O protetor do Redentor

Autor Redacao | Data 2 de março de 2020



“José, filho de David, não temas receber contigo Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é obra do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados” (Mt 1, 20-21).

 

Nestas palavras está contido o núcleo central da verdade bíblica sobre São José, o castíssimo esposo de Maria.  Ele foi pai verdadeiro de Jesus, não pela carne, mas pelo coração; não pela paternidade física, mas pela adoção legal. Protegeu o Menino Jesus das mãos de Herodes, e o educou juntamente com Maria, sua mãe, ensinando-lhe, inclusive, o caminho do trabalho. Jesus em momento algum se envergonhou de ser chamado “filho do carpinteiro”. Naquela rude carpintaria de Nazaré, ele trabalhou até iniciar Sua vida pública, mostrando-nos a importância do trabalho.

Na história da salvação São José deu ao Menino o nome de Jesus, que significa “o Senhor salva” fazendo-o descendente da linhagem de Davi, como era necessário para cumprir as promessas divinas: “Ela dará à luz um filho e tu o chamarás com o nome de Jesus, pois ele salvará o seu povo dos seus pecados” (Mt 1,21).

 

A vida de São José é um grande exemplo para todos nós. Ele nos ensina a educar através do silêncio, e sabemos que a autoridade paterna nunca lhe faltou. Ele nos ensina isso em tempos onde os pais já não conseguem cativar seus filhos e onde os filhos estão tendo dificuldade de obedecer a seus pais. Em Jesus vemos o exemplo de submissão e obediência. Podemos ler isto em Lc 2, 51: “Jesus desceu, então, com seus pais para Nazaré e era-lhes submisso.” Por detrás destas palavras podemos ver aqui a autoridade de São José, pai adotivo de Jesus e de sua mãe, a Santíssima Virgem Maria.  Isso mostra-nos a enorme importância do pai na vida dos filhos. Se o Filho de Deus quis ter um pai, neste mundo, o que dizer de muitos filhos que crescem sem a figura de um pai ao seu lado? O que dizer de tantos “filhos órfãos de pais vivos” que existem pelo mundo. São José é o oposto destes pais omissos, sempre esteve presente na vida de Jesus, e além de pai foi um esposo castíssimo, amoroso e fiel.

 

Na exortação apostólica “Redemptoris Custos” (o protetor do Redentor), O papa João Paulo II, declarou: “Assim como cuidou com amor de Maria e se dedicou com empenho à educação de Jesus Cristo, assim também guarda e protege o seu Corpo Místico, a Igreja” (nº 1). Hoje, ainda temos motivos que perduram, para recomendar todos e cada um dos homens a São José” (nº 31). Portanto nada mais justo que considera-lo O Patriarca e Patrono da Santa Igreja.  Foi na linha do papa Bento XIV (século XVIII) atribuindo a  São José o título de Patriarca que  Pio IX  promulgou em 1870 um decreto declarando São José como Patrono da Igreja Universal. É com alegria que vemos na figura do Patriarca São José o maior de todos os santos.

 

E o mais interessante é que São José, nos evangelhos, não fala uma palavra. José apenas ouve o anjo de Deus e obedece. Ele é o homem da escuta, o homem do silêncio. Seu silêncio é absoluto, impressionante! Podemos dizer que seu silêncio é gritante. Ele não fala, apenas age. Ele nos lembra o comportamento de Abraão no sacrifício de Isaac: Abraão apenas obedece sem nenhum questionamento.  Abraão caminha em profundo e doloroso silêncio (Gn 22).  José é o homem do silêncio, da obediência e da ação.

 

São José, assim como a Virgem Maria, com o seu “sim” a Deus, preparou a chegada do Salvador, com todos os cuidados que Jesus precisava. São José cuidou também da Mãe  do Redentor. Não lhes faltou nada. Deus Pai contou com ele e não foi decepcionado.

 

Que o Senhor, em sua infinita misericórdia, também possa contar conosco! Todos nós, como batizados, temos a nobre missão de cumprir os planos de Deus e dizer sim a Deus como o fez São José. Hoje, em tempos de tanta conversa vazia e sem sentido,  o silêncio ativo e participativo do grande Patriarca São José é uma enorme lição para cada um de nós.

 

Dom Emanuel Messias de Oliveira

Bispo diocesano de Caratinga

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