17º DOMINGO DO TEMPO COMUM – 28/7/2019

Autor Claudio Geraldo | Data 3 de julho de 2019



1a  LEITURA – Gn 18,20-32

 

Abraão, modelo de fé, acolhimento e disponibilidade, é apresentado aqui como modelo de oração que brota de um relacionamento íntimo com Deus, relacionamento aberto, confiante, e ao mesmo tempo franco, sincero como também profundamente humilde. Abraão reconhece a grandeza do ser de Deus, o tamanho do seu coração justo e misericordioso, como também, da sua parte, reconhece a pequenez do seu ser; ele tem consciência de que é pó e cinza (v. 27). O assunto desse impressionante diálogo é Sodoma e Gomorra. O v. 20 insinua que o pecado deles é a injustiça. Em 19,5 percebemos que a injustiça, no campo social, destrói e perverte o relacionamento entre as pessoas, conduzindo-as às aberrações de todos os tipos.

 

A primeira preocupação de Abraão e sua descoberta

Deus está disposto a destruir as cidades de Sodoma e Gomorra. Abraão intercede questionando a justiça de Deus. Deus vai destruir o justo juntamente com o injusto? A primeira descoberta é que Deus não vai destruir o justo com o injusto e mais ainda que Deus é capaz de salvar a cidade toda por causa de alguns justos.

A segunda preocupação de Abraão

Quantos justos são necessários para salvar a cidade inteira? E aqui percebemos a beleza do diálogo, onde se entrelaçam intimamente, ousadia, atrevimento, delicadeza e humildade. Ousadamente, mas com uma delicadeza e respeitos profundos Abraão conseguiria obter de Deus a salvação da cidade através de apenas 10 justos. Abraão na sua oração de intercessão conseguiu do coração misericordioso de Deus abaixar o número de 50 para 10. Mas por que parou?

 

A misericórdia de Deus é infinita

Abraão quis descobrir o tamanho da misericórdia de Deus. Ele caminhou certo, mas pôs limites à misericórdia do Onipotente. Ele descobriu segredos importantes no mistério do amor divino; de fato Deus não destrói o justo com o injusto, pelo contrário,  ele valoriza a intercessão do justo. Depois, pelos profetas e pelo Novo Testamento ficamos sabendo que Deus não quer a morte do pecador, mas que ele viva (Ez 33,22). Abraão descobriu alguns segredos da misericórdia, mas ele não sabia que Deus andava procurando por um único justo para justificar a salvação da cidade dos homens. Isto os profetas vão intuir (cf. Jr 5,1; Ez 22,30). Mas só um homem vai conseguir reunir a justiça e agradar o coração misericordioso de Deus. E este homem é seu Filho Jesus Cristo (Jo 3,16-17). Através desse único justo Deus salva a humanidade inteira.

 

2a  LEITURA – Cl 2,12-14

 

Lembramos mais uma vez o pano de fundo da carta. Do lado de fora muita influência de vãs filosofias pagãs atribuindo a forças intermediárias o mesmo valor de Jesus Cristo como se Jesus fosse um entre tantos mediadores entre Deus e os homens. Do lado de dentro a imposição da Lei por parte dos cristãos judaizantes como se a Lei tivesse poder salvífico. No fundo os colossenses estavam começando a confundir tudo, estavam querendo, como os pagãos, acalmar a divindade, através de rituais e submissões a detalhes de leis e prescrições. A porta para a submissão aos detalhes da Lei era a circuncisão. Por outro lado, a porta de entrada para a religião da liberdade é o batismo. A religião é fundamentada não na Lei, mas na graça, no amor de Cristo. O batismo cristão é morte para o pecado e ressurreição para uma vida nova. Nós estamos mortos pelo pecado, mas Deus nos concedeu a vida juntamente com Cristo.

 

O que Cristo fez por nós?

O texto de hoje quer mostrar exatamente isso. Jesus fez o que a Lei, não tinha capacidade de fazer. A Lei apenas apontava transgressões. Jesus, ao contrário, perdoou as nossas faltas. Contra nós havia um título de dívida. Jesus anulou esta dívida, ele pregou este título na cruz, fazendo-o desaparecer. Tudo que devíamos a Deus foi pago por Jesus Cristo e a Lei que nos fazia endividar perdeu o sentido. Vivemos agora não uma religião de méritos, mas a gratuidade do amor de Deus em Cristo. Entramos nessa novidade de vida através do batismo.

 

EVANGELHO – Lc 11,1-13

 

Estamos sem dúvida diante de uma catequese sobre a oração. Lucas quer ensinar a oração ao povo convertido do paganismo que não estava habituado a rezar ao Pai misericordioso. Ele usa os ensinamentos de Jesus de um modo adequado à sua comunidade, por isso sua catequese sobre a oração é diferente da de Mateus. Jesus não pretende nos ensinar uma oração, mas sobretudo um novo modo de rezar. Os mestres daquele tempo (como João Batista) ensinavam seus discípulos uma oração como síntese dos seus ensinamentos. Jesus vai na mesma linha e mostra como síntese da vida cristã um relacionamento novo com o Pai e com os irmãos. Primeiro, Jesus mostra o relacionamento com o Pai: “Pai santificado seja o teu nome. Venha o teu Reino.” O nome expressa a identidade da pessoa. Deus é para nós um Deus de amor, um Deus que é Pai, mais ainda, um Deus que é papai, paizinho, Pai querido. Jesus nos mostra um Deus íntimo de nós. Ele é santo e quer ser o Pai de uma família unida, fraterna e solidária. É neste Reino que Deus quer reinar. Em seguida, Jesus mostra como deve ser o relacionamento entre os filhos. “Dá-nos a cada dia o pão de amanhã”. Este pão de amanhã é aquele dom de Deus que preenche a vida do homem em todos os sentidos. A cada dia, quer salientar que os bens da criação pertencem a todos. Devemos ter confiança que este pão não vai faltar na mesa de ninguém, se soubermos partilhar a vida abundante que Deus deu para todos. O perdão que Deus nos dá está condicionado, de um modo muito claro, ao perdão que damos aos outros. O último pedido: “Não nos deixeis cair em tentação”. É muito mais sério do que parece. No fundo, significa: não nos deixeis perder a fé. Essa é a grande e perigosa tentação para a comunidade cristã, que vive num mundo pagão e estruturalmente injusto, mais voltado para os ídolos e caricaturas de Deus do que para o verdadeiro Deus.

Os vv. 5-13 querem fundamentar a confiança na oração. A confiança deve ser total. A gente deve rezar com a certeza de ser atendido e insistir sem achar que está amolando. Nem um amigo entre nós nega o que pedimos. Ainda temos uma novidade, o Pai do céu nos dá muito mais do que pedimos, ele nos dá o dom total, o Espírito Santo.

 

 

 

Dom Emanuel Messias de Oliveira

Bispo diocesano de Caratinga

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