O valor da família nos padres da Igreja

Autor Claudio Geraldo | Data 25 de janeiro de 2019



A família é um passo fundamental na vida de todo o seguidor de Jesus Cristo. O ano de 2019 terá presente também os 25 anos em que houve uma CF que falasse sobre a família, cujo tema era: A família como vai? A família é benção de Deus na qual aprendemos os valores da paz e do amor, as relações com o próximo, consigo mesmo e com Deus. Vejamos essas coisas em alguns dos primeiros escritores cristãos, os padres da Igreja.

 

A pessoa cristã manifesta o valor à sua família.

 

O ser humano, diz Clemente Alexandrino, padre do II e III séculos, cria os próprios hábitos naturais que são a comida, a bebida e com o tempo ele se encontra com outra pessoa, diferente dele e se casa, constitui uma família. Ele estando na família, é chamado a não afastar-se do amor de Deus e combaterá todas as tentações que possam trazer divisões a mesma, viverá com a mulher e com os filhos e com as filhas. O autor alexandrino diz que o nosso empenho é exercitar a alma, para que seja ativa na acolhida da verdadeira gnose, do saber das coisas. A família ajuda a viver a verdade no amor que o Senhor nos concede diariamente.

 

Os pais desenvolvem na sua casa uma missão eclesial

 

Para Santo Agostinho, bispo nos séculos IV e V, um dos maiores padres da Igreja, fala que os pais exercem na sua casa, família, uma missão eclesial. Ele tem presente as palavras de Cristo quando diz que onde está Ele, o Senhor, estará também aquele que o serve (cfr. Jo 12,26) não é aplicada só aos bispos bons ou aos sacerdotes virtuosos. Todos, diz Santo Agostinho são servidores de Cristo, cada um segundo as suas possibilidades, vivendo no bem, dando esmolas anunciando o nome de Cristo Jesus e a sua doutrina. Por isso é que todos os pais de família, como servos de Cristo, cumprem o seu dever de amar os seus com afeto paterno e materno. Por Cristo, e pela vida eterna eduquem os seus filhos e filhas, os admoesta, os exorta, os encoraja, concedem a benevolência, mas também manifestam a sua severidade, cobrem na sua casa em certo sentido a função de sacerdote e de bispo, servindo a Cristo para estar para sempre com Ele. O Bispo de Hipona lembrava o tempo dos mártires pelas pessoas que serviram a Cristo com a máxima devoção ao sofrimento e ao sacrifício e muitos não eram nem bispos, nem sacerdotes, mas eram crianças, adolescentes e virgens, jovens e idosos, esposos e esposas, pais e mães de família, servindo Cristo, estes e também os ministros ordenados deram a vida no martírio para Cristo Jesus e receberam do Pai que os honrou a coroa da mais alta glória.

 

É preciso a autoridade dos pais na família

 

Teodoreto de Cirro, bispo dos séculos IV e V, ressaltou a importância da autoridade dada aos pais para que a família prospere bem e não caia na ruína. Não é possível que uma casa não tenha um chefe de família para assim ir para frente pelo fato de testemunhar as casas que foram privadas dessas autoridades e andaram na ruína completa. Esta autoridade é dada pelo serviço fraterno onde alguns mandam e outros obedecem com amor. Isso é percebido mesmo entre os anjos onde obedecem com prontidão e sabedoria as ordens do Senhor. O governo da autoridade, segundo Teodoreto de Cirro foi dado pelo Criador como medicação para curar as feridas do pecado. Os pais coordenam sobre os seus filhos e filhas, admoestam os que estão irrequietos e honram aqueles que fazem o bem. Esta mesma ordem quis o Criador do Universo colocá-la também aos seus ministros: alguns os fez ministros em um grau superior e outros os colocou subordinados à autoridade dos primeiros para que todos sirvam a Ele.

 

Cada um de nós deve cuidar do próximo

 

A palavra de Deus em São Paulo coloca claramente a necessidade de cuidar do próximo quando diz: Morrer e estar com Cristo é a coisa melhor, mas permanecer na carne é mais necessário por causa vossa (cfr. Fl 1,23). Vejamos, diz São João Crisóstomo, Bispo dos séculos IV e V, como o apostolo antepõe a edificação do próximo ao morrer para alcançar a Cristo. De fato não existe meio melhor para estar unidos a Cristo que cumprir a sua vontade e a sua vontade não consiste em outras coisas como no bem ao próximo. Da mesma forma o Senhor Jesus pediu por três vezes a Pedro se de fato o amava?!( cfr. Jo 21,15). A cada resposta o Senhor dizia que era para ele apascentar as ovelhas. Por isso apascentar as ovelhas é prova do amor. Cada um de nós tem uma ovelha para cuidar, apascentar. O homem não busque outra coisa desde que se levanta da cama de tornar a sua casa e a sua família mais felizes, a mulher por parte sua, demonstre ser uma boa mãe de casa e perceba que toda a família trabalha e cumpra as obras relacionadas ao Reino dos céus. Recomendava o bispo São João Crisóstomo que toda a pessoa cumpra bem os seus afazeres, sejam eles pessoais familiares com o publico para estar bem diante de Deus. É preciso que todos cumpram obras de caridade, sobretudo no meio familiar, pois possibilita uma educação mais elevada ao ser humano. A salvação é dada pelo interesse do bem comum, do amor ao próximo e a Deus para assim alcançar a vida eterna.

 

João Crisóstomo valorizou o matrimonio, como ponto de unidade no amor entre os esposos como forma de agradar a Deus. Ele afirma que as núpcias não são um impedimento para agradar a Deus, que jamais impedem à uma vida reta. De fato, diz o bispo que se formos cientes das coisas, nem as núpcias, nem a educação dos filhos nem qualquer outra coisa impedirá de agradar a Deus, porque se trata da criação do próprio Deus que desejou que o homem se unisse a sua mulher e formasse uma só carne (cfr. Mc 10,9), uma família. Desta forma o casamento e a educação dos filhos são a criação de Deus, do seu amor no crescimento da virtude, da caridade e jamais o seu contrario. Deus quer que todas as pessoas alcancem a salvação (cfr. 1 Tm 2,4). Tudo isso é dado também pela vida familiar na qual o ser humano passa um dia para assim crescer na virtude da caridade nas quais as Sagradas Escrituras tem presentes em vista da vida eterna.

 

Concluindo vejamos a importância da família para o ser humano, como meio de crescimento nas virtudes, como forma de amar a Deus, ao próximo como a si mesmo. Os Padres da Igreja realçaram muito bem a família, aonde a pessoa agrada a Deus, seja a educadora de valores cristãos, católicos, e crescimento da vida no momento atual e que será plena na vida eterna com Deus Uno e Trino.

 

Dom Vital Corbellini
Bispo de Marabá

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