Todo dom vem do alto

Autor Claudio Geraldo | Data 31 de agosto de 2018



Neste primeiro domingo do mês da Bíblia, vivemos também ao iniciar setembro neste final de semana (dia 1º) a Jornada Mundial de Oração para o cuidado da criação criado pelo Papa Francisco (unido à tradição da Igreja Ortodoxa), que, em sua mensagem para esse dia, reflete sobre a água, “elemento simples e precioso, que infelizmente a muitos é de acesso muito difícil e até mesmo impossível”. À luz do livro da sabedoria “um espírito amigo do ser humano” iniciamos este tempo que irá nos conduzir à primavera neste hemisfério sul.

 

Senhor, também é bom que façamos parte deste povo cristão reunido no dia memorial da Páscoa. Pedimos-te também por nós “o louvor dos nossos lábios ressoa nas profundezas do coração. Viemos ouvi-lo e pedir que sua palavra semeada em nós santifique e renove toda a nossa vida” para estarmos contigo na alegria que não tem fim.

 

Vivemos neste final de semana o XXII Domingo do Tempo Comum. Vamos nos deixar iluminar pela Liturgia da Palavra e beber da água viva da fonte que é Jesus Cristo.

 

A primeira leitura (Dt 4, 1-2.6-8), indica a escuta como uma das primeiras exigências da aliança; ouvindo-o porque Deus está perto de seu povo como ninguém mais. Ele é um Deus que dialoga e suas palavras são uma fonte de sabedoria, a verdadeira riqueza de um pequeno grupo de pessoas que escaparam da escravidão confiando nas palavras de Deus trazidas a eles por seu Servo Moisés. Como consequência da escuta, nasce o compromisso de colocar em prática as indicações do Senhor, o poderoso libertador que caminha com seu povo. (cf. Dt 4, 1-2.6-8).

 

O salmo responsorial apresenta as condições essenciais para ser agradável a Deus, para viver em íntima comunhão com Ele. Trata-se de uma busca constante do crente em viver na mesma tenda de Deus, plantada em sua montanha sagrada. A verdadeira intimidade com Deus não é dada apenas pelas regras de adoração, pelos sacrifícios que podem ser oferecidos a ele. Deus aprecia mais a observância de sua lei, que estabelece o vínculo profundo e salvador com ele. A escuta de Deus, é obra fundamental, e produz um estilo de vida que faz felizes aqueles que praticam as exigências do Senhor. O salmista conclama para viver com alegria e abertura do coração, isto agrada os olhos de Deus. Deus não quer outra coisa senão ver seus filhos felizes com justiça e lealdade, afastando-se da culpa. Honrar a Deus na linguagem do Salmista é viver em harmonia e comunhão com os irmãos, e não insultar ou menosprezar o próximo. É importante reconhecer no outro a beleza do amor de Deus presente no outro, pois Deus ama e chama todos e convida-os a viver em seu amor.

 

Seria muito estranho por exemplo se em uma partida de futebol nos apegássemos as regras secundárias e esquecer as essenciais. O exemplo pode parecer trivial, porque até uma criança pequena sabe que precisa chutar a bola e fazer gol. No entanto, nem sempre o que é claro faz o jogo funcionar; pelo menos na da vida.

 

A partir disso, aprendemos o que é essencial para observar os mandamentos de Deus, se realmente quisermos nos alcançar à vida eterna no Paraíso. O salmo responsorial diz que vai morar na casa do Senhor apenas “aquele que anda irrepreensivelmente, faz o que é certo e falando a verdade em seu coração, não se espalha calúnias com a sua língua, não faz mal ao seu próximo e não lança insultos ao seu vizinho e não desgasta. Quem age assim permanecerá firme para sempre “(cf. Sal 14,1-5). Vamos meditar nessas palavras e renovar nossa determinação de permanecer sempre fiéis à Lei de Deus, que é a lei da vida.

 

Se acontecer a infelicidade de cair em pecado grave, voltamo-nos com confiança para o sacramento da reconciliação: Se você confessar com verdadeiro arrependimento e sincera intenção certamente vamos receber o perdão de Deus e a graça de viver como verdadeiros cristãos.

