A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos

Autor Redacao | Data 1 de outubro de 2019



“O Senhor escolheu outros setenta e dois discípulos e os enviou­ dois a dois, na sua frente, para toda cidade e lugar aonde ele próprio devia ir. E lhes dizia: “ A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Por isso peçam ao dono da colheita que mande trabalhadores para a colheita (Lc 10,1-2).

 

Inicio a palavra do pastor deste mês missionário extraordinário fazendo referência a este trecho do Evangelho de São Lucas, pois ele nos recorda que todos os batizados são missionários de Cristo chamados a preparar o caminho com as palavras e com o testemunho de vida.

 

Depois de enviar os “12”no capítulo 9º, São Lucas mostra Jesus enviando o “72”, no capítulo 10. Este envio dos 72 é símbolo da universalidade da missão. Todo cristão é missionário. E Jesus não se limita somente a enviar, Ele também dá, aos missionários, regras de comportamento claras e precisas. Acima de tudo os envia ‘dois em dois’, para que se ajudem mutuamente e testemunhem o amor fraternal. No v.3 adverte-os de que serão ‘como ovelhas em meio a lobos’: desta maneira terão que ser pacíficos, e levar, nas situações adversas, uma mensagem de paz.

 

O tema do mês extraordinário missionário é: “Batizados e enviados: a Igreja de Cristo em missão no mundo”. Cada Cristão é batizado em nome do Pai e do Filho e do Espirito Santo. Esta fonte trinitária da nossa vida é exatamente a fonte da missão. Pelo batismo assumimos a responsabilidade de sermos missionários. Se nos fecharmos a ação missionária, nos fecharemos ao Espirito Santo.  Na exortação apostólica Evangelii Gaudium, o Papa Francisco afirma que: “A intimidade da Igreja com Jesus é uma intimidade itinerante, e a comunhão reveste essencialmente a forma de comunhão missionária. Fiel ao modelo do Mestre, é vital que hoje a Igreja saia para anunciar o Evangelho a todos, em todos os lugares, em todas as ocasiões, sem demora, sem repugnâncias e sem medo. A alegria do Evangelho é para todo o povo, não se pode excluir ninguém; assim foi anunciada pelo anjo aos pastores de Belém: “Não temais, pois anuncio-vos uma grande alegria, que o será para todo o povo” (Lc 2, 10). O Apocalipse fala de “uma Boa Nova de valor eterno para anunciar aos habitantes da terra: a todas as nações, tribos, línguas e povos” (EG Nº 23).  Nosso verdadeiro dever, como seguidores de Cristo e Batizados, é levar essa Boa Nova salvífica a todos, sem distinção.

 

Em sintonia com o mês missionário acontece o Sínodo para Amazônia. O Instrumentum Laboris do Sínodo Amazônico inicia seu primeiro capítulo com as seguintes palavras: “A evangelização na América Latina constituiu um dom da Providência que chama todos à salvação em Cristo. Apesar da colonização militar, política e cultural, e para além da ganância e da ambição dos colonizadores, numerosos missionários entregaram a própria vida para transmitir o Evangelho. O sentido missional não somente inspirou a formação de comunidades cristãs, mas também uma legislação, como as “Leis das Índias”, que protegiam a dignidade dos indígenas contra as violações de seus povos e territórios. Tais abusos provocaram feridas nas comunidades e ofuscaram a mensagem da Boa Nova; o anúncio de Cristo se realizou frequentemente em conivência com os poderes que exploravam os recursos e oprimiam as populações”. Infelizmente!

 

E aqui, cito o apostolo Paulo com suas ousadas palavras: “Contudo, quando prego o evangelho, não posso me orgulhar, pois me é imposta a necessidade de pregar. Ai de mim se não pregar o evangelho! ” (1 Cor 9,16).

 

A região da floresta Amazônica inclui territórios pertencentes a nove nações. A maioria das florestas está contida dentro do Brasil, com 60% da floresta, seguida pelo Peru com 13% e com partes menores na Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa. A nossa pergunta é: Se nós brasileiros, cristãos não nos levantarmos da nossa comodidade diante dos desmandos contra a floresta amazônica, quem irá se importar? Ela é o pulmão do mundo e está, em sua maior extensão territorial, no nosso país. Vamos continuar acomodados achando que é natural tudo o que acontece em nosso país em favor da ganância e do egoísmo dos poderosos, ou vamos exercitar o que nos pede Cristo quando diz: Ide e anunciai a Boa Nova a todos os povos?

 

Eu repito o v. 2 do Cap. 10 de São Lucas e acrescento uma palavrinha: “ A colheita é grande, mas os “verdadeiros” trabalhadores são poucos”. E relembro o v.3: “serão como ovelhas em meio a lobos”. O primeiro ato evangelizador é o testemunho de cada batizado. Você, meu prezado leitor, está realmente dando este testemunho evangelizador e missionário com suas atitudes diante dos bens naturais de nosso país? Diante da vida? Que cada um de nós possa refletir sobre os nossos trabalhos missionários em nossas comunidades, pois a Igreja de Cristo existe para evangelizar.

 

Dom Emanuel Messias de Oliveira

Bispo diocesano de Caratinga

 

 

 

 

 

 

 

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