O religioso não está nas ‘arquibancadas’, mas em campo: irmã Dionísia Pereira

Autor Claudio Geraldo | Data 31 de julho de 2018



Por ocasião do Mês Vocacional, celebrado em Agosto, a irmã Dionísia Pereira Duarte, Irmâzinha da Imaculada Conceição, secretária da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB) Nacional deu pistas para quem sente o chamado à vida religiosa consagrada, uma das formas de ser e estar à serviço da Igreja no Brasil e no mundo. Para ela, a vocação a viver a vida religiosa consagrada é um grande desafio à misteriosa e exultante experiência de sentir-se chamado/a a viver a “forma de vida de Jesus”. E a caminhar numa “Igreja em saída”. A CRB é um organismo vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que atualmente integra 455 congregações religiosas, sendo 352 femininas e 103, masculinas. Acompanhe a íntegra da entrevista abaixo.


Quantas congregações religiosas (masculinas e femininas) atuam no Brasil?


Podemos informar sobre as que estão cadastradas na CRB Nacional. São 103 Congregações masculinas e 352 Congregações femininas. Esperamos que, a partir de 2019, o censo da Igreja Católica que está sendo realizado pelo CERIS, apresentará dados mais concretos quanto ao número de congregações e de religiosos/as existentes no Brasil.

 

Quais os desafios da Vida Religiosa Consagrada atualmente?


A VRC é chamada a viver a vida cristã com mais radicalidade no seguimento de Jesus. Busca ser sinal profético do Reino e dar testemunho de vida de fé, esperança e caridade. Neste contexto e nestes tempos, o desafio é viver uma mística e espiritualidade que signifiquem e ressignifiquem a vida do/a consagrado/a.

 

A vocação à VRC é um grande desafio à misteriosa e exultante experiência de sentir-se chamado/a a viver a “forma de vida de Jesus”. Essa é, de fato, a vocação originária da Vida Religiosa: reproduzir a “forma de vida” de Jesus, deixando-se configurar em tudo pelos seus valores e estilo de vida. O chamado de Jesus altera vida da pessoa e a obriga a pensar de outra forma o próprio “eu”. Só essa experiência pode justificar que alguém abra mão de algo que até o momento era para ele absoluto, irrenunciável.

 

O Livro “Vida Religiosa Consagrada em Processo de Transformação”, publicado em 2015 aborda esta temática atual da VRC.

 

Qual o atual rosto da vida religiosa consagrada no Brasil?


O rosto da VRC apresenta-se num processo de transformação.
Como Jesus, procura viver e lutar pela causa do Reino, o que não se identifica com uma espiritualidade alienante, fora da realidade do mundo. Vive-se como pessoas tão inseridas ao que acontece ao redor e na atualidade, que a vida religiosa consagrada é um protesto constante e firme a tantos despropósitos e atropelos, a tanto desamor e egoísmo, a tanta violência, ódio e sofrimento que o mundo provoca.

 

O número de religiosos é suficiente para a consolidação da caminhada da Igreja no Brasil?


Quando pensamos numa Igreja Povo de Deus, e aí está a VRC, a caminhada acontece e se realiza nesta parceria e compromisso com todos os cristãos e cristãs. Estamos celebrando o Ano Nacional do Laicato. Os Leigos no Brasil estão inseridos na Igreja e a VRC faz parte do Laicato. Assim, juntos, se busca ser “sal da terra e luz do mundo” (Mt 5,13-14). A vida religiosa consagra a Deus o próprio mundo. Como todos, o religioso/a não está nas “arquibancadas”, mas entra em campo, caminha com toda a “Igreja em saída”. Nunca seu número será suficiente. O próprio Jesus experimentou isto quando sugeriu: “Grande é a messe, mas poucos são os operários. Rogai ao Senhor da messe que mande operários para a sua messe (Lc 10,2-3).

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