Coração de Jesus, centro do verdadeiro amor

Autor Claudio Geraldo | Data 3 de junho de 2019



No livro do saudoso padre Othon Fernandes Loures, lemos o seguinte relato sobre a implantação do Apostolado da Oração, em Caratinga, no ano1902: “Era belo, majestoso até, ver-se passar esse religioso cortejo de 2000 pessoas aproximadamente. Após o andor do Sagrado Coração de Jesus, passou um grupo de crianças vestidas de anjo, de um efeito alegórico formosíssimo, seguindo-o logo os alunos de instrução primária, com fitas distintivas a tiracolo. Depois, o imponente e formoso cortejo das virgens” (Diocese de Caratinga – Documentos para sua história – 1840-1920, pág 138).

 

Durante minha vida como presbítero, depois como bispo, sempre tive o consolo das orações dos devotos do Sagrado Coração de Jesus. Ai de mim! Se não fosse a oração das senhorinhas piedosas, que todas as primeiras sextas-feiras do mês, elevam suas orações a Deus intercedendo por mim e por toda a Igreja.

 

Em junho, especialmente, somos convidados a aproximar nosso coração ao Coração de Jesus. Celebrar esta devoção que tem o amor como princípio, se dirige ao amor como fim, emprega o amor como meio, é maravilhoso. E, celebrar este grande Amor de Deus por nós, nos convida a renovar nossa devoção a Jesus, manifestado na vivência do amor nas famílias, na Igreja Doméstica, na partilha do pão, na alegria de celebrar em comunidade a Eucaristia, na Sua Vida entregue por nós. Celebrar o Coração de Jesus torna-se uma ocasião para que toda a comunidade cristã se sensibilize a fazer, deste admirável Sacrifício o coração da própria vida. O Coração de Jesus é o centro do verdadeiro amor.

 

A Origem da devoção ao Sagrado Coração está na Sagrada Escritura. Aparece em dois momentos no Evangelho: no gesto de São João, reclinando-se ao lado de Jesus durante a última ceia (cf. Jo 13,23); e na cruz, onde o soldado abriu o lado de Jesus com uma lança (cf. Jo 19,34). Em um, o consolo pela dor da véspera de Sua morte.  No outro, o sofrimento causado pelos pecados da humanidade. Um Coração que tanto nos amou e que, na maioria das vezes, só recebe ingratidões, desprezos, ultrajes, sacrilégios e indiferenças, como disse o próprio Jesus a Santa Margarida Maria de Alacoque em umas de Suas aparições, em 1675.

 

Termino este meu texto com as palavras do Papa Francisco, dirigida aos sacerdotes por ocasião do Jubileu dos Sacerdotes em junho de 2016, “ O coração do sacerdote é um coração trespassado pelo amor do Senhor; por isso, já não olha para si mesmo – não deveria olhar para si mesmo –, mas está fixo em Deus e nos irmãos”.  Que Deus nos ensine a sermos mais misericordiosos, mais disponíveis aos outros, em especial os menos favorecidos, como nos ensina o Coração de Jesus, que é o centro do verdadeiro amor. Jesus, manso e humilde de coração, fazei nosso coração semelhante ao vosso”.

 

Emanuel Messias de Oliveira

Bispo diocesano de Caratinga

 

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