Leigos que realizam o sonho de Deus

Autor Redacao | Data 1 de novembro de 2019



Nos tempos atuais, onde observamos uma crescente hostilidade entre as pessoas, somos constantemente desafiados a viver e a testemunhar a solidariedade e a fraternidade de forma efetiva junto aos nossos irmãos. Diante deste crescente chaga passamos a refletir sobre o verdadeiro papel do leigo na Igreja e no mundo. Muitos podem pensar que a Igreja é uma espécie de refúgio, no qual se pode fugir do mundo hostil. É verdade que na Igreja encontramos esse espaço de paz verdadeira, precisamos reconhecer que é essencial que essa paz chegue aos quatro cantos do mundo. Porém o próprio Cristo nos diz: “ Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura”. (Mc 16,15).

 

Cristo, com sua encarnação, valorizou o mundo e os homens e é missão de todo o batizado buscar transformá-lo, com o máximo das nossas capacidades e possibilidades, fazendo com que o Reino de Deus, que Ele veio anunciar, chegue a todos.

 

O leigo está chamado a ser Sujeito Eclesial. E o que significa isto? Significa reconciliar toda a realidade humana e divina em uma mesma pessoa, ser à imagem daquele que é Deus e homem, Jesus. E este sujeito atua no mundo, como um cidadão comum, mas a sua atuação é fruto de seu ser, e este ser está a serviço do Reino por meio da Igreja. Em outras palavras, o sujeito eclesial está chamado a fazer parte ativa da missão da Igreja e restaurar tudo em Cristo, sob a proteção e guia de Maria.

 

O Documento de Aparecida assim define os leigos: “Os fiéis leigos são os cristãos que estão incorporados a Cristo pelo batismo, que formam o povo de Deus e participam das funções de Cristo: sacerdote, profeta e rei. Eles realizam, segundo sua condição, a missão de todo o povo cristão na Igreja e no mundo. São homens da Igreja no coração do mundo, e homens do mundo no coração da Igreja”. (cf. DA nº 209).

 

E segue dizendo: “Os leigos são chamados a participar na ação pastoral da Igreja, primeiro com o testemunho de sua vida e, em segundo lugar, com ações no campo da evangelização, da vida litúrgica e outras formas de apostolado segundo as necessidades locais sob a orientação de seus pastores”. (cf. DA nº 211).  Aqui um leve puxão de orelhas para o clero, muitas vezes os leigos desanimam porque eles não encontram esse estímulo no seu padre, na sua paróquia ou até no próprio bispo. Nós, da hierarquia da Igreja, precisamos ser estímulo constante e permanente na vida dos nossos cristãos leigos e leigas. Com certeza, com o nosso apoio e entusiasmo os envolvendo, eles não vão desanimar.

 

Será sonhar demais para a Igreja ver o leigo assumindo seu protagonismo diante de sua verdadeira missão de discípulo? Há mais ou menos 54 anos, final do Concilio Vaticano II, a Igreja vem sonhando com isso. Na edição 883 da Revista Diretrizes, abril/2015, em uma breve reflexão sobre os Grupos de Reflexão, que no meu entender é o canteiro das vocações, disse que para chegarmos a ser uma comunidade de comunidades, paróquias revitalizadas, nós, discípulos missionários, temos que ter verdadeira paixão pelo serviço. Neste mês em que a Igreja comemora o  dia Nacional dos Cristãos Leigos e Leigas, reitero minhas palavras naquela edição e faço a todos o mesmo convite que fiz ao final; Vamos Sonhar Juntos?

 

 

Dom Emanuel Messias de Oliveira

Bispo diocesano de Caratinga

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