Reconciliação, a busca por um novo caminho

Autor Claudio Geraldo | Data 1 de março de 2019



“Ora, tudo vem de Deus, que, por Cristo, nos reconciliou consigo e nos confiou o ministério da reconciliação” (2Cor 5,18).

 

O primeiro gesto de reconciliação vem de Deus. É ele que nos reconcilia consigo. A Morte e a Ressurreição de Jesus são o motivo, a fonte e a causa da reconciliação dos homens entre si e com Deus Pai, que por Cristo, no Espírito, pela mediação da Igreja nos perdoa os pecados, como diz S. Paulo: “Cristo morreu por todos para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para Aquele que por eles morreu e ressuscitou” (2 Cor 5,15.17). Depois, v o nosso gesto de arrependimento, como o filho pródigo que se arrepende e decide voltar para a casa do pai (Lc 15).

 

A Misericórdia de Deus é imensamente maior que os nossos pecados, por maiores que sejam. Deus perdoa sempre, se, arrependidos, quisermos ser perdoados e libertos por Ele, que nos amou até ao ponto de ter entregue o Seu Filho por nós. Mesmo quando estamos atravessando os “vales tenebrosos” (S. 23,4), e o tentador sugere que nos abandonemos ao desespero ou deponhamos uma esperança ilusória nas obras de nossas mãos, Deus nos guarda e ampara. Ele próprio nos acompanha através do deserto da nossa pobreza, amparando-nos no caminho que nos leva à alegria intensa da Páscoa.

 

A reconciliação é a busca do novo que Cristo nos traz, por isso Jesus começa o seu ministério com as palavras: “ Convertei-vos e crede no Evangelho”, ou seja, na Boa Nova. A conversão é a mudança de vida, da vida de pecado para a vida da graça em Cristo. É a passagem das trevas para a luz, a mudança do homem velho para o homem novo (Col 3, 9-10). A reconciliação é uma demonstração da paixão que temos por Nosso Senhor Jesus Cristo. É Ele que nos faz sair de nós mesmos e ir ao encontro do outro. A comunhão com nossos irmãos é o caminho para nossa comunhão com Deus. Nascemos para o outro e não para nós mesmo e não há Igreja sem essa comunhão, sem reconciliação.

 

Se seu coração está dividido, reconcilie-se consigo mesmo, com seus familiares, com seus irmãos. Se você é motivo de divisões, converta-se, rompa com as trevas do pecado e volte para casa do pai, assim como fez o filho pródigo. O tempo quaresmal é um tempo privilegiado da peregrinação interior até Aquele que é a fonte da misericórdia. Aproveite este tempo! Não deixe a misericórdia de Deus passar em sua vida, meu querido leitor. Se você está nas trevas, busque a Luz, busque a Deus, pois Deus é Luz; busque a reconciliação consigo mesmo, com seu irmão e com Deus. O melhor caminho, o mais certo e o mais fácil é através da confissão individual. Os padres estão aí a nossa disposição. Eles foram ungidos por Deus para isso, para o ministério da reconciliação, assim como afirma S. Paulo na carta aos Coríntios (2Cor 5,18). Deixemo-nos transformar pela eficácia redentora dos sacramentos da confissão e da reconciliação, que fluem do Amor Misericordioso de Deus, para que assim, possamos construir a Igreja de Deus, Esposa do Cordeiro, chamada a testemunhar a fé e a comunhão do amor a Deus e aos irmãos.

 

 

Dom Emanuel Messias de Oliveira

Bispo Diocesano de Caratinga

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