Antoni Gaudí: o arquiteto de Deus

Autor Claudio Geraldo | Data 25 de junho de 2018



Hoje, dia 25 de junho, comemora-se 166 anos de nascimento de Antoni Gaudí i Cornet, cristão leigo e arquiteto catalão, umas das figuras mais expressivas do Modernismo. As obras do arquiteto revelam um estilo único e individual e estão em sua maioria na cidade de Barcelona. Além de inúmeros outros projetos, o arquiteto dedicou sua vida à construção da Igreja Sagrada Família, sua obra prima, cujo início das obras se deu em 1883 e a sua conclusão segue até o ano 2026. Neste período, ele recusou convites para trabalhar em Paris (França) e Nova Yorque (EUA).

 

Adolescente contemplando a beleza da obra. Foto: Willian Bonfim

João Paulo II, em outono de 1982, visitou a Sagrada Família e disse: “Esta Igreja da Sagrada Família ainda é um trabalho incompleto, mas é sólida desde o início: comemora e resume outra construção, uma construção feita com pedras vivas: a família cristã, onde a fé e o amor nascem e são constantemente cultivados”.

 

“Entrar na basílica projetada por ele é um estado semelhante ao de um extâse místico. É difícil acreditar que um edifício pode fazer milagres, mas se alguém entra na sagrada família e realmente acredita que pode ser curado, isso vai acontecer”, disse Lourdes Cirlot, historiadora de arte da universidade de Barcelona.

 

A dedicação e o exemplo de vida de Gaudí levaram o padre José Emanuel Amuzara e um grupo de católicos a dar início a seu processo de beatificação em 10 de julho de 1992 com a criação da Associação para a Beatificação de Antoni Gaudí. A tramitação de beatificação teve início no ano de 2000 no palácio episcopal de Barcelona, presidido pelo cardeal arcebispo da cidade Ricard Maria Carles.

 

Desde então, ele já foi elevado à categoria de “Servo de Deus”, por João Paulo 2º. Em 2010, houve mais um desdobramento para os devotos do arquiteto. O papa Bento XVI consagrou a Igreja da Sagrada Família, em Barcelona, sua principal obra, como basílica. Contudo, o processo aguarda a contundência da realização de um milagre pelo cristão leigo para beatificá-lo.

 

Segundo o bispo auxiliar de Brasília e secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), “Antoni Gaudí foi um grande católico e cristão. Um homem de uma fé profunda”. A igreja da Sagrada Família, em sua avaliação é estupenda e por meio dela se vê a alma e a profundidade da fé deste homem.

 

O secretário-geral lembrou que todo cristão que procura viver em profundidade o Evangelho e a fé é sempre um candidato ao processo de beatificação e depois também de canonização. Dom Leonardo destaca que Gaudí viveu em profundidade a fé cristã. “Não é só a Igreja que expressa a sua fé no Evangelho, a vida pessoal dele, as relações, as compreensões que tinha da vida expressam isso”, disse.

 

Um exemplo, é o fato de ter se preocupado com o bem estar dos trabalhadores por toda sua vida. Ele ajudou a criar a progressiva Colônia Guell, uma comunidade de trabalhadores que ficava em torno de um moinho, com escolas e um hospital, assim como o primeiro estádio de futebol da Espanha. Depois de começar a trabalhar na Sagrada Família, em 1883, ele também construiu escolas para os filhos dos trabalhadores e paroquianos.

 

O bispo auxiliar de Brasília reforça ainda que a arte sempre é uma possibilidade de encontro com Deus. “As catedrais medievais, as grandes igrejas românicas todas elas têm uma mística, são espaço de um encontro com Deus e buscam levar as pessoas à esta experiência. Também a Sagrada Família tem esse propósito”, avaliou.

 

Dom Leonardo visitou por duas vezes a Basílica da Sagrada Família, em Barcelona (Espanha). A primeira vez, como descreve, foi muito rapidamente e quiseram mostrar-lhe a arquitetura. Mas foi na segunda vez, de modo mais pessoal e tranquila, que o prelado pode contemplar a obra prima de Gaudí. “A gente se sente atraído pela beleza e detalhes que devagar, na medida em que se silencia interiormente, começam a falar e a indicar um caminho espiritual e existencial. É uma obra de arte, de fé, que ajuda na contemplação da vida do Evangelho”, conclui.

 

Bio – Antoni Gaudí i Cornet (Reus ou Riudoms, 25 de junho de 1852 — Barcelona, 10 de junho de 1926) foi um famoso arquitetocatalão e figura de ponta do Modernismo catalão. As obras de Gaudi revelam um estilo único e individual e estão em sua maioria na cidade de Barcelona.

 

Grande parte da obra de Gaudi é marcada pelas suas grandes paixões: arquitetura, natureza e religião. Gaudi dedicava atenção aos mais íntimos detalhes de cada uma das suas obras, incorporando nelas uma série de ofícios que dominava: cerâmica, vitral, ferro forjado e marcenaria. Introduziu novas técnicas no tratamento de materiais, como o trencadís, realizado com base em fragmentos cerâmicos.

 

Depois de vários anos sob influência do neogótico e de técnicas orientais, Gaudí tornou-se parte do movimento modernista catalão, que atingiu o seu apogeu durante o final do século XIX e início do século XX. O conjunto da sua obra transcende o próprio movimento, culminando num estilo orgânico único inspirado na natureza. Gaudí raramente desenhava projetos detalhados, preferindo a criação de maquetes e modelava os detalhes à medida que os concebia.

 

A obra de Gaudí é amplamente reconhecida internacionalmente e objeto de inúmeros estudos, sendo apreciada não só por arquitetos como pelo público em geral. A sua obra-prima, a inacabada Sagrada Família, é um dos monumentos mais visitados de Espanha. Entre 1984 e 2005, sete das suas obras foram classificadas como Património Mundial pela UNESCO. A devoção católica de Gaudí intensificou-se ao longo da sua vida e a sua obra é rica no imaginário religioso, o que levou que fosse proposta a sua beatificação.

Mitra Diocesana de CaratingaPraça Cesário Alvim, 156Caratinga - MG35.300-000 - (33) 3321-4600