 

O Evangelho apresenta um diálogo, ou mesmo um debate entre Jesus e alguns fariseus e escribas. A discussão sobre o valor da “tradição dos anciãos” (Mc 7,3) que Jesus, referindo-se ao profeta Isaías, chama de “preceitos dos homens” (cf. Mc 7, 7), e que nunca deve tomar o lugar de “o mandamento de Deus” (cf Mc 7, 8). As antigas prescrições em questão incluíam não apenas os preceitos de Deus revelados a Moisés, mas uma série de ditames que especificavam as indicações da lei mosaica. Os interlocutores aplicaram essas regras de maneira muito escrupulosa e as apresentaram como expressão da religiosidade autêntica. Portanto, eles censuram Jesus e seus discípulos por sua transgressão, especialmente aqueles que se referem à purificação externa do corpo (cf. Mc 7,5). A resposta de Jesus tem a força de um pronunciamento profético: “Ao negligenciar o mandamento de Deus – diz ele – você observa a tradição dos homens” (cf Mc 7, 8). São palavras que nos enchem de admiração pelo nosso Mestre: sentimos que nele existe a verdade e que a sua sabedoria nos liberta dos preconceitos.

 

Neste Evangelho fica claro o diálogo entre Jesus e alguns fariseus e escribas sobre as regras relacionadas à limpeza ligada às refeições. Os discípulos de Jesus são acusados de não respeitar a tradição. Jesus acusa seus acusadores tinha esquecido a Lei essencial ou ouvir a Deus, substituindo-o por suas próprias regras, e torná-las um valor absoluto que esmaga as pessoas e para longe da vontade de Deus. É o coração de homem que torna verdadeiramente agradável a Deus.

 

Em face de “fariseus e escribas de Jerusalém”, por isso, às autoridades do judaísmo, Jesus entra em controvérsia, sobre ir para a mesa antes de ter feito as abluções (cf. Ex 30,17-21). No tempo de Jesus havia movimentos que radicalizavam a Lei, grupos intransigentes e fundamentalistas que pediram seus membros para agir como sacerdotes oficiantes no templo, que se multiplicaram e levavam com rigor os requisitos da lei, com uma obsessão especial com o tema da pureza.

 

Jesus deixou seus discípulos livres dessas observâncias que não foram solicitadas por Deus, mas pelos intérpretes da palavra de Deus, tornando-se “tradições”; e quando os homens produzem tradições, querem que eles sejam “a Tradição” e, portanto, atribuem-lhe a mesma autoridade atribuída à Palavra de Deus. Os evangelhos testificam para nós que em muitas questões Jesus se expressa contestando essas tradições que alienam os que creem. Muitas vezes acabam levantando barreiras, marcando os limites e fronteiras entre os seres humanos.

 

Com estas palavras, Jesus quer nos alertar também, hoje, para acreditar que a observância exterior da lei é suficiente para sermos bons cristãos. Como, então, para os fariseus, há também para nós o perigo de considerar direito ou, pior, melhor do que outros simplesmente porque eles observam as regras, costumes, mesmo se não amar o nosso próximo, estamos de coração duro, estamos orgulhosos, orgulhosa.

 

Nós todos sabemos, em nossas comunidades, em nossas paróquias, nos nossos bairros, quanto dano que fazem à Igreja e dão escândalo aquelas pessoas que dizem que eles são muito católicos e muitas vezes ir à igreja, mas mais tarde em suas vidas diárias, eles negligenciam a família, falam mal de outros e assim por diante. É isso que Jesus condena, porque isso é um testemunho cristão.

 

O Evangelho deste domingo nos faz entender algo mais: faz-nos compreender que não só apenas uma observância exterior da lei divina e os preceitos da Igreja, mas é preciso, acima de tudo uma adesão interior. As palavras de Jesus são muito claras: “Este povo honra-me com os seus lábios, mas os seus corações estão longe de mim” (cf. Mc 7,6). Estas palavras são uma firme condenação da hipocrisia. A hipocrisia era o pecado dos fariseus. Eles ostentavam perfeição antes dos outros, mas tal perfeição era apenas aparente. Jesus comparou os fariseus com os sepulcros caiados, belos por fora, mas que por dentro contêm apenas podridão.

