Do silêncio da morte, a exaltação da vida!

Autor Claudio Geraldo | Data 30 de março de 2018



Estimados Diocesanos! Percorremos o tempo da Quaresma refletindo sobre o tema proposto pela Campanha da Fraternidade: “Fraternidade e superação da violência”. Creio que foi extremamente oportuno e “inspirado” termos refletido, como Igreja comunidade de fé, sobre esta triste realidade da sociedade brasileira.

 

O processo de conscientização para criarmos uma cultura da paz não termina com as celebrações da Semana Santa, ricas em conteúdo e espiritualidade, que nos fazem retornar ao caminho do amor misericordioso do Pai, manifestado por Jesus, através da instituição do sacerdócio, da eucaristia, e revivido de forma intensa pelo nosso povo através da celebração da Paixão do Senhor.

 

A dor da violência, da indiferença e da omissão, infligida ao Cordeiro de Deus, continua muito presente na nossa realidade social. Penso que muitos gostariam que a missão do Senhor tivesse seu grande final com a Sexta-feira da Paixão, na qual, o “Verbo que se fez Palavra fez silêncio”. Assim, com sua morte, o silêncio da justiça reinaria soberano sobre a terra, não alimentaria o amor, a esperança, a busca de dignidade daqueles que estendem a mão à beira do caminho ou têm o coração ferido pela perda de forma brutal e absurda de alguém que amavam, que era presente de Deus, presença de vida, a quem a violência impõe de forma antecipada o sono da morte.

 

No silêncio do sábado santo, fomos convidados a entrar no repouso de Deus (Hb 4,9), no silêncio de Deus, no vazio de Deus de onde cada coisa toma vida, até mesmo a morte. A ressurreição, a esperança de uma vida nova e do renovar-se continuamente na vida parece depender da nossa capacidade em aceitar, depois dos momentos mais difíceis da nossa existência, que uma “pedra” (Jo 11,41; 20,1) nos separe de tudo e de todos na espera do grande acordar que é a ressurreição como insurreição da vida, dom de Deus contra todo atentado de morte.

 

Na caminhada de filhos e filhas para a casa do Pai, podemos ter sempre aquela esperança de que o sono da morte não conhece a eternidade, porque a eternidade Deus a reservou para a vida, através da ressurreição, da qual o Senhor Jesus nos dá testemunho de que vive e é luz a iluminar a nossa vida.

 

Tenham todos uma Feliz e Santa Páscoa.

 

Dom José Gislon
Bispo de Erexim

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