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Tesouro no vaso

Autor Claudio Geraldo | Data 4 de junho de 2018



O apóstolo Paulo fala da graça de Deus que nos enriquece, qual um tesouro que levamos em nosso vaso de barro (Cf. 2 Coríntios 4,6-11). É de suma importância cuidar bem deste nosso vaso para ele não se quebrar e colocar em risco seu conteúdo. Este precisa também ser bem protegido para não ser roubado.  O mesmo seguidor de Jesus nos anima a viver com a certeza de nossa vitória sobre as aflições, as angústias, os sofrimentos, perseguições  e todos os problemas que nos afligem. Deus não nos deixa sucumbir, apesar de nossas fragilidades. Nossa fé nele nos dá garantia de superação. Basta sermos fiéis no esforço de realizar o que Ele nos indica através do Filho Jesus.

 

Na realidade social, política e econômica em que vivemos, parece que não encontramos saída para a superação de nossos males. No entanto, precisamos conjugar esforços para usar as riquezas do amor de cada pessoa que tem coração verdadeiramente humano e colocarmos a serviço do bem comum nossos talentos, experiência e visão altruísta. No meio de incertezas e confusões, as pessoas de bom discernimento e sentimento de solidariedade podem ajudar a promoção da justiça, do caminho do bem e das atitudes reparadoras dos desvios de conduta.

 

Nossa religiosidade bem alimentada com a palavra divina, a oração e a conversão pessoal nos fará solidários com os mais carentes e sofredores de vários tipos e males. Não focalizaremos somente os atos de relacionamento subjetivo com Deus, mas também as consequências de assumirmos, na prática do amor e da justiça, a fé transformadora. Os antigos judeus guardavam o dia do sábado para repouso. Jesus veio trazer o sentido do dia do repouso ou ausência do trabalho para a realização do que é melhor diante de Deus, ou seja, a realização da caridade e toda a promoção do bem do semelhante. O culto a Deus pessoal e comunitariamente é importante; como cristãos devemos  usar os domingos e demais dias santificados para isso. No entanto, Jesus acentua que também se deve fazer o bem ao próximo, mesmo tendo que se guardar o repouso prescrito pela religião ( Cf. Marcos  2-23-3,6).

 

O tesouro do amor e da ação de Deus em nós é que nos enriquece. Mas temos o compromisso de colaborar, de nossa parte, para que esse tesouro frutifique, sendo protegido com nossas ações consequentes com nossa fé transformadora, fazendo o mesmo dar frutos para todos. Se muitos pensarem e agirem assim, teremos a solução para a superação de nossos males e desafios. Deus está conosco, mas é preciso que seu amor nos transforme em novas criaturas. Paulo lembra que Deus “fez brilhar a sua luz em nossos corações”(2 Coríntios,6).

 

 

Dom José Alberto Moura
Arcebispo de Montes Claros (MG)

 

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