 

Às vezes corremos o risco de ser hipócritas também, quando mostramos externamente que somos pessoas respeitáveis, mas dentro de nós os vícios mais feios e inomináveis estão ocultos. Às vezes nós também somos semelhantes aos sepulcros caiados, respeitável fora, mas a partir de nossos corações estão com “prostituição, roubo, assassinato, adultério, cobiça, calúnia, orgulho, loucura” (cf. Mc 7,21-22). As palavras de Jesus são um chamado para uma conversão e purificação interior.

 

Continuando em sua exortação, Jesus concentra sua atenção em um aspecto mais profundo e afirma: “Não há nada fora do homem que, entrando nele, possa torná-lo impuro. Mas são as coisas que saem do homem para torná-lo impuro “(cf. Mc 7, 15). Isso enfatiza a primazia da interioridade, isto é, a primazia do “coração”: elas não são as coisas externas que nos fazem santo ou não santo, mas é o coração que expressa nossas intenções, nossas escolhas e o desejo de fazer tudo Pelo amor de Deus, as atitudes externas são a consequência daquilo que decidimos em nossos corações, mas não o contrário: com a atitude exterior, se o coração não muda, não somos cristãos verdadeiros. A fronteira entre o bem e o mal não passa fora de nós, mas dentro de nós. Podemos nos perguntar: onde está meu coração? Jesus disse: “Onde está o seu tesouro, existe o seu coração”. Qual é o meu tesouro? É Jesus, é sua doutrina? Então o coração é bom. Ou o tesouro é outra coisa? Portanto, é o coração que deve ser purificado e convertido. Sem um coração purificado, não se pode ter mãos e lábios verdadeiramente limpos que pronunciam palavras sinceras de amor – tudo é duplo, uma vida dupla -, lábios que pronunciam palavras de misericórdia, de perdão. Somente o coração sincero e purificado pode fazê-lo. A liturgia deste domingo oferece uma reflexão sistemática do Evangelho de Marcos, é o discurso aos escribas onde Jesus expressar seu ensinamento sobre a adoração realmente aceitável a Deus. Um programa de vida, que nos faz observar Jesus em um dia normal de seu itinerário missionário.

Ao contemplar a liturgia deste Domingo iluminado pelo Evangelho segundo São Marcos (Mc 7, 1-8.14-15.21-23), que voltamos a ler na liturgia, percebemos que o evangelista dedica sua reflexão literalmente ao ministério de Jesus na Galileia. Ele se refere a um ensinamento de Jesus em três episódios, a partir de uma perspectiva de grupos, os escribas e os fariseus. Jesus responde primeiro à pergunta referindo-se aos Profetas, depois estende o olhar para a multidão presente e conta uma breve parábola. Então, de volta para casa e questionado pelos discípulos sobre o significado da parábola, Ele passa a explicar a Parábola.  Assim, temos três discursos curtos de Jesus, os escribas, a multidão, os discípulos.

 

Por trás dessa normalidade, no entanto, começamos a vislumbrar as razões que levarão Jesus à morte. O evangelista Marcos, que sempre tem uma reflexão a partir do coração, dos sentimentos quer nos ajudar a descobrir a verdadeira identidade de Jesus, ele é apresentado aqui em consonância com a antiga revelação feito pelos profetas, que atraiu as pessoas para observar a lei interna, a pureza das intenções do coração.

 

A distância entre o ensinamento de Jesus e as tradições dos fariseus torna-se mais evidente. E isso, observaremos a diante nos anúncios da paixão (Cf. Mc 08,31; 09,31; 10,33) e na parábola dos vinhateiros homicidas (cf. Mc 12,1-12), que vai mostrar Jesus como o servo de javé, ou o servo sofredor, tendo o mesmo destino que os profetas do passado:  Ele é o filho muito amado e será condenado e morto.

