MOBON: 40 anos a serviço da evangelização

Autor Claudio Geraldo | Data 13 de março de 2019



 

O trabalho de evangelização do MOBON – Movimento da Boa Nova – antecede em muito a criação da Casa do Mobon, em Dom Cavati-MG e, ao mesmo tempo, extrapola o alcance da visibilidade que esta casa lhe confere. Ao celebrar os 40 anos da Casa do Mobon, temos uma boa oportunidade para resgatar a sua importância e procurar divulgar um pouco de sua contribuição para a caminhada de evangelização em Minas Gerais e em outros Estados do Brasil.

 
A construção deste centro de evangelização aconteceu durante o ano de 1978, com doações vindas das várias paróquias da região e mediante o trabalho de mutirão da parte do povo das comunidades. Foi um ano de intenso trabalho e logo veio a sua inauguração no dia 11 de março de 1979. Ano em aconteceu também a importante Conferência dos bispos latinoamericanos em Puebla, no México. A Casa do Mobon foi construída com o objetivo de formar animadores de comunidades. Um espaço que favorecesse o encontro do povo com a Palavra de Deus, em um ambiente acolhedor e fraterno. Nesses 40 anos, a Casa do Mobon prestou relevantes serviços à Diocese de Caratinga e região.  Promoveu encontros de formação bíblico catequética e pastoral, sempre sintonizada com a caminhada da Igreja, na busca de promover a conscientização dos leigos e leigas para um maior engajamento na vida eclesial e social.

 

As raízes desta Casa

O começo do trabalho aconteceu a partir de uma iniciativa do Pe. Geraldo Silva, Missionário Sacramentino de Nossa Senhora, em Alto Jequitibá-MG, alguns anos antes do Concílio Vaticano II. Diante da carência do povo no conhecimento da doutrina e da Palavra de Deus, ele intuiu a necessidade de formação bíblica e iniciou as “escolas bíblicas”, sobretudo para responder às polêmicas protestantes. Este trabalho bíblico com grupos de leigos clareava as questões de fé, doutrina cristã e amor à Igreja. O grupo começado por ele ganhou o nome de “Pioneiros do Evangelho” e fazia parte de uma organização recebeu o nome de MAPE “Movimento de Apostolado dos Pioneiros do Evangelho”.

 

O Movimento do Boa Nova

Com o Concílio Vaticano II, convocado pelo Papa João XXIII, abriram-se novos horizontes para a vida e a caminhada da Igreja, agora com uma postura mais aberta aos leigos e com propostas mais ecumênicas. Alípio Jacintho da Costa, na época ainda um jovem religioso sacramentino, depois de um curso no Chile, em meados de 1966, dá uma nova configuração ao trabalho de evangelização. Assim ele destaca: “Os encontros e reflexões acontecidos no pós Concílio nos levaram a ampliar a visão e passamos a seguir o caminho da renovação da vida pessoal e da formação para a vida em comunidade. O trabalho bíblico foi descolando-se da linha apologética e assumindo a linha do compromisso com a vida familiar, a organização de comunidades e o fortalecimento do culto dominical e da catequese.”
Alípio relata que o trabalho de conclusão do seu curso no Chile passou a se constituir o esquema dos cursos de formação para as lideranças leigas nas comunidades. Tratava-se de apresentar Jesus como a grande Boa Nova do Reino de Deus. Basicamente, dois cursos mais centrais: o “Pré Boa Nova” que era um despertar para o engajamento na vida de comunidade, e o “Boa Nova” que tinha o objetivo de fazer a pessoa assumir um ofício de liderança na comunidade e até ajudar na aplicação de outros cursos. Os dirigentes que aplicavam os cursos começaram a ser chamados de “Turma da Boa Nova” e, posteriormente, veio a ser o motivo da mudança do nome para “Movimento da Boa Nova.
Alípio destaca ainda que, com o entusiasmo gerado pelo estudo bíblico, começaram a surgir os grupos de reflexão. Inicialmente era a indicação de um texto bíblico para cada semana acompanhado de uma pergunta motivadora. A resposta desta pergunta era partilhada entre os grupos, no final do mês, o que veio a configurar-se como “plenário”. Um espaço de troca de ideias e elemento importante para socialização e clareamento das ideias. Aos poucos se vai evoluindo até chegar à publicação dos “roteiros de grupo de reflexão” assumidos posteriormente pela Diocese de Caratinga. Esses grupos foram se aperfeiçoando e tomando corpo em nossa Diocese e em muitas outras aonde o trabalho da Boa Nova ia atingindo.

