lembramos deles e nos reanimamos na nossa caminhada, pois se eles foram firmes e perseverantes nas provações através da fé, por que também nós não o podemos ser? Eles são, portanto, os santos que nos precederam na mesma caminhada, são nossos modelos e heróis na fé. O capítulo 11 nos apresenta Abel, Henoc, Noé, Abraão e Sara, Isaac, Jacó, José, Moisés, etc. Todos foram aprovados pela fé (vv. 2 e 39).

 

O que é a fé?

 

Nosso texto começa dizendo o que é a fé: “a fé é a certeza daquilo que ainda se espera, a demonstração de realidades que não se vêem” (v.1). Isto significa que a pessoa que tem fé já possui, já conhece, já vive, de certo modo, aquilo que ela espera.  Nós, através dos sacramentos e da nossa vivência de fraternidade, justiça e amor, já vivemos a presença misericordiosa e amorosa de Deus em nosso meio, já começamos a antecipar o futuro.

 

Abraão e Sara – modelos de fé

 

O texto de hoje, depois de definir a fé, focaliza Abraão e Sara como modelos (vv.8.9). Chamados, eles obedecem prontamente e partem para um lugar desconhecido. Deus lhes promete uma terra e eles confiam cegamente nesta promessa. Eles foram, primeiramente, morar como estrangeiros, como peregrinos na terra prometida, a terra de Canaã. Sua residência final como cidadãos de plenos direitos, o que era objeto de sua esperança, era a “cidade de sólidos alicerces que tem Deus mesmo por arquiteto e construtor” (v. 10). Também Sara, idosa e estéril, que, a princípio, vacilou, acabou acreditando plenamente, por isso Deus lhe recobrou o vigor e dela fez nascer uma descendência tão numerosa como as estrelas do céu e os grãos de areia da praia do mar (v. 12).

 

Somos peregrinos deste mundo

 

Os versos 13 a 16 retomam a reflexão geral sobre a fé dos patriarcas, mostrando que Deus adiou a realização plena das promessas. Eles morreram na fé, sem perder a esperança. Eles não viram o Prometido de perto, mas o viram e saudaram de longe. É isso que afirma São João, quando diz: “Vosso pai Abraão exultou por ver o meu dia. Ele viu e se alegrou” (Jo 8,56). Todos eles “confessaram que eram estrangeiros e peregrinos sobre a terra”. Todos estavam em busca da pátria celeste, a pátria definitiva, a cidade preparada pelo próprio Deus, da qual Canaã era apenas uma prefiguração.

 

A prova mais dura – o sacrifício de Isaac

Os versos 17-19 apresentam a prova mais dura e, por isso mesmo, a expressão mais genuína da fé de Abraão: o sacrifício do seu único filho, herdeiro das promessas. Abraão não hesitou um minuto. Ele acreditava “que Deus tem poder até de ressuscitar os mortos, e assim recuperou o filho – o que era uma prefiguração”. Podemos dizer que Abraão é o símbolo da fé e Isaac símbolo de Cristo.

 

 

EVANGELHO – Lc 12,32-48

 

Advertência geral: desapegos e partilha.

Os vv. 32-34 estão ligados ao que já foi dito sobre o abandono nas mãos do Pai e sobre a busca fundamental, ou seja, a busca do Reino de Deus. O pequeno rebanho não deve se intimidar diante dos conflitos e perseguições dessa sociedade gananciosa, interesseira e egoísta. Afinal, o Reino é um dom gratuito do Pai e ele no-lo dá com prazer e alegria. Entesoura para o céu quem se esvazia aqui na terra. As coisas da terra se corrompem e podem ser roubadas. As coisas do céu são incorruptíveis. Quem coloca seu tesouro no céu, coloca lá também seu coração. O importante aqui é libertar-se do espírito de posse e abrir o coração para a partilha.

 

Rins cingidos e lâmpadas acesas

 

Rins cingidos significa atitude de alerta e prontidão para o trabalho. A túnica longa atrapalhava os movimentos, então, era preciso levantá-la e amarrá-la na altura dos rins. “Lâmpadas acesas” é uma expressão de igual significado, pois, na emergência, não há tempo para correr e providenciar pavio, óleo, acender a lâmpada, etc.

O resto do texto é uma ilustração sobre a vigilância e pode ser dividida em três parábolas.

 

a) A parábola do servo que esperava a volta do seu patrão (vv. 36-38)

Este patrão é diferente, pode chegar a qualquer momento e bater à porta. O servo tem que estar atento e preparado; só assim ele será feliz. Este patrão, que chega e serve ao invés de ser servido, só pode ser Jesus.

 

 

b) Em que hora da noite vai chegar o ladrão? (vv. 39-41)

 

Ninguém sabe. Jesus vai chegar como o ladrão, ou seja, sem avisar. Por isso, o cristão deve estar sempre preparado e vigilante.

À pergunta de Pedro se a parábola é para eles, os dirigentes, ou para todos, Jesus responde com uma terceira parábola

 

c) Parábola do servo fiel e prudente (vv. 42-44)

 

O patrão viajou e deixou um servo para tomar conta de tudo. Se ele for fiel, sóbrio e vigilante e não abusar da confiança, será recompensado, do contrário será punido. O patrão é um só e cada um de nós recebe um dever de servir e não direitos e poderes. Deus vai exigir mais de quem tem mais consciência de seu serviço, ou seja, daquele a quem foi dado mais.

 

Dom Emanuel Messias de Oliveira

Bispo diocesano de Caratinga

 

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