Portal da Diocese de Caratinga - Corpus Christi

Corpus Christi

Autor Claudio Geraldo | Data 4 de junho de 2018



A festa do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, também conhecida como festa de Corpus Christi foi instituída pelo Papa Urbano IV, para por em destaque o santíssimo sacramento da Eucaristia, já que na Quinta Feira Santa não é possível uma manifestação efusiva de alegria.

 

Na bula Transiturus, assinada no dia 11 de agosto de 1264, Urbano IV escreveu: “Pareceu-nos oportuno estabelecer que todos os anos, além da memória cotidiana que a Igreja faz deste sacramento, se celebre uma festa solene”.

 

Em quase todas as cidades do Brasil a celebração de Corpus Christi é marcada pelos tapetes de flores e serragem colorida nas ruas e pelas acorridas procissões. Esta é, aliás, a orientação da Igreja que assim prescreve: “Entre as procissões eucarísticas adquire importância e significado especiais na vida pastoral da paróquia ou da cidade a que costuma ser realizada cada ano na solenidade do Corpo e do Sangue de Cristo ou outro dia mais apropriado perto desta solenidade. Convém pois, que, onde as circunstâncias dos tempos atuais o permitirem e onde puder ser realmente um sinal de fé e adoração da comunidade, esta procissão seja mantida, segundo a determinação do direito”.

 

Embora haja contestações, a maioria dos comentaristas atribui a São Tomás de Aquino a autoria das orações da missa e da liturgia das horas da festa de Corpus Christi.

 

A antífona de entrada, na opinião de Pius Parsch, “é um solene tocar de sinos, um convite à celebração da missa. A Eucaristia é a flor do trigo o alimento da vida sobrenatural! É o mel, a doçura espiritual que sai da rocha; que é o Cristo”.

 

A Oração da Coleta é uma síntese maravilhosa da doutrina sobre a Eucaristia. Na primeira parte lembramos que a Eucaristia é a memória da Paixão e da Morte de Cristo. De fato, o conceito de “memória” (anámnesis) é fundamental para uma compreensão correta da Eucaristia enquanto sacrifício. Através deste conceito se pode formular uma teologia do sacrifício segundo a qual a Ceia do Senhor nem prolonga, nem repete, nem substitui, nem acrescenta nada ao único e auto-suficiente sacrifício de Jesus na cruz. A livre e auto-entrega de Jesus é o único e completo sacrifício. Pela memória e por ação do Espírito Santo, os cristãos participam do acontecimento da cruz. No dizer de Dom Helder Câmara: “Ir à missa é ir ao Calvário”.

 

Na segunda parte da mesma oração pedimos para que, ao venerar o Corpo e o Sangue do Senhor, colhamos os frutos da redenção. Comentando este pedido, Pius Parsch explica que “venerar não quer dizer somente o culto de adoração, mas, antes de tudo, a reta disposição e a participação ativa na Santa Missa. Verdadeira veneração dos Mistérios do Corpo e do Sangue é sacrificar, comungar, e, consequentemente, viver da Eucaristia”.

 

Na época em que foi instituída a festa do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, as discussões sobre a presença real de Cristo na Eucaristia eram muito acirradas.

 

Durante os nove primeiros séculos de sua história os cristãos acreditaram, sem maiores sobressaltos, na presença real de Cristo sob as espécies de pão e de vinho.

 

A partir do século IX começam a surgir dúvidas e problemas. Teólogos, na tentativa de explicar o “como” Cristo está presente nas espécies de pão e vinho, chegaram a conclusões muito duvidosas, para não dizer errôneas.

 

Alguns, optando por um realismo antropofágico, afirmavam que o pão e o vinho, depois da consagração, são o verdadeiro corpo e o verdadeiro sangue de nosso Senhor Jesus Cristo, sensivelmente tocados e partidos pelas mãos dos sacerdotes e materialmente triturados pelos dentes e digeridos pelo estômago dos fiéis.

 

Outros, aderindo a um simbolismo nominalista, afirmavam que a Eucaristia não é verdadeira e substancialmente corpo, mas, sombra e figura representativa do corpo e sangue do Senhor.

 

Fugindo da radicalidade de uma e de outra posição, e ao mesmo tempo, mantendo todo o realismo da presença de Cristo na Eucaristia, teólogos como São Tomás de Aquino, desenvolveram a doutrina da transubstanciação como expressão mais adequada para explicar o mistério da presença real de Cristo sob as espécies de pão e de vinho.

 

Em tempos recentes, alguns teólogos achando que o termo transubstanciação já não seria o mais apropriado para expressar a “singular mudança de toda a substância do pão no corpo e de toda a substância do vinho no sangue, permanecendo apenas as espécies de pão e vinho”, propuseram como alternativa os termos transignificação transfinalização. O Papa Paulo VI, no entanto, em sua carta encíclica Mysterium Fidei, reafirma que o termo transubstanciação continua sendo mais adequado para expressar nossa fé na presença real de Cristo na Eucaristia.

 

 

Dom Manoel João Francisco
Bispo de Cornélio Procópio (PR)

Mitra Diocesana de CaratingaPraça Cesário Alvim, 156Caratinga - MG35.300-000 - (33) 3321-4600