 

MOBON 40 ANOS:

A casa do Mobon foi construída pelo povo simples. Foi edificada com recursos vindos de doações das comunidades, foi edificada por eles e para eles, em função de favorecer a formação dos pobres para o discipulado missionário. É preciso que ela continue sendo deles, acessível, acolhedora, um lugar onde o pequeno se descubra em sua dignidade, como gente, como filho de Deus e com uma grande missão a realizar na Igreja e na sociedade. É diante disso que João Resende afirma que esses 40 anos da Casa do Mobon é, na verdade, um “tributo ao leigo”. E, em uma conversa bastante espontânea com Alípio e João Resende no mês de janeiro deste ano, pedimos que destacassem o que eles veem de mais importante nestes 40 anos do Mobon e qual o grande desejo que alentam em seu coração. Eis o que eles dizem:

 

Alípio:

“O que eu estou vendo hoje de mais importante são os novos missionários que estão aparecendo. O João e eu já fizemos muitos trabalhos, estamos ficando velhos. Hoje vemos um grupo bom de gente, leigos e leigas conscientes, jovens de pé no chão e que anunciam a Palavra com aquele entusiasmo. Pessoas capazes de provocar um novo entusiasmo em outros. [...] Pra mim, o mais importante são esses novos discípulos de Jesus que estão crescendo. Os jovens de hoje com suas ideias, uma nova geração que está a serviço da Igreja como entusiasmo e alegria. A família cresceu… mas, essa nova geração de discípulos surge para levar o trabalho adiante.”

 

João Resende:

“Nós estamos num ano jubilar, ocasião para fazer uma memória prospectiva. A memória tem maior valor quando se alimenta do que aconteceu e faz uma prospectiva de continuidade da caminhada. O que faz esse Movimento da Boa Nova ir pra frente é a fidelidade à formação de leigos como discípulos missionários. Esse é um grande desafio, pois o leigo não é tanto o pregador, mas aquele que se torna discípulo e se dispõe a também formar novos discípulos. Constituindo-se ‘discípulos missionários’.

 

Há pelo menos duas urgências neste pós-jubileu: desenvolver a contemplação entre os leigos, ser contemplativo, para alimentar a mística que vai nos dar forças para ir pra frente. Não tem como caminhar sem essa mística do Evangelho. [...] Outra é o caminhar ‘sentindo com a Igreja’ fazendo eco com o que Ela nos propõe, hoje. É preciso que o MOBON desenvolva em nós um sentido poético, não de versar, mas de ler a realidade de uma maneira agradável, mais simpática, mais leve, mais simples, isso vai nos puxar, cada vez mais, pra frente até no próximo jubileu, se Deus quiser”.

 

Alípio:

“Meu desejo e esperança é que esse trabalho do MOBON não morra. É o que eu peço todos os dias. Assim como Maria, nas Bodas de Caná, sentiu a falta do vinho, faço a prece para que Nossa Senhora fale com Jesus desta falta de vinho que é de gente com vontade, com disposição e seriedade, que queira trabalhar na evangelização. Tenho fé e esperança de que esse trabalho vai crescer ainda mais e vai aparecer essa gente nova. [...] Que esse Movimento não pare! Que esse “fazer discípulos” faça do MOBON um grande lutador nesse sentido, como Santa Terezinha: “vamos continuar fazendo o bem do céu aqui na terra”. Que este trabalho de evangelização não pare, seja da forma como acontece hoje, seja em novos meios ou em novos espaços como pela internet, nas redes sociais, mas que não pare”.

 

João Resende:

“Uai, esses 40 anos diz muitas coisas. Entre elas, diz que a gente deve juntar: leigo e bíblia – bíblia e leigo. Quando essa dupla dá as mãos, nada embarranca. Quando o leigo assume a bíblia e ela é vivida, interpretada, relida pelo leigo, a partir de sua realidade, gera uma força tão grande que garante o futuro de um bom trabalho de evangelização. É o leigo abraçando a bíblia e a bíblia abraçando o leigo, o meu sonho é que essa dinâmica perdure até à eternidade.”

 

 

Denilson Mariano da Silva

Missionário Sacramentino

Mitra Diocesana de CaratingaPraça Cesário Alvim, 156Caratinga - MG35.300-000 - (33) 3321-4600