Dois “inimigos sutis” da santidade

Autor Claudio Geraldo | Data 5 de setembro de 2018



O Papa Francisco na Exortação Apostólica “Gaudete et Excultate” sobre a santidade, no capítulo 2º, nos apresenta os dois inimigos sutis da santidade. Quais são eles? São o Pelagianismo e o Gnosticismo chamados pelo papa de duas falsificações da santidade, duas propostas enganosas, duas heresias surgidas nos primeiros séculos do cristianismo com repercussões danosas  até hoje.

 

A santidade tem sua fonte em Deus e chega até nós como dom, como favor de Deus, como graça.

 

O que é o Pelagianismo? É a doutrina (Pelágio é o seu fundador no século V) que, rejeitando o pecado original, ensina que podemos adquirir a santidade com nosso próprio esforço, com nossos atos de piedade à revelia da ajuda da graça de Deus em Cristo. No fundo, poderíamos chegar a Deus sem Cristo. Cristo, como tantos outros santos do Primeiro e Segundo Testamento, seria apenas um mestre a seguir, não o “Salvador do mundo” (Jo 4,42). Ora, Cristo é Deus no meio de nós, sem o qual nada podemos fazer (Jo 15,5 : “Sem mim nada podeis fazer”). O Pelagianismo esvazia a cruz de Cristo. É preciso lembrar o ensinamento da nossa fé que o simples desejo de ser santo supõe em nós a presença da graça de Cristo e de seu Espírito. Em cada passo da vida e da fé, a graça é sempre indispensável.

 

O que é o Gnosticismo? A palavra gnose significa conhecimento. Gnosticismo é a doutrina (também surgida nos primeiros séculos do Cristianismo) através da qual nós chegamos a Deus através do conhecimento intelectual. Ou seja, como o Pelagianismo, a salvação é obra humana, depende de nós. No Pelagianismo, a salvação depende do esforço pessoal de fazer boas obras; no Gnosticismo a salvação depende também do esforço pessoal de aprofundar o conhecimento da verdade. Em todas as duas heresias, percebemos que a graça de Deus em Cristo é dispensável. Para elas, nós podemos nos autodivinizar, ou seja, chegar a Deus por nossa própria conta. Há nessas doutrinas um esvaziamento do mistério. O agir de Cristo em nós é que nos transforma, nos santifica. O papa Francisco nos ensina que a mentalidade gnóstica sempre escolhe o caminho dos raciocínios abstratos e formais, e assim pretende dominar, “domesticar o mistério”. Ora, “Deus nos supera infinitamente, é sempre uma surpresa e não somos nós que determinamos a circunstância histórica em que O encontramos, já que não dependem de nós o tempo nem o lugar do encontro”.

 

Terminamos lembrando as palavras do Papa Francisco que “para ser santo, não é necessário ser bispo, sacerdote, religiosa ou religioso”. A santidade não é uma chamada para poucos, mas um caminho para todos.

 

Dom Emanuel Messias de Oliveira

Bispo diocesano de Caratinga

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