A esperança é mais forte do que sofrimento

Autor Claudio Geraldo | Data 15 de abril de 2017



Caros amigos, a Semana Santa nos faz reviver os passos salvadores do Senhor Jesus e, de algum modo, recorda-nos muitos momentos de nossas vidas: dores, injustiças, traições, covardias, solidão, esperas, superações, vitórias. Todas as misérias e as conquistas humanas se levantam diante de Jesus Ressuscitado, juiz dos vivos e dos mortos. Ele as aceitou em Sua Encarnação e, agora, em Sua Paixão, Morte e Ressurreição, lhes dá pleno sentido.

 

Uma vida sem rumo é a maior dor do homem, pois a ausência de um porquê soma um tormento a mais à alma sofredora. Ao contrário, quando há um motivo para prosseguir, todos os caminhos se enchem de luz.

 

Nosso Senhor também enfrentou desafios, vencendo cada um deles com a lembrança bendita do amor do Pai, a compaixão pelo mundo e o perdão aos pecadores. Ele sabia que após Sua Paixão todos os temores humanos, até a mais dura certeza da morte e a insegurança pelo porvir, seriam transfigurados.

 

Assim exprimiu São João Paulo II: “Cristo, de fato, não responde diretamente e não responde de modo abstrato a esta pergunta humana sobre o sentido do sofrimento. O homem percebe a sua resposta salvífica à medida que se vai tornando ele próprio participante dos sofrimentos de Cristo. A resposta que lhe chega mediante essa participação, ao longo da caminhada de encontro interior com o Mestre, é, por sua vez, algo mais do que a simples resposta abstrata à pergunta sobre o sentido do sofrimento. Tal resposta é, sobretudo, um apelo. É uma vocação. Cristo não explica abstratamente as razões do sofrimento; mas, antes de mais nada, diz: ‘Segue-me!’. Vem! Participa com o teu sofrimento nesta obra da salvação do mundo, que se realiza por meio do meu próprio sofrimento!” (Salvifici Doloris, 26).

 

Louvo a Deus por ver este ensinamento tão compreendido pelos mais pequeninos! Quanta fé se acha entre os que mais sofrem e que extraordinária força podemos encontrar na contemplação de Cristo padecente. O próprio texto citado possui um fundamento mais sólido quando refletimos sobre a vida de São João Paulo II, autor do documento.

 

Convido a todos os cristãos para que nesta Semana Santa se esqueçam das divisões que enfraquecem nossa caridade e se reconheçam como irmãos vivendo no mesmo tempo, enfrentando as mesmas adversidades e capazes de experimentar a mesma força de ressurreição que vem da cruz de Cristo. Esta é a esperança que cura e supera toda dor, aliviando, sobretudo, os sofrimentos dos mais necessitados.

 

Dom Edney Gouvêa Mattoso
Bispo de Nova Friburgo(RJ)

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