 

Jesus está com os discípulos na Galileia, e ao redor dele há alguns fariseus do lugar, como também alguns escribas que vêm de Jerusalém, provavelmente apenas para submetê-lo a uma inspeção e assim pegá-lo, como eles já tentaram fazer outras vezes (cf.  Mc7, 12-13), para poder acusá-lo e condená-lo. A crítica que Jesus faz, claramente e sem rodeios, seus acusadores é ter esquecido a coisa mais importante, embora todos recitam a oração diária do povo de Israel: “Ouve, ó Israel”: basta ouvir a Deus. Ouvir é a coisa essencial, o verdadeiro fundamento de tudo, não esquecer as “regras” sugeridas por Deus para a felicidade humana, substituindo-as por normas que surgem da invenção de alguém e depois se tornam absolutas porque “tradição”. Ouvir é na base; uma escuta inconsciente, vivida com o senso de dever, com o gosto da obrigação, sofrida como castigo. Ouve-se com esses sentimentos alguém que se sente distante, que se sente autoritário, contra nossa alegria. Por outro lado, a pessoa ouve com alegria aqueles que se amam, sentem satisfação e vivem com entusiasmo, mesmo quando se sabe que o que ele nos pede é exigente. É o coração que faz a diferença. É do coração que nascem incertezas.

 

O evangelista Marcos observa que os discípulos também são vigiados e observados para ter pontos de apoio contra Jesus, e não é a primeira vez (cf.  Mc 7,2-18;): este é indicativo de uma partilha de vida e participação na missão que nos permite vislumbrar no comportamento dos discípulos de Jesus, provavelmente ainda sem saber, um novo caminho.

 

Após a explicação dos costumes dos antigos, aqui está a questão dos escribas. Com a dupla acusação, o fato de eles não respeitarem a tradição e o fato de levarem comida a boca com as mãos sujas. A ênfase está nas mãos sujas. A tradução exata seria com mãos comuns, ou seja, mãos que vêm do trabalho e que agora estão prestes a fazer um gesto sagrado, como sempre foi o almoço para os judeus. O verbo / adjetivo usado várias vezes na passagem indica tanto comum, que se comunicar, e por extensão contaminar. A impureza das mãos, como qualquer tipo de impureza, torna a participação na adoração impossível. De fato, as mãos impuras tornam impuros os alimentos que tocam e, portanto, o homem que os come. Esta é, portanto, uma questão que não é higiênica, mas religiosa.

 

Em sua resposta, Jesus se refere à Palavra dos Profetas. E vai diretamente ao coração do problema, falando do verdadeiro culto. Os escribas se preocupam em ter as mãos puras, lavando-se até o cotovelo, para poder louvar a Deus, e Jesus lhes diz que o verdadeiro culto é o do coração puro. Desmascara sua hipocrisia, que esconde um coração longe de Deus por trás da observância de palavras e preceitos externos, (cf. Mc 7,6-8).

 

Jesus em sua capacidade de argumentar por parábola suscitava de forma logica, ao mesmo tempo simples, que seus ensinamentos atingisse as camadas sociais, e sem exceção, neste caso por exemplo repetindo três vezes e cada vez mais forte de que maneira os escribas e fariseus se desviavam do caminho certo. Ele diz que o primeiro “negligenciando o mandamento de Deus, vocês observam somente tradições dos homens”, ao invés de observar mandamentos e preceitos do Pai. (cf.  Mc 7, 8-13). Aqui está a parte central deste Evangelho. Jesus agora se vira para a multidão. Jesus expôs a estreiteza de ensino e comportamento dos escribas e agora oferece o seu ensinamento expressar um princípio fundamental de toda a moralidade: o que contamina o homem não são coisas, alimentos, o que você pode tocar ou ingerir, mas o que vem do coração.

 

Neste ponto, porém, o evangelista nos oferece um detalhe interessante, nos encontraremos novamente no Evangelho, ou seja, o fato de que os discípulos, entrando na casa, pedem a Jesus para explicar-lhes o que ele disse para a multidão. Por duas razões: eles nos ajudam a entender como Jesus realmente se comportou, que tinha no coração acima de tudo a formação de seus discípulos, a quem ele então confiaria a tarefa de levar sua feliz mensagem até os confins da terra, e em segundo lugar eles nos encorajam a pedir a Jesus que explique suas palavras sempre que não as entendemos, ( cf. Mc 7, 14-15).

