A humildade de São João Batista

Autor Claudio Geraldo | Data 5 de junho de 2018



Lembremos, em primeiro lugar, que vamos falar de São João Batista e não de São João Evangelista. São João Batista é o precursor de Jesus. Nasceu seis meses antes de Jesus. Seus pais são Zacarias e Isabel. Todos se lembram da visita de Nossa Senhora à sua prima Isabel. Ali temos uma primeira manifestação de São João Batista dando pulos de alegria, porque, pelo Espírito Santo, ele reconheceu que Nossa Senhora estava grávida de Jesus que ele ia anunciar.

 

São João Batista foi o último profeta do Primeiro Testamento e o primeiro do Segundo Testamento. Ele faz a passagem entre os dois testamentos. Tudo o que os profetas anunciaram, ele vê realizar-se em Jesus de Nazaré. Com o máximo de humildade e simplicidade ele anuncia a chegada do Messias.

 

Outro gesto   de humildade aparece logo no início de sua pregação. Vemos isto em Mateus, capítulo três. Seu modo de vestir e de se alimentar já mostra sua simplicidade, austeridade e humildade. No versículo 11 ele afirma: “Eu vos batizo com água, para a conversão. Mas aquele que vem depois de mim (Jesus) é mais forte do que eu. Eu não sou digno nem de levar (tirar) suas sandálias. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com o fogo”. São João Batista tem uma consciência clara da superioridade de Jesus com relação a ele e anuncia esta superioridade sem nenhuma pretensão, mas com o máximo de humildade, apesar da sua austeridade e coragem profética. Continuando o texto mais abaixo, Jesus vem para ser batizado por ele e ele se contrapõe dizendo no versículo 14: “Eu é que preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?” Jesus responde: “Por ora, deixa, é assim que devemos cumprir toda a justiça. E João obedeceu e batizou Jesus.

 

No evangelho de São João, no capítulo primeiro, versículos 19 e seguintes, São João Batista dá um testemunho bonito de autenticidade, sinceridade e humildade, quanto responde aos sacerdotes e levitas que ele não é o Cristo, não é Elias, nem o profeta, anunciado por Moisés. Quando os interlocutores insistem que ele se identifique, “ele declarou: “eu sou a voz (Quem é a Palavra é Jesus) de quem grita no deserto: Endireitai o caminho para o Senhor, conforme disse o profeta Isaías”. No dia seguinte, versículo 29, ele aponta para Jesus que vinha, dizendo: “Eis o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo. É dele que eu falei”. De novo, no dia seguinte, estando João com dois discípulos, “vendo Jesus caminhando disse: “Eis o Cordeiro de Deus”. Os dois discípulos largaram seu mestre e foram ao encontro de Jesus. O texto não fala, mas, certamente, São João ficou feliz, pois em outro lugar da Escritura ele diz “É preciso que ele cresça e que eu diminua”.

 

Poderíamos garimpar mais a Bíblia e apresentar outros textos, mas já estou tranquilo com o que foi apresentado. Podemos meditar sobre São João a partir da sua profunda humildade e consciência de seu papel diante de Jesus, o Salvador do mundo. São João Batista tem muito a nos ensinar. Não nos esqueçamos que ele é o Padroeiro da nossa Diocese.

 

Dom Emanuel Messias de Oliveira

Bispo diocesano de Caratinga

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