Atividade Política – serviço ao bem comum (I)

Autor Claudio Geraldo | Data 5 de janeiro de 2018



É dever de todo cidadão trabalhar com os poderes civis para a edificação da sociedade em espírito de verdade, de justiça, de solidariedade e de liberdade. Responsabilidade maior possuem aqueles homens e mulheres que se dispõem, através da atividade política, a promover e a realizar esse serviço em prol do bem comum da sociedade.

 

“A Igreja respeita e promove a liberdade política e a responsabilidade dos cidadãos” (GS, 76). Ela não assume posição partidário-política, mas reconhece que faz parte de sua missão “emitir juízo moral também sobre as realidades que dizem respeito à ordem política, quando o exijam os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas, empregando todos os recursos que estão de acordo com o Evangelho e com o bem de todos, conforme a diversidade dos tempos e das situações” (idem).

 

Em dezembro de 2017, o Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM), juntamente com a Pontifícia Comissão para América Latina, promoveu um encontro de políticos católicos do continente. Para essa ocasião o Santo Padre Francisco enviou uma mensagem em vídeo, realçando a dignidade da atividade política e destacando aspectos importantes dessa ‘nobre forma de caridade’.

 

Destacamos a seguir, aos aspectos do discurso do Santo Padre aos participantes do referido encontro.

 

A política, afirma o Papa, não é serva de ambições individuais, de prepotência de facções e de centros de interesse. Ele recorda que o serviço de Jesus e o serviço que o Senhor exige dos seus apóstolos e discípulos é por analogia o tipo de serviço que se pede aos políticos.
O ponto fundamental deste serviço é o bem comum. Trata-se de um serviço que requer constância, engajamento e inteligência. O que é o bem comum? É o ‘conjunto das condições de vida social que permitem aos indivíduos, famílias e associações alcançar mais plena e facilmente a própria perfeição’(GS, 74).

 

A atividade política é nobre e necessária; é um serviço prestado ao bem da nação, e em favor de seus cidadãos.
É, certamente, preciso reabilitar a dignidade da política. Observa-se um descrédito popular no qual caíram todas as instâncias políticas, a crise dos partidos políticos, a ausência de debates políticos de valor que visem projetos e estratégias a nível nacional, a fim de construir um autêntico e viável projeto de nação.

 

Não faltam vozes que criticam os políticos e veem-nos como uma corporação de profissionais que cuidam dos próprios interesses ou denunciam-nos com raiva, por vezes sem as devidas distinções, como impregnados de corrupção. É também verdade que não faltam razões para tais manifestações.

 

No entanto, não se pode esquecer a necessária e positiva participação de todos que se sentem responsáveis pela própria vida e destino no debate que a atividade política requer.

 

Toda nação tem necessidade de dirigentes políticos que vivam com paixão o seu serviço, que vibrem com as fibras íntimas do seu etos e da sua cultura, solidários com os seus sofrimentos e esperanças, que anteponham o bem comum aos seus interesses privados, que não se deixem intimidar pelos grandes poderes financeiros e mediáticos, que sejam competentes e pacientes face aos problemas complexos, que sejam abertos a ouvir e a aprender no diálogo democrático, que conjuguem a busca da justiça com a misericórdia e a reconciliação.
Precisamos de dirigentes políticos capazes de mobilizar vastos setores populares seguindo grandes objetivos nacionais.

 

Dom Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre (RS) 
Presidente da Comissão Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada

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