Domingo de Ramos

Autor Claudio Geraldo | Data 13 de abril de 2019



No próximo domingo a Igreja celebra o Domingo de Ramos da Paixão do Senhor. Neste dia, recordamos a entrada de Cristo em Jerusalém. Começa-se assim a Semana que nós, no Ocidente chamamos “Semana Santa” e os irmãos do Oriente chamam “Grande Semana”. Santa, porque nesta semana nós celebramos os mistérios mais santos de nossa fé. Grande, pelo mesmo motivo, ou seja, nesta semana, fazemos memória dos maiores eventos da história de nossa salvação.

 

No início do século V, uma monja espanhola de nome Etéria fez uma peregrinação à Jerusalém. Em seu diário, escreveu para suas coirmãs de mosteiro tudo o que pode observar. Sobre a Semana Santa e o Domingo de Ramos faz estas observações:

 

“No dia seguinte, isto é, no domingo em que se entra na semana pascal, aqui chamada “a grande semana”, celebram-se, desde o primeiro cantar dos galos até de manhã. (…) À sétima hora, (13 horas) todo o povo e também o bispo, sobe à igreja do Monte das Oliveiras, isto é Eleona. Recitam hinos e antífonas adequados a esse dia e lugar e igualmente leituras. Por volta da nona hora (15 horas), entoando hinos, sobem ao Imbomon, isto é, ao sítio de onde subiu o Senhor aos céus e aí se sentam. Só os diáconos permanecem o tempo inteiro de pé. Também aí recitam hinos e antífonas apropriados ao lugar e ao dia e, igualmente, leituras intercaladas e orações. Aproximando-se a undécima hora (17 horas), lêem o passo do Evangelho segundo o qual as crianças correram ao encontro do Senhor com ramos e palmas dizendo: “Bendito seja o que vem em nome do Senhor” (Mt 21,8-9). Levantam-se, imediatamente, o bispo e todo o povo e, do alto do monte das Oliveiras, descem todos a pé. E caminha todo o povo à frente do bispo, entoando hinos e antífonas e repetindo sempre: Bendito seja o que vem em nome do Senhor. E todas as crianças da região, até mesmo as que, pela pouca idade, não podem andar pelos seus próprios pés e que os pais carregam ao colo, todas levam ramos – umas de palmas, outras de oliveiras; e acompanham o bispo tal como foi acompanhado o Senhor (Mt 21,8). Do alto do monte até a cidade e daí até a Anástasis, através de toda a cidade, o caminho todo perfazem-no todos a pé, mesmo as senhoras e os chefes; todos, cantando, acompanham o bispo lentamente, mui lentamente para que não se canse o povo; e, continuando sempre, chegam, já tarde, à Anástasis. E embora cheguem tarde, celebram contudo o lucernare, fazem uma nova oração, junto à Cruz, e dispersam-se”.

 

No Ocidente a procissão com os ramos foi introduzida por volta dos séculos VII e VIII na Espanha e na Gália. Em Roma, somente no século X, encontra-se uma descrição desta procissão.

 

Na Idade Média, para reproduzir a circunstância da entrada de Jesus em Jerusalém, foi introduzida a prática de levar, durante a procissão, um símbolo de Jesus: Na Itália, o Evangeliário ou um Crucifixo, na Inglaterra, o Santíssimo Sacramento, na Baviera, na Áustria e em Cracóvia, um jovem representando Jesus, montado em um jumento. Durante a leitura da Paixão, também na Idade Média se introduziu o costume de parar a leitura depois da palavra “espirou” e permanecer por um pouco de tempo em silêncio.

 

O Domingo de Ramos da Paixão do Senhor é uma celebração que mistura alegria e dor. Em sua homilia no Domingo de Ramos de 2017, o Papa Francisco assim se expressou: “Esta celebração tem, por assim dizer, duplo sabor: doce e amargo. É jubilosa e dolorosa, pois nela celebramos o Senhor que entra em Jerusalém, aclamado pelos seus discípulos como rei, ao mesmo tempo, porém, proclama-se solenemente a narração evangélica da sua Paixão. Por isso o nosso coração experimenta o contraste pungente e prova, embora numa medida mínima, aquilo que deve ter sentido Jesus em seu coração naquele dia, quando rejubilou com seus amigos e chorou sobre Jerusalém.

 

Para encerrar esta mesma homilia, o Papa tem estas palavras: “E este Jesus, que aceita ser aclamado, mesmo sabendo que o espera o “crucifica-o”, da sexta-feira santa, não nos pede para o contemplarmos apenas nos quadros, nas fotografias, ou nos vídeos que circulam na rede. Não. Está presente em muitos de nossos irmãos e irmãs que hoje, sim hoje, padecem tribulações como ele: sofrem com um trabalho de escravos, sofrem com os dramas familiares, as doenças… Sofrem por causa das guerras e do terrorismo, por causa dos interesses que se movem por detrás das armas que não cessam de matar. (…). Jesus está neles, em cada um deles, e com aquele rosto desfigurado, com aquela voz rouca, pede para ser enxergado, reconhecido e amado”.

 

Dom Manoel João Francisco
Bispo de Cornélio Procópio (PR)

 

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