Mês missionário

Autor Claudio Geraldo | Data 16 de outubro de 2017



Na sequência dos meses, outubro se apresenta como “mês missionário”. Como agosto foi o “mês vocacional”, e setembro o “mês da bíblia”.

 

Salta aos olhos que se trata de uma estratégia pastoral. Destacar uma dimensão, para enfatizar sua importância, e perceber seus desdobramentos. Sempre na suposição de que todas as dimensões da vida e da missão da Igreja precisam ser levadas em conta, pois todas são importantes.

 

Mas a dimensão missionária, de maneira especial, tem peso maior, no conjunto da realidade e da ação pastoral da Igreja.

 

Esta importância da missão se fundamenta na própria destinação que Cristo deu à sua Igreja. Ela foi pensada por Cristo, e ela existe, para cumprir a missão. Cristo a coloca no centro de sua própria missão. “Como o Pai me enviou, eu envio vocês”!

 

Desta maneira, a missão explicita a centralidade do mistério de Cristo, e em decorrência, a centralidade da própria Igreja.

 

A Igreja existe para cumprir a missão recebida de Cristo. E ao mesmo tempo, a Igreja se realiza na medida em que cumpre a missão.

 

Como se costuma dizer, “a Igreja faz a missão, e a missão faz a Igreja”. Tudo para explicitar a centralidade da missão, em Cristo e na Igreja.

 

A fundamentação teológica é clara e fácil de ser aceita. Mas ela precisa ser corroborada por uma prática coerente com o peso eclesial da missão.

 

Neste sentido, é interessante perceber as lições da história. Toda vez que a Igreja sentiu a necessidade de se renovar, ela redescobriu o caminho da missão. Estamos num tempo em que a renovação da Igreja foi de novo colocada em pauta, especialmente pelo Concílio Vaticano Segundo.  Ora, o tempo de mudanças é sempre um tempo propício para o surgimento de querelas internas, em torno de questiúnculas secundárias.

 

Pois bem, se a Igreja não partir para a missão, estas querelas vão inibir o impulso de renovação da Igreja, e frustrar os grandes objetivos do Concílio.

 

Um olhar atento sobre a caminhada histórica da Igreja, nos leva a uma intrigante constatação: toda vez que aflorou um anseio forte de renovação eclesial, surgiram na Igreja questionamentos que inibiram a concretização de generosas intenções renovadoras, que ficaram inviabilizadas, seja por rupturas eclesiais mais profundas, ou por medo de que estas rupturas acontecessem.

 

Só a abertura missionária pode proporcionar a motivação verdadeira para a renovação eclesial, e para a superação de impasses ecumênicos, que continuam se agravando.

 

A Igreja, ou as Igrejas, existem para cumprir a missão, e na missão podem encontrar a motivação para empreender as mudanças internas que se mostrarem necessárias.

 

Há constatações importantes a fazer. Foi a abertura missionária que impulsionou a renovação da Igreja Católica na Europa, no final do século 19 e início de século 20. Algumas dioceses da França chegaram a enviar até metade dos seus padres para a missão, especialmente na África. E muitas das atuais “Congregações religiosas” foram criadas a partir do empenho missionário que a Igreja da Europa ia despertando.

 

A insistência do Papa Francisco, de sermos uma “Igreja em saída”, se insere dentro da urgência da missão. Precisamos encontrar caminhos, não para enfraquecer a Igreja com nossas miopias, mas para levar o Evangelho “a todas as criaturas”, como Jesus ordenou aos seus apóstolos.

 

 

Dom Demétrio Valentini
Bispo Emérito de Jales

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