 

De fato, Jesus explica aos discípulos por que a comida não contamina o homem: o que foi dito à multidão na forma de uma pequena parábola agora é explicitado. Mas então indica o que contamina o homem.

 

O mal segundo Jesus é o “propósito” que sai de um coração poluído. É o cume da passagem do Evangelho que a liturgia de hoje nos oferece para nos alertar do cuidado que devemos ter para não confundir o secundário com o fundamental ou se distrair do essencial, pensar com nossas pequenas observâncias externas ou práticas religiosas para ser “certo” com Deus, (cf. Mc 7,21-23).  O que Deus nos pede é a sinceridade do coração, (cf. Sl 51,8). E juntos o que Jesus nos oferece é “a verdade que nos faz livres” (cf. Jo 8,32). Reconhecer onde o mal realmente se encontra significa ser capaz de combatê-lo e combatê-lo efetivamente. É natural, então rezar com o salmista: “Cria em mim um coração puro ó Deus” (cf. Sl 51,12) ou pedir a graça de acolher as palavras do profeta: “Eu lhes darei um coração novo e porei um espírito novo neles; Eu removerei o coração de pedra do peito deles e lhes darei um coração de carne, para que eles possam seguir meus decretos e manter minhas leis e pô-las em prática; eles serão o meu povo e eu serei o seu Deus “(cf. Ez 11,19-20).

 

Conta-se uma antiga lenda dos eremitas do deserto, que um dia, duas mulheres foram pedir conselhos espirituais a um eremita sagrado. Uma mulher era pecadora que sinceramente se arrependia de seus inumeráveis pecados; o outro era uma mulher decente, que se sentia bem. O eremita deu um encargo as duas: a uma disse para ir buscar uma grande pedra; a mulher respeitável ordenou que ele trouxesse um saco cheio de areia. Depois de algum tempo, as duas mulheres voltaram. Então o santo disse: “Qual de vocês fez mais esforço?” Evidentemente, ambos haviam lutado. Portanto, o eremita disse à mulher que tinha convertido a partir de uma vida de pecado: “A pedra simboliza o seu grande pecado”, enquanto a mulher decente, disse: “O saco de areia retrata seus muitos pecados de orgulho. A lição foi muito bem compreendida. A pecadora voltou para casa finalmente livre do pecado; e a outra mulher também voltou para casa humilde e arrependida.

 

Nós jogamos fora nosso saco feito de tanto orgulho, tanta vaidade, tanto desprezo pelo próximo, e tantos fracassos na caridade, nossos julgamentos, nossas palavras e nossas obras. Este saco nos impede de caminhar rapidamente em direção ao Senhor e, muitas vezes, bloqueia nosso caminho. Jogamos fora este saco e, como diz São Tiago na segunda leitura, pusemos em prática a Palavra de Deus que foi semeada em nós (cf. Jo 1, 21-27).

 

De modo especial, o apóstolo São Tiago (Tg 1, 17-18-21b-22.27) nos exorta a andar no amor, a religião pura e imaculada para com Deus, e que agrada o Pai, está na missão de ir ao encontro do outro, visitar os órfãos e as viúvas em seus sofrimentos e não ser contaminado pelo mundo. Em suma, é preciso fazer o bem e evitar o mal. Não basta apenas evitar o mal, isso é muito pouco, também devemos fazer o bem. São Tiago falou em visitar os órfãos e viúvas. Estas duas obras são apenas um exemplo: na frente de cada um de nós abre um campo ilimitado de bem a ser cumprido. Não percamos esta graça de poder fazer algo pela glória de Deus e pelo bem de nossos irmãos. Deixe que este seja o nosso propósito.

 

Peçamos ao Senhor, através da intercessão da Santíssima Virgem, que nos dê um coração puro, livre de toda a hipocrisia. Este é o adjetivo com o qual Jesus identifica os fariseus: “hipócritas”, porque dizem uma coisa e a fazem outra.  Peçamos que o Espirito do Senhor nos ilumine e nos dê a graça de possuir um coração livre de toda hipocrisia, para que possamos viver de acordo com o espírito da lei e alcançar seu objetivo, que é o amor.

 

 

 

Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ) 

 

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